É possível construir um novo Vale do Silício, mas só com estes ingredientes

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Por Paula Zogbi

16 de fevereiro de 2016 às 09:50 - Atualizado há 5 anos

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Claudio Brito não vê outro caminho para o futuro dos negócios mundiais que não o empreendedorismo e a tecnologia. E a combinação mais harmoniosa entre estes dois fatores, não há dúvidas, está atualmente no Vale do Silício.

Em julho de 2015, o especialista em Marketing Digital gravou um documentário da região de San Francisco, lançado recentemente com o nome “Os Segredos do Vale do Silício” – na íntegra, neste link.

“Minha ideia com o documentário era que várias pessoas se inspirassem e conhecessem melhor o Vale, do qual eu já tinha conhecimento prévio”, explica Claudio, que também é facilitador, coach, mentor e empreendedor.

A partir do documentário, é possível estabelecer uma “receita” do que permitiu que o Vale do Silício se transformasse no centro de inovação que é hoje, reunindo mentes empreendedoras excepcionais de diversas partes do mundo e sendo berço de boa parte das melhores e maiores tecnologias disruptivas das últimas décadas.

Não é fácil e nem rápido: “será preciso tempo e investimento, é um trabalho de médio a longo prazo. Depende do interesse, não só do governo e nem só do empresário, mas de uma concentração de toda a comunidade.

Entretanto, é preciso começar de algum ponto. Veja, a seguir, alguns ingredientes da receita que permitiram a construção do maior “bolo” de inovação do mundo:

1. Universidade

Um dos pontos chave que permitiram que o Vale do Silício se tornasse o que é hoje foi a proximidade com a universidade de Stanford, que produz inúmeras pesquisas e trabalhos científicos e tecnológicos. A produção de conhecimento é essencial para a inovação. “Falta no Brasil que, desde a fase da educação, o espírito empreendedor seja fomentado”, comenta Claudio, que cita não apenas o ensino superior, mas também o básico e o médio.

2. Investimento do governo

“Não basta o investimento privado, o governo precisa fazer com que a tecnologia chegue às pessoas”, diz o produtor do documentário, acrescentando que este é um dos motivos pelos quais ele acredita que o momento atual não é favorável para que o Brasil se transforme em um novo Vale. “O governo tem tomado muitas decisões de forma equivocada nesse sentido: mesmo quando a verba [voltada a inovação] sai de Brasília, os governos locais não aplicam como deveriam”.

3. Divisão de ideias

É unanimidade entre os entrevistados no documentário: ter medo de expor ideias e de ajudar nas dos outros não ajuda nenhum empreendedor. “É um espírito de comunidade muito forte, algo muito difícil de ver aqui no Brasil”, conta Claudio, ao relembrar uma situação em que viu um imigrante ser ajudado por três CEOs em um evento, ao dizer que estava morando dentro do carro.

4. Cultura de reerguer-se

Startups falham em taxas muito mais altas do que decolam. Por isso, a capacidade de reerguer-se é essencial para que um empreendedor tenha futuro.

No Vale do Silício, dizem os entrevistados do filme, a regra é não ter medo de admitir os erros, e nem vergonha de mostrar o que deu errado para aprender a acertar futuramente.

5. Pessoas dispostas a arriscar

Sem investidores de risco, não é possível construir uma cultura forte de startups. Como a maior concentração de pessoas dispostas a arriscar seu dinheiro em novas ideias está no Vale do Silício, é natural que as pessoas com essas ideias se encontrem por lá. “Mesmo as empresas que não são de lá acabam sendo compradas ou angariando referências de lá”, diz Claudio.

6. Reciprocidade

A colaboração fortalece a inovação, e foi essencial para transformar a área californiana e atrair tantos empreendedores. Mas não basta colaborar.

O que transformou o Vale do Silício no ambiente que é hoje, segundo os empreendedores, investidores e especialistas entrevistados, foi a vontade de pessoas ajudarem sem esperarem nada em troca.

É uma corrente: alguém ajuda você sem esperar nada; no futuro, você ajuda uma terceira pessoa com a mesma mentalidade.

7. Disposição para formar conexões

“As oportunidades existem, e os empreendedores precisam se conectar a elas”, diz Claudio. Quem vai ao Vale do Silício, já chega em busca por encontrar interesses em comum.

Um dos entrevistados do documentário mostra, como exemplo dessa cultura, a colaboração Samsung/Apple: apesar de concorrentes fortes no mercado de smartphones, a Apple compra diversos componentes fabricados pela Samsung. Ambas se beneficiam da troca.

8. Inovação como importância máxima

A regra é essa: pessoas que vão ao Vale do Silício raramente pensam primeiro em dinheiro. As empresas que decolam são as que colocam a inovação à frente do faturamento, e é isso que diferencia o Vale do Silício de centros empresariais no geral.

9. Mistura

Toda essa colaboração não daria tão certo se não houvesse pessoas com diversas mentalidades colaborando entre si.

Fica o ciclo: pessoas com grandes ideias do mundo todo formaram o Vale do Silício; e o Vale do Silício, em si, atrai pessoas com grandes ideias do mundo todo.