Yellow cria área de atuação e cobra R$ 30 reais para quem estacionar fora

O serviço da bikes compartilhadas se concentrará em áreas nobres da cidade; startup pretende delimitar área para o “sistema sem estação funcionar bem”

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

27 de setembro de 2018 às 18:51 - Atualizado há 1 ano

Há dois meses, a Yellow começou a operar em São Paulo. O principal diferencial da startup era o compartilhamento de bicicletas dockless – ou seja, sem estações para estacioná-las. Os usuários poderiam deixá-las em qualquer local que fosse propício para isso… até agora.

A startup, que havia começado a atuar com apenas 500 bicicletas em seu projeto piloto, possuía 2 mil bicicletas em circulação em setembro, quando teve o último dado divulgado. Agora, as bicicletas poderão ser estacionadas apenas dentro de uma área de atuação pré-definida e reduzida, se compararmos com o alcance que a Yellow possuía.

A área de atuação compreende áreas nobres como Jardins, Pinheiros, Vila Madalena, Vila Olímpia, Moema e Itaim Bibi, e deixa de fora bairros periféricos como Cidade Dutra, Capão Redondo e Grajaú – a startup havia chegado nesses bairros no dia 3 de setembro, segundo a Folha.

Eduardo Musa, CEO da startup, afirmou ao veículo que a medida não impedirá que moradores da periferia deixem de usar o serviço, porque eles são empregados no centro expandido. “Não é a pessoa que deixou de usar carro blindado que está usando a Yellow”, disse ao jornal.

Os usuários que estacionarem as bicicletas amarelas fora da área de atuação expressa acima terão que pagar a taxa de R$ 30. O valor começará a ser cobrado a partir do dia 1º de outubro, na próxima segunda-feira. A startup oferece a opção de estorno para quem colocou crédito no aplicativo e agora está fora da área de atuação. Segundo a empresa, esse sistema “é adotado por todas as empresas de compartilhamento de bicicletas sem estação do mundo” e o dinheiro será investido principalmente na coordenação da equipe de logística.

A Yellow justificou, através de seu site, que a medida foi necessária para o “sistema sem estação funcionar bem”. “É necessária uma grande quantidade de bikes, em boas condições, em uma região. A área de atuação Yellow foi delimitada para conseguirmos garantir manutenção constante e suporte do nosso time de rua, mantendo as Yellow disponíveis em locais com alta demanda”, diz o site. Hoje, a startup conta com um time de cerca de 70 guardiões, que garantem a integridade das bikes noite e dia.

Função essa muito necessária – desde que o serviço foi lançado, relatos de vandalismo, roubo e até venda das bicicletas furtadas foram registrados. Fotos das bicicletas depredadas circularam pela internet, mas a startup afirmou que esse efeito já estava previsto e “não preocupa as operações da empresa”.

A Yellow também ressaltou que, para evitar casos como esses, as bicicletas foram desenvolvidas com peças exclusivas, que não se adaptam a outros modelos, e são rastreadas através de GPS – “O que já evitou episódios indesejados e ainda levou à recuperação de bicicletas e à apreensão de pessoas envolvidas nesses casos”, afirma.

Medida não será para sempre – a expansão virá em 2019

Mas, apesar de impactante, a medida adotada não será para sempre. A Yellow afirma, através de seu site, que terá várias bikes distribuídas em outras regiões da cidade “para sempre ter uma pertinho de você”.

Após receber um investimento de US$ 63 milhões, a expectativa da startup é de ter 20 mil bicicletas e patinetes elétricos nas ruas até o fim do ano e 50 mil bicicletas em São Paulo até 2019. O investimento será utilizado para expandir a operação da Yellow em outros lugares do país e do mundo, como México, Colômbia, Chile e Argentina.