Para CEO do Nubank, quanto mais concorrência, melhor!

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Por Isabela Borrelli

27 de julho de 2017 às 17:31 - Atualizado há 3 anos

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Não é novidade que o Nubank é uma das fintechs mais promissoras do país, inclusive cotada para ser o primeiro unicórnio brasileiro – o que ocorre quando uma startup passa a valer mais que US$ 1 bilhão. Com um crescimento de mais de 600% na receita no ano passado, a empresa fechou 2016 com uma rodada de investimentos de US$ 80 milhões e está longe de desacelerar.

Junto com o sucesso, cresce também o número de competidores e a necessidade de inovar. Para entender um pouco melhor o posicionamento da fintech não só em relação aos concorrentes, como também aos desafios enfrentados até agora e às novidades que estão por vir, o StartSe conversou com David Vélez, CEO e fundador do Nubank, que estará presente na maior conferência de fintechs do Brasil.

StartSe: Como surgiu o Nubank? 

David Vélez: Em 2012, eu trabalhava para a Sequoia Capital e mudei para o Brasil para olhar oportunidades de investimentos. Morando no país, tive é claro que abrir conta em um banco, e a experiência me deixou bastante assustado. O Brasil tem os maiores juros do mundo, e ainda assim os clientes são constantemente desrespeitados. E o Nubank surgiu justamente para mudar isso: queremos acabar com a complexidade que é tão característica dos serviços bancários, trabalhando sempre de forma transparente, fácil e justa para que as pessoas realmente sintam que têm novamente o poder sobre suas finanças. 

S.: Quais foram as maiores revoluções que o Nubank causou no mercado financeiro até agora? 

D. V.: A principal inovação que realizamos no Nubank foi criar uma combinação eficiente de tecnologia, design e dados com uma experiência de usuário incrível para criar o melhor cartão de crédito do Brasil. Como contamos com um sistema de canais exclusivamente digital e não temos presença física (agências), podemos oferecer toda a eficiência e inovação do nosso modelo de negócios sem precisar cobrar nenhuma tarifa dos nossos clientes. Ao mesmo tempo, nós desenvolvemos um aplicativo móvel que dá informação e transparência para os nossos usuários, melhorando sua experiência e ainda permitindo que possamos escalar o atendimento ao consumidor. 

 S.: Com as inovações trazidas pelo Nubank, é possível perceber vários bancos tradicionais correndo atrás e procurando inovar para também disputar com vocês (exemplo: Digio, do Bradesco). Como vocês veem essa concorrência? 

D. V.: Essa mudança é bastante positiva. O mercado financeiro no Brasil estava estagnado, marcado pela predominância de poucas empresas de grande porte, e esse cenário prejudica inovação e, consequentemente, o cliente. É claro que, para os grandes bancos, inovar é um desafio bem maior. Nós, por exemplo, já nascemos digitais, enquanto eles precisam lidar com sistemas legados que entram no caminho da inovação. Mas, no fim, nossa preocupação precisa sempre ser o bem estar do cliente, que deve ter opções que fazem sentido dentro da maneira como vivemos e consumimos hoje. Mais concorrência no setor e mais alternativas para os consumidores sempre serão fatores positivos. 

S.: E as outras fintechs, como os bancos digitais (Original e Neon, por exemplo)?  Como vocês lidam com isso? 

D. V.: Acho que o modo como olhamos para outras fintechs se aplica muito ao que comentei na resposta anterior. É altamente benéfico ter concorrência, para que nossa missão de forçar o mercado a se inovar continue. Não queremos um mercado dominado apenas por poucas instituições, como já aconteceu antes, mas uma concorrência saudável na qual quem conquista o cliente é a empresa que oferece o melhor produto ou serviço. 

S.: Não só o produto do Nubank é inovador, como também é possível perceber uma inovação no atendimento ao cliente: além de rápido, também é personalizado e cool. Por que há essa dedicação para o atendimento? 

D. V.: Nosso atendimento é reflexo direto de um dos principais valores que temos no Nubank:  trabalhamos para que os clientes nos amem como fanáticos. Como falei, as pessoas estavam cansadas de se sentirem enganadas ou confusas quando o assunto é dinheiro. Elas querem ter controle sobre suas finanças, e um atendimento que realmente resolve problemas. Por isso, é muito importante investirmos em pessoas qualificadas que vão entender as dificuldades dos clientes e oferecer soluções viáveis. Também é essencial que esse atendimento seja humano, afinal, apesar de termos um negócio que nasceu com foco em tecnologia e tem uma base digital, é preciso lembrar estamos lidando com pessoas. 

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S.: Quais foram os principais desafios enfrentados pelo Nubank até agora? 

D. V.: Nosso rápido crescimento nos trouxe um dos maiores desafios: o de contratar novos funcionários. Em um ano, nossa equipe saltou de 30 para 300 pessoas, e hoje somos mais de 470 Nubankers. Estamos crescendo rápido, mas buscamos os melhores profissionais não só do Brasil, mas do mundo – e isso faz com que as contratações sejam bastante desafiadoras. Talvez o que mais tem nos ajudado é a boa reputação que conquistamos no mercado: somos atualmente a empresa mais bem avaliada pelos seus funcionários de acordo com o Love Mondays, e com isso vemos candidatos cada vez mais alinhados com o que buscamos em um Nubanker. Criamos também uma série de vídeos que explora os diferentes perfis das pessoas que trabalham aqui no Nubank, o que ajuda a incentivar o interesse e refinar os candidatos que querem trabalhar conosco. 

S.: Em abril foi divulgado que, em 2016, a empresa teve um prejuízo de R$ 122 milhões e um crescimento de 644% na receita. Em um comunicado, foi afirmado que o prejuízo já era esperado, uma vez que o momento é de crescimento acelerado. Há uma projeção de quando o Nubank vai atingir o breakeven? Essa é uma meta no momento ou não? 

D. V.: Se nesse momento decidíssemos parar de crescer, já teríamos chegado ao break-even – mas a oportunidade de crescer nesse mercado é muito grande e, para nós, não faria sentido fazer isso. Crescemos oito vezes no ano passado, e nossa base de usuários quadruplicou. O foco é continuar crescendo e trabalhar cada vez mais para desenvolver soluções que terão um impacto positivo na vida dos nossos clientes e na maneira como eles lidam com suas finanças. 

S.: Quais são os próximos passos do Nubank? Além do programa de recompensas há novidades a caminho? 

D. V.: Iniciamos nossa operação há quase três anos e já promovemos grandes mudanças no mercado brasileiro, mas ainda há muito a fazer. O Nubank Rewards, nosso programa de fidelidade, está em fases finais de testes, e além dele estamos sempre em busca de novas maneiras de revolucionar a forma como as pessoas se relacionam hoje com suas finanças. 

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