“O jurídico precisa de cases de sucesso”, enfatiza fundador da Legal Insights

A lawtech ajudou a Magazine Luiza coletando informações externas e internas e aplicando um modelo analítico jurídico capaz de gerar insights e informações relevantes

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Por Lucas Bicudo

27 de setembro de 2017 às 08:05 - Atualizado há 2 anos

Magazine Luiza: 12 bilhões em receita bruta, 50 milhões de clientes, 820 lojas, 20 mil colaboradores e 28% da participação do e-commerce nacional. No segundo trimestre do ano, cresceu 55% como comércio eletrônico e 26% em volume de vendas.

O driver desse crescimento pode ser atribuído a duas coisas: uma população grande e jovem – 50% com menos de 35 anos e 50% conectada -, junto ao alto uso de mídias sociais e inclusão financeira digital. Aliar esses dois fatores, segundo a empresa, gera uma oportunidade no valor de R$ 60 bilhões. Oportunidade essa que ela quer capitalizar – e para isso, precisa sair do status de “varejo tradicional com uma área digital” e começar a se portar como uma “plataforma digital com pontos físicos”.

A transformação digital só irá acontecer com resultados: aumento nas vendas, melhoria nas relações de consumo, diversificação de produtos e serviços, atuação em novos mercados e modernização nas relações de trabalho. A questão é: tudo isso passa por um jurídico viabilizador, que entende a complexidade de contratos e a gestão consistente de indicadores.

A Magazine Luiza entendeu essa lógica e, além de digitalizar sua cultura, passou a prestar atenção na digitalização de seu jurídico. Para isso, contratou uma lawtech: Legal Insights. Falaremos bastante da união entre startups do mundo jurídico e das grandes empresas no Lawtech Conference, evento que estamos promovendo sobre as startups que podem mudar o mundo jurídico.

A união deixa clara a importância do Corporate Venture para o ecossistema. Por um lado, a Magazine oferece conhecimento, experiência e resultados; e por outro, a startup traz agilidade, tecnologia, especialidade e métodos de experimentação.

“A Legal Insights é uma plataforma de inteligência jurídica. Ajudamos grandes empresas a reduzirem o custo com processos de contencioso. A plataforma coleta uma série de informações, passa por um modelo analítico e ajuda os gestores a responderem algumas dúvidas, como qual é o melhor escritório que ele pode usar para determinado tipo de processo e qual o valor de acordo que ele pode firmar para otimizar seus ganhos. O produto não é desenvolvido para escritórios, não é para advogados, é para o gestor jurídico que está dentro das empresas. Focamos bastante na redução de custos”, comenta o fundador Marcos Speca.

A lawtech ajudou a Magazine Luiza coletando informações externas e internas e aplicando um modelo analítico jurídico capaz de gerar insights e informações relevantes, que apoiam o gestor jurídico na tomada de decisão estratégica.

Tudo isso com uma equipe de data science aplicada a resultados práticos. Resultado: talvez essa seja a palavra mais enfatizada por Speca. Só com isso é possível se tornar um case de sucesso, o que na opinião do fundador, é o que o mundo jurídico mais precisa.

“Temos que mostrar casos de sucesso. Uma coisa que percebi trabalhando com esse mundo jurídico é que o pessoal valoriza muito o benchmark. Cases ajudam a fomentar bastante o ecossistema. Matérias e eventos ajudam a mostrar que existem tecnologias e startups que estão trabalhando para resolver problemas que todo mundo tem. Esses sim: não é questão de tecnologia ou falta de informação. Todos os players do setor sabem de seus problemas. O que precisamos fazer é a ponte entre a necessidade e a oportunidade – que é cada vez mais real. É realmente importante falar de cases – e para isso, precisamos de veículos como o StartSe e associações como a AB2L”, continua.

Questionado então sobre o que faz da Legal Insights um case de sucesso, Marcos volta ao tema resultados e é direto: “Não adianta ter Inteligência Artificial, Big Data ou Machine Learning, se eu não consigo entregar resultados reais aos meus clientes. Somos 200% orientados a resultados. Antes de começar um piloto com um cliente, eu defino quais são os critérios de sucesso, qual é o resultado que a gente está esperando, para executar esse piloto. Isso foi o que deu tão certo com a Magazine, na minha opinião”.

A Legal Insights irá comemorar um ano de vida agora em outubro. Além dessa parceria, a startup já está se aproximando da Stone Pagamentos e da Centauro. Passando pelo processo de aceleração da Startup Farm, a ideia agora é ir atrás de mais clientes para sua base. O que vai acontecer naturalmente, se todo o mercado jurídico brasileiro se atentar ao que a Magazine Luiza se atentou: digitalização.

“O departamento jurídico corporativo está passando por uma transformação digital. O meu posicionamento é muito mais para o lado do gestor, do que para o lado do advogado. Vi isso acontecer com o gestor de TI há 10 anos, que utilizava tecnologias novas da época para sair do outlook e das coisas burocráticas, para se tornar um parceiro de negócios das empresas. O cara deixou de ser Gerente de TI e se transformou em um CIO. Vejo isso acontecendo agora com o gestor jurídico. Ele está começando a entender e apoiar o negócio. Para isso, a tecnologia é imprescindível. A melhor maneira que eu vejo do uso dela é estar em contato com o mundo das startups. Em minhas passagens por multinacionais, aprendi a crer que inovação vem de fora para dentro. É muito difícil a empresa construir tudo que ela quer de dentro. Ela tem que fazer parcerias com startups”, declara.

Por fim, pegamos o gancho desse papo e perguntamos sobre as tecnologias que irão invadir o setor. A aposta de Marcos: “Tem muito problema a ser resolvido no setor jurídico. A tecnologia é o meio e não o fim. O que ainda não é muito explorado nesse mundo é Inteligência Artificial, o conceito, e a parte de analytics e Big Data. O gestor jurídico e o advogado ainda são pouco orientados a dados. Eles ainda usam poucos os dados para a tomada de decisão. Não acredito que elas irão substituir os advogados. Acredito que vai substituir a parte operacional que o advogado tem que fazer, como coleta de informação, montagem de documento. O advogado que tiver mais facilidade de entender esse mundo vai estar na frente”.

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