O governo não está sintonizado com a mobilidade urbana, diz diretor da Pointer

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Por Isabella Câmara

15 de agosto de 2018 às 08:21 - Atualizado há 2 anos

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Ir e voltar da casa para o trabalho se tornou um problema na vida dos brasileiros nos últimos anos, prejudicando a qualidade de vida de quem mora em grandes cidades. O carro, segundo diversos especialistas, é o principal vilão da mobilidade urbana – atualmente, no Brasil, há cerca de um automóvel para cada 4,8 habitantes, número elevado considerando o índice populacional das capitais brasileiras e a horizontalidade delas.

Além disso, de acordo com o Numbeo, um site especializado na comparação de dados entre metrópoles de diferentes nacionalidades, os brasileiros estão entre os que perdem mais tempo no trânsito. No ranking, que analisou mais de 160 metrópoles, há cerca de 7 capitais brasileiras entre as cidades com o trânsito mais lento do mundo. Segundo a análise, por dia, os moradores gastam quase duas horas – uma para ir e outra para voltar – presos em congestionamentos.

Segundo Marcos Valillo, responsável pela Diretoria de Parcerias e Projetos da Pointer Cielo do Brasil desde 2014, grande parte disso se deve aos órgãos públicos. Apesar da situação brasileira ter melhorado nos últimos três anos, diz ele, o governo ainda não está bem sintonizado com o movimento de mobilidade urbana. “Se estivesse, já teríamos ações no âmbito municipal, estadual e nacional. Mas hoje, ações desse tipo só acontecem no nível municipal. A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, começou a fazer um trabalho bem interessantes ao investir em mobilidade urbana, mas é um trabalho limitado e não tem tanta força quando o governo federal”, conta.  

Quando questionado sobre o setor privado no Brasil, principalmente em comparação a outros países, Valillo garante que as empresas estão fazendo trabalhos interessantes. Para reverter o cenário de mobilidade no Brasil, o especialista acredita que primeiro é necessário sensibilizar os órgãos públicos de que o transporte, a mobilidade urbana e a emissão de gases, são responsabilidade que cabem ao próprio governo. “Mas muitos deles hoje não enxergam isso. Se o município, o estado e o país, não se mobilizarem para aderir a esse novo modelo de mobilidade urbana e se isso não for um projeto de lei, não vamos conseguir ver grande mudanças nos próximos anos”, diz.

Mobilidade e segurança

Antigamente, de acordo com Valillo, se falava muito em gestão de frotas e telemetria, mas hoje as empresas estão buscando cada vez mais soluções que deem feedback em tempo real ao colaborador e a tendência de segurança tornou intrínseca. “Com essa tendência, que já vem de uns dois ou três anos atrás, a Pointer desenvolveu um modo safety em Israel e, automaticamente, a solução chegou no Brasil”. De acordo com ele, soluções desse tipo, com feedback em tempo real, são muito mais efetivas do que treinamentos.

O Driver Feedback Device (DFD), que depende da instalação de um dispositivo no painel do veículo atrelado ao rastreador e a telemetria, dá feedbacks aos motoristas a respeito de curvas bruscas ou excesso de velocidade, por exemplo. “Ele vai dando coaching para o colaborador em tempo real, ajudando os colaboradores a evitar um acidente. e a atingindo o condutor de uma forma mais responsável”, explica. Mas caso o acidente não possa ser evitado, a solução está preparada para identificar o acidente e mostrar em um painel onde foi a colisão, 15 segundos antes e 15 segundos depois do ocorrido. “A solução analisa se o veículo estava parado, quem era o condutor, qual era a velocidade. Basicamente, ela reconstrói acidentes”, destaca. 

Além disso, a Pointer possui uma solução que torna a empresa capaz de monitorar controlar o modo como motoristas dirigem. “Se um caminhoneiro estiver em alta velocidade, a empresa pode puni-lo e utilizar o modo Salvador para que o caminhoneiro não ultrapasse 80 km por hora no pedal. Ou seja, a empresa consegue parametrizar o condutor da forma que ela gostaria que ele dirigisse”, explica.

Do Brasil para Antártida

Além de monitoramento e rastreio de frotas, a Pointer Cielo deu mais um passo no conceito de mobilidade. Recentemente, a empresa rastreou o Igor Crivellari, CPO da Easy Carros, em uma viagem que o executivo fez do Brasil para a Antártida em um barco de 52 pés. “Nós o rastreamos desde a saída da casa dele até sua chegada na Antártida, e nós fizemos um vídeo desse rastreamento, que mostra o quanto a Pointer ajudará o ser humano a transcender barreiras de mobilidade”, explica. De acordo com ele, a Pointer foi a primeira empresa que rastreou a pessoa até chegar ao destino do barco, utilizando um rastreador via satélite.

Para ele, esse é o maior conceito de mobilidade que a empresa já vivenciou. “Pensamos muito em mobilidade urbana, mas a tecnologia auxiliou com que a família do Igor acompanhasse em tempo real o seu deslocamento”, diz. Segundo o especialista, é isso que representa a mobilidade do ser humano – poder ir a qualquer lugar, com segurança, e com a possibilidade de pessoas monitorem seu dia a dia.

Carros autônomos

A disrupção atinge a todos as empresas, independe do tamanho. Com a Pointer Cielo, uma multinacional israelense presente em mais de 60 países, isso não é diferente. A empresa, que busca sempre levar inovação para outras empresas baseada em soluções que reduzem custos, otimizem processos e dêem segurança ao colaborador, está sempre de olho no ecossistema de mobilidade e procura, a todo momento, se encaixar nas novas tendências.

Quando questionado sobre a relação da empresa com carros autônomos, o responsável pela Diretoria de Parcerias e Projetos da Pointer garantiu que a companhia já tem um projeto-piloto na África do Sul e em Israel, que se encaixaria com a tendência dos carros autônomos. “Temos uma tecnologia que permite o cálculo da distância entre o veículo e um objeto. Com o equipamento, uma espécie de câmera, você consegue enxergar uma visão periférica do veículo e um sensor que avisa quando algo se aproxima”, explica.

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