“Velocidade é o que dita as regras do jogo”, diz presidente da P&G

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

23 de agosto de 2018 às 18:43 - Atualizado há 2 anos

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O que faz hoje uma empresa com 180 anos? Essa foi a primeira questão levantada por Juliana Azevedo, presidente das operações da P&G no Brasil, durante sua palestra na VarejoTech Conference 2018. Segundo a executiva, a companhia já nasceu inovando com a popularização de produtos pouco conhecidos, mas hoje têm outros desafios.

Para se adaptar à um período de transformações, a P&G tem hoje mais de 7.500 cientistas trabalhando todos os dias – um número maior do que a Harvard e Stanford possuem juntas. “O mundo mudou, então precisamos sempre inovar de forma diferente”, ressaltou Juliana.

Hoje, a companhia investe em programas de aceleração, parcerias com startups e hackathons. Além disso, incentiva uma nova cultura dentro da empresa – tornando a inovação parte do DNA dos colaboradores. Mas, ainda mais importante que isso, a empresa acompanha as mudanças do consumidor.

Segundo a executiva, o cliente de hoje é poderoso e busca produtos personalizados e marcas com atitude – portanto, ter uma loja mais bonita ou com um preço competitivo já não é mais suficiente. Para isso, é importante entender as dores do consumidor e trazer soluções compatíveis a elas.

Na prática

Um exemplo disso foi um movimento feito pela companhia voltado à venda de fraldas. Notando uma queda no setor, a P&G procurou saber qual era o motivo. “Percebemos que os pais comparavam fraldas na pressa e quando notavam que elas estavam acabando. Logo, precisavam de mais conveniência”, explicou Juliana.

Encontrando o problema, a companhia precisava ser rápida para encontrar uma solução. Para isso, fizeram um experimento com alguns testes. Para o primeiro deles, colocaram uma ilha de fraldas em uma loja e chamaram os clientes por um alto falante – ressaltando as vantagens de comprar o produto antecipadamente.

No segundo, testaram uma vaga exclusiva para quem compra fraldas. A ideia, segundo Juliana, era que o cliente gastasse menos tempo possível. Também colocaram, em outra ação, uma gôndola no próprio estacionamento, para que o cliente não saísse do carro para comprar os produtos. Por fim, testaram um clube de assinatura de fraldas, em que o consumidor recebia o item em casa.

Tudo foi feito pelos próprios funcionários da companhia – montagem das ilhas, chamadas para divulgação e outras ações. Em algumas semanas, os resultados apareceram – com um crescimento de mais de 20% na categoria. “Conseguimos entender o que o consumidor buscava para expandir algumas dessas soluções”, ressaltou Juliana.

Segundo a executiva, o experimento trouxe lições que valem para todos os varejistas: ao desenhar um projeto, a perfeição não é o objetivo, mas sim encontrar soluções com mais agilidade e medir as mudanças de hábito do consumidor. “O importante é aprender. A única forma de crescer é fazendo diferente. Hoje, velocidade é o que dita as regras do jogo”.

 

Foto: Eduardo Viana