O Uber é socialista, e o fundador da Business Insider explica por quê

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Por Paula Zogbi

2 de outubro de 2015 às 14:10 - Atualizado há 5 anos

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SÃO PAULO – Um aplicativo que quebra o monopólio de organização e certificação do transporte urbano pelos órgãos públicos, oferece concorrência de preço e garante segurança – e um certo glamour – às suas viagens, pode parecer um sonho liberal à primeira vista. Mas será mesmo?

Assim como o deputado do PSOL que afirmou recentemente que a esquerda deveria apoiar o Uber e questionar os táxis, Jim Edwards, editor de tecnologia da Business Insider no Reino Unido, acredita que a ideia do aplicativo é socialista por natureza. E agora ele quer convencer a todos.

Segundo o editorial, publicado hoje, a ideia do aplicativo representa “o sonho da ideia de uma cooperativa de caronas para trabalhadores”, com a vestimenta de algo que os liberais mais esquerdistas aprovariam. Além de ajudar pessoas de baixa renda a chegar ao trabalho gastando menos, o aplicativo funciona como um divisor de riquezas, no qual 75% dos lucros vai direto ao bolso dos trabalhadores que o fazem funcionar, explica.

A esquerda já se posicionou algumas vezes contra o Uber, inclusive em solidariedade a um grupo de trabalhadores: os taxistas. Travis Kalanick, fundador da companhia, nascido em San Francisco, “lar de capitalistas gananciosos”, nas palavras de Edwards e fã incondicional da escritora e filósofa individualista Ayn Rand, não está exatamente preocupado com a divisão de riquezas ideologicamente.

Mas para o editor, a Associação de Motoristas de Táxi Licenciados no Reino Unido é um cartel formado por uma gama de capitalistas ainda mais ferrenhos, que persuadiram a cidade a criar leis que podem impedir o funcionamento do serviço de aluguel de carros de luxo. Leis que, segundo ele, são “comicamente injustas” e claramente têm como principal objetivo o fim do app.

Ele vai além na crítica aos táxis, que seriam “um serviço de carros no qual os trabalhadores são forçados a pagar enormes quantias antes de conseguir dirigir, e depois de conseguir, são organizados em um cartel que mantém os preços altos para que trabalhadores nos subúrbios sejam prejudicados o máximo possível”. Algo que a esquerda não deveria defender.

Resumindo, por que o Uber é bom para as pessoas, de acordo com Edwards:

– A maior parte da receita vai aos trabalhadores;

– O Uber é mais seguro para as mulheres;

– O Uber é bom para trabalhadores de meio período;

– Também é bom para os pais ou cuidadores, que podem precisar trabalhar em horários não-convencionais;

– O Uber emprega trabalhadores com poucas habilidades (há 18.000 motoristas do Uber em Londres que não possuem diploma);

– É amigável às minorias: em Londres, ao menos, a maior parte dos taxistas tem pele branca;

– A barreira para iniciantes é muito menor;

– É acessível a pessoas que vivem longe dos centros das cidades;

– E para pessoas de baixa renda: além de mais barato do que um táxi, pode ser mais barato do que manter um carro próprio

– Faz bem para o meio ambiente, ao diminuir a demanda por carros.

O problema em assumir o Uber como uma experiência socialista favorável à população de baixa renda está mais voltado para fora do que para dentro da estrutura da companhia: apesar de se mostrar uma cooperativa de motoristas, a organização atualmente apresenta-se como um movimento contra o Estado e não paga taxas obrigatórias para os órgãos públicos, o que normalmente seria revertido à população. Em São Paulo, por exemplo, um taxista paga aproximadamente R$255 em taxas anuais. Os motoristas do Uber pagam apenas ISS como MEI (Microempreendedor individual).

Nesse sentido, fica a questão: ao oferecer formas mais dignas de divisão de lucros entre os motoristas, o Uber estaria prejudicando, em determinada medida, essa mesma fatia da população?