Projeto quer disponibilizar filmes atualmente no cinema para serem vistos em casa

Do fundador do Napster, "Screening Room" pretende ser uma Netflix de luxo e divide posições em Hollywood

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Por Paula Zogbi

29 de março de 2016 às 09:48 - Atualizado há 4 anos

SÃO PAULO – Um dos fundadores do Napster e dos primeiros investidores do Facebook, Sean Parker, teve uma ideia que promete dividir Hollywood ao meio: disponibilizar os títulos mais atuais, ainda nas telonas, para serem vistos no conforto do lar. O nome do projeto é “Screening Room”.

A tendência de assistir a filmes dentro de casa está cada vez mais fortalecida: as televisões têm qualidades mais impressionantes, os catálogos são mais vastos e a velocidade da internet permite que os conteúdos, por mais pesados que sejam, carreguem na tela em segundos.

Essa tendência, de acordo com Parker, já faz com que as pessoas prefiram estar em casa naturalmente. Ou seja: quem não quer ir ao cinema, não iria de qualquer maneira; mas mesmo essas pessoas às vezes querem ver lançamentos, e elas estariam dispostas a pagar bastante dinheiro por isso. Mais especificamente, US$ 50 por título.

Dessa maneira, para Parker e seu sócio, Prem Akkaraju, o “Screening Room” estaria, ao invés de afastar espectadores do cinema, criando um novo público pagante: pessoas que gostariam de assistir aos filmes, mas por algum motivo não conseguem ir ao cinema – porque precisam pagar por babás para cuidar de seus filhos, por exemplo.

O usuário que quiser ter acesso a essa Netflix de luxo deverá pagar primeiramente uma “caixa anti-pirataria”, de US$ 150, que garantiria a segurança de todo o conteúdo baixado. Os filmes alugados posteriormente estariam disponíveis por apenas 48 horas, sem limites de replay neste período.

Controvérsia

Há grandes nomes do cinema apoiando a ideia, como Steven Spielberg e Peter Jackson, diretor de O Senhor dos Anéis. Entretanto, o lado opositor também já se manifestou.

Órgãos como a União Internacional de Cinemas e os representantes de cadeias de cinema dos EUA se posicionaram publicamente contra a ideia. John Landau e James Cameron, que trabalharam juntos em Titanic, e o diretor de A Origem, Christopher Nolan, estão entre os nomes famosos que acreditam que a ideia seria prejudicial aos cinemas, como contam ao site “Variety”. “Não entendemos por que a indústria poderia querer oferecer ao público um incentivo para pular a melhor forma de se experimentar a arte que trabalhamos tão duro para criar”, afirmou Landau”.