O que aprendemos com as empresas da bolha dos anos 2000

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Por Paula Zogbi

28 de outubro de 2015 às 14:03 - Atualizado há 5 anos

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No final dos anos noventa, o estouro de uma bolha acabou com as operações de boa parte das empresas de internet que haviam se estabelecido durante os anos, com IPOs milionários. Essas startups da época, inclusive, tinham muitas semelhanças com algumas companhias que vemos florescer atualmente.

O que se espera é que as startups de agora anotem os erros que as empresas de internet cometeram no passado e não cometam os mesmos. Mas e quanto ao que as pontocom fizeram de positivo? O que os empreendedores de hoje devem aprender com as empresas do século passado se quiserem prosperar?

De acordo com Alexandre Alves, diretor de prospecção da INSEED Investimentos, comenta algumas das boas lições que as pontocom podem ensinar ao empreendedorismo atual.

Dinâmica e velocidade

Para o investidor, a era das pontocom trouxe uma mudança de ritmo muito grande na criação de novos empreendimentos. “Os negócios tradicionais dos últimos 50 anos tinham um ciclo, uma dinâmica de tempo. Quando você vai ao mundo digital – e ele está ganhando predominância – essa velocidade muda. Não há mais as restrições tradicionais de precisar lançar o produto, para depois fazer o marketing de lançamento, esperar deslanchar, etc”.

Ele afirma que “o que antes demorava uma semana para ser feito, agora leva um dia; o que demorava um mês, leva agora uma semana, e assim sucessivamente”. E os negócios tradicionais, para chamar a atenção no mercado, podem se adaptar a essa nova velocidade.

No online, “tudo é simultâneo e initerrupto”, de acordo com Alves, e isso também deve ser aplicado aos outros tipos de negócios. “Além de ter uma postura de inovação, é preciso observar essa dinâmica e tentar incorporar a mesma velocidade para manter a competitividade”.

Abertura e colaboração

Para aumentar a velocidade de produção em ambientes off-line, uma alternativa inteligente é buscar formas de otimizar os trabalhos através de parcerias. “Quando uma startup monta o negócio, ela se associa, busca parcerias, vai para fora de seu ambiente e traz o que encontra por lá. O digital não oferece barreiras físicas e geográficas , e uma postura mais associativa pode favorecer a velocidade e a competitividade”.

Mesmo com produtos físicos, é possível buscar esse tipo de interação através do ambiente digital. “O empreendedor pode terceirizar serviços, tecnologias, buscar soluções mais rápidas, para se enquadrar na nova velocidade que veio com as empresas de internet”, afirma Alexandre. A maneira linear de desenvolver o negócio não é mais aplicável. Essa nova postura favorece todos os lados envolvidos.

A busca por investidores nasce com a empresa

“Hoje, vários negócios mais tradicionais ainda pensam em buscar sócios e dividir governança, da maneira mais tradicional. Mas os negócios mais jovens já nascem com investidores: no mundo pontocom, o capital de risco acelera, dá folego, traz combustível e divide o risco”, explica Alexandre.

De acordo com ele, o Brasil é um país onde as opções de investidores ainda são muito limitadas. “A gênese do capitalismo, que vai se amadurecendo, fechou dessa maneira: as pessoas geram lucros que vão sendo reinvestidos na economia . A pessoa não vai investir apenas em imóveis, e temos um mercado de capitais muito concentrado. Assim, acaba tendo muito investimento em startup, e é algo em que o empreendedor deve estar atento”, explica.

“O mercado das pontocom, nitidamente empresas como a Amazon e o Google, têm ciclos de investimentos curtos, de até 15 anos. Mas quando esses ciclos acabam, o investidor não para de investir, ele continua”. Por isso, de acordo com Alexandre, é importante já buscar esse capital de risco desde o nascimento dos negócios. E não só nacionalmente

Não há mais barreiras

Já não é mais novidade que as empresas não precisam se restringir aos mercados nacionais. Investidores estrangeiros podem buscar empreendimentos no Brasil com facilidade, e injetar capital por aqui.

Com essa globalização do mercado, “se a sua empresa não se atualizar e funcionar de maneira mais similar ao digital, você pode acabar perdendo oportunidades internacionais. O mundo ficou pequeno, é preciso investir em estratégias globais”.

DNA de inovação

“A inovação de uma maneira geral consegue conferir aos negócios uma natureza competitiva e atrair investidores”, diz Alexandre. “É muito fácil, atualmente, copiar uma ideia – justamente por conta da velocidade com que as coisas ocorrem”. Nesse sentido, para ele, é essencial trazer uma ideia que seja inovadora, difícil de reproduzir e tenha pensamento de longo prazo.

“Hoje eu observo que, por conta da velocidade de viralização e implementação, as pessoas tendem a querer fazer tudo muito rápido e deixam de analizar o cenário. É importante que todo o time pense em dois sentidos: para trás e para frente”. Alexandre acredita que negócios que não observam esse cenário global e as tendências do futuro não atraem bons investimentos.

“Hoje, por exemplo, o cenário político e econômico atual não pode ser pensado separadamente. É preciso ter visão história. Para ele, sem essa visão macro, a empresa é muito facilmente engolida por uma lógica “antropofágica” de cópias rápidas. “Aqui na INSEED, por exemplo, nós preferimos companhias com esse potencial. Não deixe de ter visão estratégica”, completa.