Startup levanta US$ 110 milhões para tornar edição de DNA tão acessível quanto vacinas

O objetivo principal do CEO da Synthego é democratizar o acesso a tecnologias genéticas que irão reformular o mundo

Avatar

Por Isabela Borrelli

23 de outubro de 2018 às 11:59 - Atualizado há 1 ano

Paul Dabrowski, CEO da startup Synthego, que fornece células modificadas geneticamente para cientistas e pesquisadores, se preocupa sobre o futuro. Ele acredita que o acesso a tecnologias genéticas, àquelas que irão reformular o mundo, só estarão disponíveis para os poucos que puderem pagar. Por isso, o objetivo principal do CEO é democratizar o acesso a essas novas tecnologias.

“Pessoas conversam sobre o acesso a ferramentas, mas a questão é o acesso a tratamentos”, diz Dabrowski. “Nós estamos falando não do que significa ser um humano agora, mas nos próximos 100 anos”.

A boa notícia é que a empresa acaba de ter um aporte de US$ 110 milhões de investidores do Founders Fund e de antigos investidores, como o 8VC e Menlo Ventures. “Esse investimento permite expandir nosso alcance e construir novas capacidades na plataforma da empresa”, afirmou Dabrowski em um comunicado. “A medicina biológica está no ápice de uma revolução com os próximos tratamentos genéticos e de cura celular, e nós estamos orgulhosos de apoiar essa indústria”.

Ao mesmo tempo em que o investimento será usado no longo prazo para aprofundar a pesquisa e o desenvolvimento da edição de DNA, no curto prazo ele será voltado para a expansão de duas áreas principais da empresa. Uma delas é a criação de kits CRISPR, que podem criar diferentes linhas genéticas baseadas em requisições de pesquisadores e cientistas, e a outra é criando materiais que são de “grau clínico”, ou seja, que poderão ser utilizados em testes em animais (e potencialmente em humanos).

No total, a startup já levantou US$ 166 milhões em fundos para desenvolver a própria tecnologia de pesquisa e desenvolvimento, fazendo com que ferramentas de edição de genes conhecidas como a CRISPR se tornem mais econômicas e rápidas para pesquisadores. A Synthego alega que ao oferecer aos pesquisadores acesso de um clique a células editadas no alvo desejado, a empresa pode reduzir o tempo necessário para realizar experimentos em meses.

As pessoas podem usar o CRISPR para duas funções básicas: a primeira é para remover um gene ou função e a segunda é adicionar uma nova função para um material genético. Ambos processos envolvem passos muito complicados: primeiro, cientistas devem identificar o gene alvo e depois devem entender qual o material genético dentro dele que querem remover. Em segundo, uma equipe de pesquisadores precisaria identificar e procurar reagentes e componentes que eles precisariam para editar o gene. Finalmente, o time deve se certificar que a edição foi um sucesso e observar os resultados quando o material genético editado ficar no cultivo.

Enquanto os primeiros produtos da Synthego foram focados simplesmente em identificar e desenhar um material genético para experimentação, os próximos supostamente terão a função de fornecer o material para observar ou experimentar. “Nossa visão é a do futuro onde tratamentos genéticos e celulares são tão acessíveis quanto vacinas, então todo mundo poderá se beneficiar das curas da próxima geração”, afirmou o CEO em um comunicado. “A Synthego vai continuar a inovar para ajudar pesquisadores a redefinirem as barreiras de medicinas transformativas”.

Fonte: TechCrunch