Loft, O2O, Cannabis e aprendizados com o Vale do Silício – ReStartSe 02/04

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

3 de abril de 2020 às 20:39 - Atualizado há 2 meses

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No meio da pandemia devido ao novo coronavírus, a StartSe criou o #MovimentoReStartSe, um programa de capacitação 100% gratuito e online para auxiliar empresas e profissionais a lidarem e saírem melhores dessa crise. Quatro aulas ao vivo são ministradas por especialistas do Brasil, Vale do Silício ou China em nossas redes sociais diariamente, às 11h, 13h, 15h e 19h.

Os assuntos discutidos nesta quinta-feira (2) são: como a Loft está lidando com crise do coronavírus; o mercado de cannabis; como engajar no online para vender offline e o que aprender com o Vale do Silício. Confira o resumo do dia:

Florian Hagenbuch e Junior Borneli: gestão de startups em tempos de crise

A Loft, startup de compra, venda e reforma de imóveis (e o mais novo unicórnio brasileiro), criou uma força-tarefa para lidar com a crise do novo coronavírus. A primeira dica é, de acordo com Florian Hagenbuch, fundador da startup, é: comunicar. “A comunicação muito aberta e transparente com todo mundo é super importante. Em primeiro lugar vem as nossas pessoas, garantir que os funcionários estão bem, saudáveis, saber quem está com suspeita ou não, quem possui todas as ferramentas para operar no home office e auxiliar quem não tiver. O mesmo acontece com parceiros e clientes: é melhor comunicar mais do que menos”, disse.

Para agilizar a comunicação, a companhia criou um guia de ferramentas de trabalho home office. E mesmo de longe garante que todos estão atualizados com as notícias do Brasil e do mundo sobre o tema através do War Zoom, documento que é atualizado diariamente.

A segunda dica é: crie um comitê de crise. O da Loft busca enfrentar a situação inspirada no Apollo 13. A companhia realiza as próprias análises, com base em dados, de como acredita que o coronavírus irá evoluir no país. O comitê também foi responsável pela decisão de não interromper as obras, algo que não entrou na quarentena imposta pelo governo de SP. Ao mesmo tempo, a empresa certificou que todos os trabalhadores estejam munidos de máscaras, luvas e álcool em gel. E, para contribuir com a sociedade neste momento, a Loft se uniu com a Wildlife e lançou uma captação de fundos para compra de máscaras para profissionais de saúde. As startups, junto a outras empresas de tecnologia, já garantiram 1,5 milhão de máscaras.

Maurício Benvenutti: como engajar no online e vender no físico

Maurício Benvenutti, sócio da StartSe, explicou como utilizou métodos online para engajar na compra de um produto físico (O2O). Ele citou o exemplo de seu livro “Incansáveis”. A iniciativa pode ser aplicada de forma semelhante em outros mercados.

No caso do livro, o mercado editorial funciona com pré-vendas, tempo em que o livro está disponível para compra, mas que será enviado apenas após o lançamento. Ele ofereceu um desconto de 50% para quem comprava neste período. Depois do produto recebido, passou a vigorar a promoção de uma viagem para o Vale do Silício. Os leitores deviam tirar fotos criativas com a capa do livro e publicar nas redes sociais.

A iniciativa gerou um marketing espontâneo com custo de praticamente zero em comparação ao retorno gerado. Antes, apenas o nicho específico do livro o conhecia, mas com o engajamento das pessoas, a obra se tornou conhecida por outros clientes. A votação que decidiu a viagem foi ao vivo pelo Facebook e 50 mil pessoas participaram. No mesmo período, o livro que já havia atingido os mais vendidos anteriormente, se tornou o número um. “Hoje, a sociedade de consumo está concentrada nos nichos. A estratégia mais inteligente é criar um produto para um público específico, trabalhar para que ele se apaixone e que o leve para as massas”, comentou.

Viviane Sedola e Felipe Lamounier: Cannabis – indústrias e tendências

Apesar do grande estigma que ainda persiste, a cannabis é uma planta que pode atuar em diversos mercados. É possível utilizá-las na fabricação de tecidos, se alimentar das sementes de cânhamo, criar bebidas (com efeitos psicoativos ou não), concreto, biocombustível e ou usá-la em tratamentos de doenças.

No Brasil, é possível que os pacientes importem produtos à base de cannabis para tratar condições como esclerose múltipla, epilepsia, autismo, entre outros. A partir de março, já se tornou possível comprar remédios derivados da planta em farmácias do país. Para o futuro, a expectativa de Viviane Sedola, fundadora da Dr. Cannabis, é que o potencial econômico do cânhamo (variedade da cannabis) fique mais evidente e que, em torno de 2024, o mercado brasileiro se abra completamente aos produtos com essa origem.

Mesmo sem uma grande regulamentação, Sedola cita que o impacto do cânhamo no mercado brasileiro pode chegar a R$ 12,7 bilhões por ano. Marcas globais como Heineken, Corona, Ben and Jerry’s e outras já estão apostando em produtos com CBD (que possui propriedades ansiolíticas, anti-inflamatórias, anticonvulsionantes, entre outras) e THC (psicoativo que é usado no consumo recreativo) em outros países. A Heineken, por exemplo, adquiriu a Lagunitas, empresa de cerveja com THC, já para começar a atuar também neste mercado, que tende a rivalizar com o das cervejas tradicionais.

Delair Bolis e Pedro Englert: Quais lições podemos aprender com o Vale do Silício?

Para Delair Bolis, presidente da MSD, este é o momento de aprender com grandes ecossistemas inovadores, como o Vale do Silício. O primeiro passo é entender que, seja em tempos de crise ou não, a inovação não acontecerá sozinha – é necessário ir atrás.

Para torná-la uma realidade, é preciso conectar-se com empresas e profissionais exponenciais. “Você não inova em uma organização sem começar pelas pessoas. E além de pessoas treinadas, é necessário ter funcionários engajados”, afirmou. Para a conexão, não é a toa que foi no Vale do Silício que começaram a surgir meetups, hackathons e eventos profissionais semelhantes.

É importante, ainda, lidar com a concorrência. Embora no Vale do Silício exista uma concorrência maior devido ao grande número de empresas inovadoras, elas concorrem pelo consumidor. Não há uma rivalidade ao criar uma empresa ou uma solução – pelo contrário, frequentemente há uma colaboração entre as companhias com o objetivo de, no final, oferecer mais valor ao cliente.