Inspirada por Apollo 13 e crise do Apagão, Loft monta força-tarefa contra coronavírus

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

25 de março de 2020 às 19:48 - Atualizado há 6 meses

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Desde que as contaminações pelo novo coronavírus (COVID-19) começaram a escalar no Brasil, as startups, PMEs e grandes corporações têm se posicionado e tomado decisões para enfrentar a crise. Com a Loft, o mais novo unicórnio brasileiro e startup de compra, venda e reforma de imóveis, não foi diferente.

A startup tem se destacado ao criar um plano de ação e acompanhar, de perto, a situação no Brasil e no mundo. Desde o dia 12 de março, há quase 15 dias, a companhia tem recomendado o home office aos funcionários. A partir do dia 16 de março, a regra se tornou trabalhar de casa — salvo exceções.

O seu plano de ação envolve informar todos os funcionários sobre possíveis sintomas do COVID-19, prestar orientações de como buscar auxílio médico e auxiliar corretores e trabalhadores das obras a continuar trabalhando, mas com segurança, nos casos que não podem ser adiados. A companhia possui um documento em que atualiza as informações a cada 24 horas.

Mas, nesta quarta-feira (25), a Loft foi além — ela passou também a compartilhar seus estudos e previsões dos possíveis impactos na economia. A companhia utiliza os aprendizados em crises passadas — como o Apollo 13 e a crise do Apagão — para se preparar para o futuro.

As previsões da startup

Florian Hagenbuch, cofundador da startup, compartilhou o documento nesta quarta-feira (25), que pode ser lido aqui. Com base em dados da contaminação na China e na Itália, países mais afetados pelo COVID-19, a companhia vê o pico de casos no Brasil entre 10 a 15 de abril e normalização em junho. No gráfico a seguir, a empresa compara suas previsões com a do JP Morgan — incluindo os cenários mais otimistas e pessimistas. Na visão mais pessimista, a companhia espera 30 mil casos infectados no período de maior pico. Na otimista, 7 mil.

A companhia cita dados favoráveis do BCG (Boston Consulting Group): a população no Brasil é mais jovem do que na Itália e na China, diminuindo o grupo de risco. Além disso, a expectativa é que tenhamos mais leitos à disposição — embora haja uma discrepância de oferta de acordo com cada região. Ainda em comparação aos dois países, o Brasil lida com uma dificuldade inédita: um alto índice de pessoas com diabetes.

Aprendendo com experiências anteriores

A Loft compara essa crise com outras duas — a Apollo 13 e o Apagão de 2001. A Apollo 13 foi a terceira missão tripulada à Lua, lançada em 1970. Os astronautas nunca chegaram ao seu destino porque tanques de oxigênio explodiram no meio do trajeto — algo vital para a sobrevivência dos humanos e para a geração de energia necessária. Com um trabalho em equipe entre os astronautas e um time de Houston e muitas mudanças de paradigmas, eles tiveram sucesso em retornar à Terra. O acontecido ficou para a história e virou filme.

Já o “Apagão de 2001” foi um fato acontecido no Brasil, em que o país enfrentou uma crise energética. Na época, a maior parte da geração de energia vinha das hidrelétricas, que sofreram baixas com as poucas chuvas, prejudicando a produção. Uma das maiores soluções foi trocar as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes — que as substituíram para sempre —, auxiliando a diminuir o consumo. Mas, até lá, os cidadãos sofreram com diversos apagões.

“As coisas não voltarão a ser como eram tão rapidamente. Mudanças estruturais vão acontecer”, descreve a Loft em seu base case. Uma das possíveis mudanças é uma maior confiança no home office, já que empresas se viram forçadas a adotar o modelo. Outro possível aprendizado é a adoção do aprendizado online, visto que muitas faculdades, escolas e empresas (a exemplo do próprio Re.StartSe, iniciativa 100% online e gratuita da StartSe) estão adotando este modelo.

A companhia estima que as startups e PMEs serão alguns dos agentes mais afetados pela crise, mas que demissões generalizadas devem afetar todos os setores da economia. Hoje, a companhia trabalha com a expectativa de que o isolamento permanecerá até o fim de abril — e aposta na própria resiliência e capacidade de adaptação para superar esses obstáculos. “Não podemos postergar nada, e sim fazer acontecer com as condições que temos hoje. Estamos acostumados (e nos sentimos em casa) com alto desafio e complexidade”, descreve o documento.