Garagem da Apple é um mito, diz Wozniak; veja outras histórias inventadas

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Por Juliana Américo

8 de dezembro de 2014 às 16:01 - Atualizado há 6 anos

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SÃO PAULO – Não é raro ouvir por aí histórias marcas que começaram de forma inusitada. Mas, e se alguém falasse que, na verdade, tudo não passou de uma invenção para atrair a atenção de potenciais consumidores?

Na semana passada, a revista Bloomberg Businessweek publicou uma entrevista do co-fundador da Apple, Steve Wozniak, afirmando que a tão famosa história de que a empresa foi criada em uma garagem na Califórnia não passa de um mito.

“A garagem é um mito. Nós não criávamos designs nem protótipos lá. Não havia fabricação de computadores. Era um lugar sem muito propósito, exceto por ser um local onde nos sentíamos em casa. Não tínhamos dinheiro. E você tem que trabalhar fora de casa quando não tem dinheiro”, disse Wozniak à revista.

O local, que fica em Los Altos, uma das cidades do Vale do Silício, é tido como o lugar onde Jobs e Wozniak criaram os primeiros computadores da Apple, como o Apple I, vendido em 1976, e o Apple II de 1977.

A história fez tanto sucesso que, no ano passado, a comissão de história do município elegeu o lugar como uma “fonte histórica”.

Mais histórias fake
A Apple não é a única companhia que inventa ou aumenta algumas histórias. No final de outubro, a Revista Exame publicou uma notícia alegando que as marcas Dilleto, Do Bem e Hollister também se beneficiaram de rumores sobre suas criações.

A Dilleto, por exemplo, conta que a inspiração para fabricar picolés veio do avô de Leandro Scabin – fundador da empresa –, o italiano Vittorio Scabin, um sorveteiro da região do Vêneto que usava frutas frescas e neve nas receitas. Por causa da Segunda Guerra Mundial ele veio se refugiar em São Paulo.

A história parece tão verídica que o seu retrato e a foto do carro que usava para vender sorvete aparecem nas embalagens de sorvete da Diletto e o lema “La felicità è un gelato” seria dito pelo avô para os netos.

A verdade? O tal avô veio, de fato, do Vêneto, mas se chamava Antonio e teria vindo para o País duas décadas antes da Segunda Guerra. Além disso, ele era jardineiro e nunca fabricou sorvetes. E as imagens na embalagem não passam de peças publicitárias.

Outra história que ultrapassa alguns limites é a da marca de sucos Dom Bem. Criada em 2007, a empresa diz que não utiliza açúcar, corantes ou conservantes nas suas bebidas e que as suas laranjas são colhidas na fazenda do senhor Francesco do interior de São Paulo.

A verdade é que quem fornece as laranjas para a Do Bem é a empresa a Brasil Citrus, que vende o mesmo produto para as marcas próprias de supermercados, e o seu Francesco nunca existiu.

No caso das duas marcas brasileiras, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) está investigando as duas empresas após consumidores reclamarem que as informações nas embalagens não são verdadeiras.

Outra storytelling famosa é da marca de roupa Hollister. Quando o fundador foi criar a empresa em 2000, depois de ter criado a Abercrombie & Fitch, vendeu a história de que a marca surgiu em 1922 graças ao americano John Hollister, herdeiro de um banqueiro que se formou na Universidade de Yale, mas não queria seguir essa vida e foi surfar, trabalhar em uma plantação de borracha na Indonésia para ganhar a vida e no final se casou com uma jovem local. Após gostar do trabalho dos artesãos das ilhas do sul do Pacífico, ele abriu uma galeria chamada Hollister para vender ou produtos.

Na realidade, a varejista Abercrombie & Fitch percebeu que tinha espaço para lançar uma nova marca de roupas barata e aproveitou o momento.

Posicionamento
A empreda Do Bem afirma que as suas histórias são verdadeiras e que por conta do crescimento da marca, hoje, eles contam com mais de um fornecedor de fruta para suprir a necessidade do mercado. “Mas as histórias especiais são destacadas em nossa comunicação.”

“Enfatizamos ainda, que o Conar não está questionando a qualidade de nossa  bebida, o suco de laranja integral Do Bem tem registro aprovado por órgãos governamentais e é comercializado há seis anos. O Conar está averiguando se nossas histórias e os personagens são reais, e para isso preparamos os argumentos de forma minuciosa e anexamos todos os documentos pertinentes a fim de esclarecer os fatos, uma vez que nossa comunicação é baseada na verdade”, afirma.

A empresa ainda esclarece que a Brasil Citrus é uma prestadora de serviços que apenas  processa as laranjas.