Tendência universal: no futuro, o carro não será mais um produto

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Por Isabella Câmara

17 de julho de 2018 às 19:00 - Atualizado há 2 anos

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A indústria automotiva, como um todo, está passando por uma transformação muito significativa. A única certeza é de que, nos próximos anos, a relação de posse dos consumidores com os veículos irá mudar. No futuro, de acordo com Renato Franklin, CEO da Movida, o carro será visto apenas um serviço, não mais como um produto ou um bem. “O brasileiro gosta muito de carro, mas isso não quer dizer que ele gosta de comprar um. O custo de ter um carro, que vai ser usado apenas no fim de semana,  é muito alto. Mas quando ele descobre que pode pagar um preço acessível somente quando precisa usar, a mudança acontece. O carro como um serviço é uma tendência universal, mas a grande discussão agora é como prestar esse tipo de serviço e quem será o prestador”, diz.

Nesse contexto, a Movida pretende usar o seu DNA de prestadora de serviço para aprimorar a sua oferta e atrair novos clientes. “Entendemos que temos um diferencial, mas precisaremos ter bastante agilidade para acompanhar as tendências de tecnológicas”, revela Franklin. Segundo o CEO, mesmo que as montadoras entrem para o mercado de prestação de serviço, as locadoras de carro possuem um fator muito difícil de ser atingido por elas: diversidade. “Às vezes a montadora quer lançar um serviço de aluguel de carro – o aplicativo pode ser muito bom, mas só aluga veículos de uma marca. O cliente não quer alugar só uma marca, ele quer poder variar e vai baixar o aplicativo que atender ele com mais diversidade”.

Serviços de transporte e bicicleta elétrica transformam o mercado

Na avaliação do CEO, os serviços de transporte e os novos modais possuem um papel importante na evolução e transformação da matriz de mobilidade. Segundo ele, as pessoas estão começando a perceber que não faz mais sentido utilizar o carro para fazer deslocamentos curtos, por exemplo. “Usando um aplicativo de transporte, o cliente consegue se deslocar de uma forma muito mais racional do que tivesse um carro próprio. Já do lado do motorista, a conta é muito mais sustentável quando ele aluga um carro ao invés de comprar porque ele não precisa se preocupar com nada”, diz Franklin.

Além dos novos serviços de transporte disponíveis no mercado, outro fator impulsionará a penetração do mercado de aluguel de carros no Brasil: a chegada das bicicletas elétricas. Muitas vezes, de acordo com Franklin, as pessoas fazem um trajeto curto utilizando o carro por falta de opção. Mas com a chegada das bicicletas elétricas, os indivíduos terão mais liberdade de escolher a melhor modalidade para o seu tipo de trajeto ou até mesmo combinar o uso do carro com opções mais sustentáveis e saudáveis. 

Com o aumento do uso de bicicletas elétricas e serviços de transporte, segundo o CEO da Movida, mais pessoas deixarão de ter um carro e começarão a alugá-los. “E é isso que a Movida quer. Nós não queremos que as pessoas aluguem carros sempre. Nós queremos que as pessoas aluguem veículos quando faz sentido e quando ela realmente precisará dele. Tirando carros da rua, o trânsito flui melhor e realmente criamos um mercado sustentável – não um mercado que se aproveita de buracos para inserir modais que não são o mais eficiente para determinado uso”.

As particularidades do ecossistema brasileiro

Esse mercado ainda não está bem desenvolto no Brasil, mas a matriz de mobilidade está começando a se transformar. “Estamos um pouco atrasados, principalmente no uso das tecnologias. Mas isso não acontece em relação ao conhecimento ou possibilidade de uso”, diz  Renato Franklin. Segundo ele, o grande problema do país é a complexidade cultural, que acaba atrapalhando a vida dos negócios. “Com um carro compartilhado, por exemplo, enfrentamos particularidades que não existem lá fora. Mais do que barreira tecnológica, temos uma barreira de custo e de fortalecimento do processo pensando nos desvios que existem quando você coloca um uso compartilhado em uma sociedade como a brasileira”.

Além da barreira cultural, o Brasil conta com uma forte barreira de infraestrutura mas que, segundo o CEO da Movida, se resolveria com investimento e desburocratização do processo. Mesmo com a crise, Renato Franklin acredita que investimento não é um problema no Brasil. “O potencial da indústria de mobilidade de gerar receita e retorno, levando em consideração o carro como serviço, é muito grande. Isso justifica qualquer investimento”. Para ele, basta um bom projeto e um planejamento adequado a realidade, com receita e retorno claros, para conquistar o investimento necessário.

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