“É ingênuo achar que patinetes resolverão a mobilidade”, diz CEO da TruckPad

Carlos Mira defendeu que a mobilidade mudará quando existir integração entre o poder público, cidadãos e empresas, não com novos modais

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

27 de agosto de 2018 às 15:17 - Atualizado há 1 ano

Nesta sexta-feira (24) aconteceu o Mobility Day, evento da StartSe que reuniu as maiores inovações e especialistas em mobilidade. Carlos Mira, CEO e co-fundador da TruckPad – aplicativo que conecta caminhoneiros com cargas -, discutiu em um painel as principais mudanças no setor, desde a utilização dos carros autônomos, patinetes e como o setor está se transformando.

A utilização de aplicativos de mobilidade estão gerando dados importantíssimos sobre o trânsito nas cidades. Hoje, o Google Maps e o Waze, além de orientar rotas, estão auxiliando usuários a desviar de vias com trânsito e informando quais são as áreas e horários mais propícios para tal. Para Mira, a mobilidade melhorará ainda mais com a integração desses dados e players como o Google com as cidades e órgãos do governo.

“Não existe uma colaboração entre os usuários, empresas e o poder público, quem de fato determina as ordens e leis”, comentou. “Quando falamos sobre futuro, não são apenas os empreendedores que devem estar ali, mas os cidadãos e o poder público – hoje, não há uma sintonia entre os três atores principais da mobilidade”.

Para Mira, um bom exemplo a ser seguido é em Palo Alto, na Califórnia – uma das cidades que compõem o Vale do Silício. “Ao entrar no site da cidade, estão disponíveis APIs para consultar Palo Alto e toda a infraestrutura da cidade. Você sabe onde está a rede elétrica e de esgoto, você é convidado a melhorar os setores, inclusive a mobilidade”, afirmou. O mesmo ainda não acontece de forma considerável no Brasil, mas será cada vez mais necessária no futuro, quando os carros autônomos deixarem de ser uma hipótese e se tornarem realidade.

Os carros autônomos avaliam a sinalização das vias para se locomoverem e, por isso, requerem que as ruas estejam bem sinalizadas. “Os veículos autônomos não funcionariam 90% do tempo aqui porque as pistas não estão sinalizadas verticalmente ou horizontalmente”, afirmou Carlos Mira.

Para o CEO da TruckPad, é a integração com a municipalidade que auxiliará no futuro da mobilidade, não apenas a criação de novos modais. A integração auxiliará na resolução do trânsito para todos os veículos – inclusive para os caminhões.

“É ingênuo achar que patinetes vão resolver o problema da mobilidade. Quando falamos sobre movimentação na cidade, lembramos dos patinetes, bicicletas elétricas, mas a mobilidade só é completa quando transportamos produtos ou coisas”, comentou. Para ele, a integração de dados de trânsito das empresas com a municipalidade é mandatória para o transporte nas cidades independente dos modais utilizados.

“No exterior, um dos principais objetivos dos patinetes elétricos e bicicletas é o ‘last mile’, auxiliando no caminho até o transporte público. Já as bikes e scooters estão com um objetivo diferente no Brasil. Lá funciona muito bem porque o transporte público também funciona”, comentou.

Para exemplificar a falta de dados das cidades brasileiras sobre o próprio público e seus costumes, Carlos Mira trouxe o exemplo das pesquisas realizadas pelo metrô. “Hoje, se o metrô quer fazer uma pesquisa de ‘de / para’, para saber até onde eu vou, um entrevistador vai até a sua casa. Isso é coisa do século passado”, finalizou.