Porque devemos ter cuidado com as “fake news” sobre alimentação

Grandes nomes da indústria alimentícia podem ter muito interesse em certas pesquisas que investem

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Por FoodVentures

5 de setembro de 2018 às 16:07 - Atualizado há 1 ano

Você sabia que o primeiro estudo sobre doenças do coração foi patrocinado pela indústria açucareira para culpar a gordura e absolver o açúcar?

Em época de fake news, ou seja, notícias falsas, devemos ter cuidado com as fontes por trás das notícias e, principalmente, com o interesse que move essa divulgação.

Documentos históricos pertencentes à indústria açucareira foram descobertos recentemente por um pesquisador da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e sugerem que, pelo menos, 50 anos de pesquisas sobre nutrição, doenças do coração e dietas, foram “plantadas” pela indústria do açúcar.

Um grupo chamado de Sugar Research Foundation, conhecido hoje como Sugar Association, pagou para que três cientistas de Harvard publicassem um documento que minimizasse a ligação entre açúcar e doenças cardíacas, tornando a gordura saturada a grande vilã.

Fonte: thesait.org.za

Apesar da história antiga, podemos ver como esse tipo de situação pode acontecer até hoje: a indústria de alimentos influenciando nas pesquisas científicas sobre nutrição. Em 2015, um artigo publicado no The New York Times revelava que a gigante dos refrigerantes, Coca-Cola, pagou milhões de dólares para que pesquisadores minimizassem a ligação entre obesidade e bebidas contendo açúcar.

Também foi revelado na mídia, pelo The Associated Press, que fabricantes de doces estavam por trás de estudos que afirmavam que crianças que comem doce tendem a pesar menos que aquelas que não comem.

A solução da Coca-Cola para a crise de obesidade é se preocupar mais com exercícios físicos e menos com calorias. Tendenciosa? Uma organização chamada Global Energy Balance Network promove a ideia de que norte americanos que se preocupam com o peso, tendem a ser obcecados por quanto eles comem, e não prestam tanta atenção ao tanto que se exercitam.

Fonte: The Sugar Movement

Essa mensagem parece se esforçar em desvincilhar o consumo de refrigerantes com obesidade e diabetes tipo 2, por exemplo. Por mais que tais fake news pareçam ingênuas, para muitos consumidores que não têm tanto acesso à informação, ou até profissionais da área de alimentos que não têm muitos recursos, a ideia pode pegar.