“A tecnologia veio para cortar intermediários”, diz sócio de startup DNVB

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

24 de agosto de 2018 às 12:06 - Atualizado há 2 anos

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A sigla “DNVB” nasceu do termo “digitally native vertical brands” – marcas verticais que são nativamente digitais. Essas marcas vendem diretamente seus produtos para os consumidores finais, cortando intermediários e custos e estabelecendo uma relação próxima com seu público.

Por serem nativas digitais, as marcas vendem seus produtos em e-commerces, cortando intermediários como lojas físicas e revendedores em geral. Essa é uma relação de custo x benefício para as empresas, que podem vender seus produtos por preços mais acessíveis e os clientes não arcam com custos adicionais de logísticas, por exemplo.

“A tecnologia e o mundo digital veio com o objetivo de cortar intermediários. Só vou manter o intermediário se ele me fizer diferença – se não tiver valor, a tecnologia acaba atropelando o processo, já que as pessoas preferem ter uma experiência digital do que física”, comentou Eduardo Glitz, sócio da StartSe e da Yuool – uma marca do tipo DNVB de calçados feitos com lã merino.

Mas apesar da presença digital ser fundamental para as DNVBs, a necessidade de ter um contato mais próximo com os clientes estimula que essas marcas também invadam o varejo físico. Esse é o caso da Livo, por exemplo, marca de óculos do tipo DNVB.

A empresa se inseriu no varejo físico ao buscando facilitar a experiência de compra dos clientes. Quando não possuía uma loja física, a Livo permitiu que clientes provassem os óculos antes de comprar através de uma bicicleta itinerante que levava os óculos. Agora, a empresa já possui diversas lojas físicas, que se tornaram também um local de conexão com clientes e fãs da marca.

Além disso, uma ferramenta muito utilizada pelas DNVBs são as mídias e influenciadores. “Nós construímos nossa marca em cima de 4 pontos: presença física, relacionamento, colaborações e relações públicas”, afirmou Arthur Blaj, fundador da Livo.

A empresa contou com a ajuda de influenciadores para compartilhar a história e seu propósito. “Começamos a reunir pessoas legais para contar nossa história, mas fomos alimentando esse relacionamento ao longo dos anos, independente se eram de grande alcance de mídia ou não – o importante era contar a história bem. Essas pessoas acabaram se tornando amigos da marca e trouxeram mais oportunidades”, comentou Blaj.

Em seu propósito, a Livo busca trazer óculos por preços mais acessíveis com design elaborado e qualidade. Para atingir esse fim, a empresa afirma buscar uma relação saudável com a cadeia de clientes, colaboradores e fornecedores. “Sempre priorizamos a indústria nacional e entregamos um produto muito bom por um preço justo, ao mesmo tempo que não ferramos ninguém, geramos externalidades positivas”, comentou o fundador da marca.

A melhor experiência do consumidor

Com a ausência de intermediários, as DNVBs se tornam responsáveis pela construção e manutenção da própria marca, mas é necessário entregar o que é prometido. “A experiência de compra de colchões é muito ruim, antiquada e ineficiente. Por isso, eliminamos toda a complexidade de uso”, comentou Amit Eisler, co-fundador da Zissou, DNVB voltada para o sono.

Para mudar a indústria de colchões, a Zissou desenvolveu um colchão que é dobrável e cabe em uma caixa de um metro – dessa forma, diminui os custos de entrega e logística que um colchão convencional teria, viabilizando a venda dos produtos pela internet.

“Um colchão que hoje custa R$ 1.000 no varejo custa R$ 200 reais na fábrica – o consumidor paga um múltiplo de 5x no produto”, comentou. Vendendo diretamente ao consumidor e tendo uma nova logística, esse cenário – e o preço – mudam totalmente.

Com o objetivo de oferecer o produto ideal ao consumidor, a Zissou estudou durante um ano como seria o colchão ideal que equilibrasse conforto e suporte. Durante esse período, a startup realizou vários MVPs – mínimo produto viável – para chegar ao resultado disponível hoje. E, para facilitar a compra online de um produto que é tão pessoal, a startup possui um ponto de venda físico em São Paulo e traz a garantia de que se o cliente comprar e não aprovar o produto, tem 100 dias para testar e ter o seu dinheiro de volta, se for o caso.

Eduardo Glitz, sócio da Yuool, Amit Eisler, co-fundador da Zissou e Arthur Blaj, fundador da Livo estiveram no VarejoTech Conference, evento da StartSe que aconteceu nesta quinta-feira (23) e reuniu as principais inovações e especialistas do varejo.

Foto: Eduardo Viana