Embrapa e entidades parceiras desenvolvem plástico vindo do caroço de manga

As pesquisas pretendem colocar esse tipo de plástico biodegradável o quanto antes no mercado

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Por FoodVentures

19 de julho de 2018 às 15:15 - Atualizado há 2 anos

Muito tem se falado sobre o banimento de canudos e a substituição do plástico por materiais biodegradáveis, mas pouco tem se falado sobre os tais materiais biodegradáveis. O que seriam? Do que são feitos? Quem anda produzindo?

Uma pesquisa muito importante nessa área está acontecendo no quintal de casa: a equipe da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), em parceria com a Embrapa Instrumentação (SP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), se reuniram para testar o caroço de manga como uma alternativa ao plástico, desenvolvendo um produto que pudesse ser aplicado à indústria.

O projeto está dividido em várias frentes de pesquisa para a utilização da casca e da amêndoa do caroço de manga e argilominerais adicionados a uma matriz de polímeros orgânicos: o PHBV — um biopolímero natural produzido por bactérias — e o PLA — outro biopolímero natural, obtido de moléculas de ácido lático. Segundo afirma a pesquisadora da Embrapa Edla Lima, líder dos estudos, o objetivo do projeto é dar uso e agregar valor a esse resíduo resultante do processamento industrial de manga para polpas e sucos, além do alto impacto ambiental que esse processamento causa.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é um dos maiores produtores de manga do mundo com uma produção de mais de um milhão de toneladas por ano. Ainda que o material do caroço não siga uma uniformidade necessária para a indústria e sua reprodutibilidade, e ainda que os biopolímeros naturais sejam bem mais caros que os polímeros do petróleo, os impactos ambientais causados pela extração de petróleo e poluição por plástico tornam as pesquisas mais que necessárias.

Fonte: Edla Lima

Os polímeros obtidos a partir de matrizes orgânicas podem ser aplicados na área de alimentos, como em embalagens, filmes de proteção de alimentos, copos e talheres, e também na bioengenharia (matrizes ósseas, fios de sutura de pele, moldes biocompatíveis). Segundo a professora e pesquisadora, Rossana Thiré, as vantagens do uso de resíduos agrícolas e matrizes orgânicas também ficam por conta do seu baixo nível de emissão de CO2, alto nível de biodegradabilidade e baixa demanda de energia na fabricação.

Outros casos que podem servir de inspiração para a indústria brasileira: uma linha de utensílios de mesa e talheres biodegradáveis que utilizam farelo de trigo e água como materiais de fabricação chamados de Biotrem, invenção do polonês Jerzy Wysocki, e uma startup na Indonésia que cria produtos derivados de algas marinhas, chamados Evoware,  substituindo as embalagens plásticas ao mesmo tempo que gera oportunidades aos cultivadores de alga das ilhas indonésias.

Enquanto aguardamos todos esses projetos receberem cada vez mais investimentos e uma real chance de inserção no mercado mainstream, gostaríamos de saber: conhece alguma startup ou centro de pesquisa voltados para embalagens biodegradáveis? Deixe nos comentários para a gente.

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