"Seja o qual for a previsão dos economistas, vá na direção oposta", aconselha investidor-anjo

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Por Paula Zogbi

18 de novembro de 2015 às 10:27 - Atualizado há 5 anos

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Dave McClure, fundador da aceleradora 500 Startups, não se importa em polemizar e soltar suas opiniões fortes publicamente. Depois de dizer que as empresas “dinossauros” serão mortas pelas startups em cinco anos na abertura do evento Innovators Summit – que ocorreu entre 16 e 17 de novembro em São Paulo – o norte-americano disse com todas as letras, na segunda roda de conversa da qual participou, que os investidores devem seguir exatamente o caminho oposto do que os economistas disserem que eles devem seguir.

“Provavelmente eles dirão que o Brasil é uma economia em queda. Eu digo: acreditem exatamente no oposto disso. Não escutem os economistas. O Brasil é um mercado com muito futuro”, crava McClure, que acelera empresas do mundo inteiro e já apostou em mais de mil empresas nascentes como CEO da 500 Startups, sendo cerca de 30 no Brasil.

O personagem controverso acrescenta ainda que “não importa nem um pouco” para que lado a economia ande, desde que o seu produto seja bom e tenha clientes. “Sou um barquinho no meio do oceano. Não importa se ele está calmo ou bravo, a economia pode estar como for, o que importa é a sua companhia. Se ela for boa, vai funcionar”, aponta.

Na mesma conversa estava presente Michael Nicklas, da firma de investimento de risco Valor Capital Group, que não se mostra menos otimistas com as perspectivas brasileiras: “eu vejo o Brasil como um país único entre os emergentes, porque há muita semelhança com os mercados europeus e norte-americanos”, compara o investidor. A Valor Capital Group foca justamente no mercado brasileiro e nas fronteiras Brasil-EUA, e tem operações em Nova York, Menlo Park e no Rio de Janeiro.

Para ele, a grande razão pela qual é mais fácil abrir uma startup no Vale do Silício é a quantidade de tecnologia: “no Vale você não precisa ser inovador em tecnologia, porque toda a tecnologia já está lá. Mas aqui no Brasil foram feitas coisas tão boas como as de lá e até mesmo antes – o Pinterest já existia por aqui antes de ser criado nos Estados Unidos”, diz, referindo-se à rede social We Heart It, criada em 2008 pelo brasileiro Fábio Giolito. Nicklas aposta com vigor nos empreendedores daqui: “falta investimento, e eu espero que a competição não fique muito dura, porque gosto de investir aqui. Até agora, tem havido uma cooperação muito boa no ecossistema brasileiro, as pessoas se ajudam e trocam experiências”.

Ambos mostram interesse em manter apostas por aqui. Para Nicklas, se não houvesse uma escala tão grande de necessidade no Vale do Silício, o Brasil poderia ter um mercado inovado até maior do que o dos EUA: “é uma questão de necessidade. Ninguém opera em um nível tão alto, talvez a China. Mas tem a ver com PIB, com número de investidores”, diz o investidor anjo. A experiência é válida: “vá ao Vale do Silício e veja o que as pessoas estão fazendo por lá, mas depois volte. Aqui é um lugar incrível”, aconselha McClure.