Fintech Payly quer diminuir custos de pagamento para vendedores e clientes

João Ortega

Por João Ortega

22 de janeiro de 2019 às 17:11 - Atualizado há 2 anos

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A fintech Payly quer transformar o mercado de pagamentos no Brasil. O conceito é de diminuir custos – tanto para estabelecimentos comerciais, prestadores de serviço e empresas, quanto ao cliente – numa plataforma digital, simples e prática.

A startup, fundada no ano passado, faz parte do grupo Cosan, gigante nos setores de energia e infraestrutura. Além disso, 25 % da empresa foi vendida ao Banco Topázio, liderado pelo empresário Ernesto Corrêa (ex-sócio da GetNet). Unindo a ampla rede de mercado da primeira à expertise no setor de tecnologia digital do segundo, a Payly surge como uma forte candidata a tornar-se um player importante no segmento.

O grande diferencial da startup, segundo o CEO Juliano Prado, é acabar com os intermediários que existem na maioria das transações. Sem bandeiras de cartão de crédito, aluguel de máquinas ou envolvimento de bancos, o custo de um pagamento torna-se mínimo. “Se eu diminuo 4% de taxa sobre a transação do lojista, ele pode repassar parte desse ganho em vantagens ao consumidor”, afirma o empreendedor em entrevista exclusiva à StartSe. Atualmente, a taxa cobrada pela Payly é de 0,1%, e já foi estabelecido um teto: ela nunca passará de 0,6%.

Negócio da China?

Por um lado, a Payly tem um modelo de negócio que pode se assemelhar a das empresas chinesas de pagamento Alipay e WeChat Pay. “É um modelo que, claro, nos inspirou”, explica Prado. “Mas não seremos necessariamente algo tão parecido com eles. O Alipay tem um foco muito grande no e-commerce, porque ele cresceu junto com a plataforma de e-commerce. A Payly quer estar presente no dia-a-dia, no físico e também no digital.”

A simplicidade, um dos conceitos que o CEO não abre mão, permite que qualquer pessoa se cadastre em poucos passos e possa usar o Payly em minutos depois de baixar o app. Nas próximas semanas, o mesmo processo chegará aos estabelecimentos comerciais, que poderão aceitar pagamentos pelo aplicativo com um cadastro rápido, simples e remoto.

Com isso, o fundador prevê um “boom” de estabelecimentos comerciais cadastrados, inclusive através do marketing boca-a-boca. Outro trunfo da startup é poder contar com toda a rede de postos Shell (que faz parte do grupo Cosan) para aceitar a forma de pagamento. Todos os dias, a rede recebe cerca de 17 milhões de clientes – potenciais usuários da Payly.

Desafios e previsões

Entre novembro de 2018 até janeiro deste ano, a Payly esteve em período de testes, com 1300 usuários espalhados por São Paulo (SP), Piracicaba (SP) e Porto Alegre (RS). Com sucesso na versão beta, a ideia é oferecer vantagens a consumidores e lojistas para aumentar o número de aderentes. A previsão é fechar 2019 com cerca de um milhão de usuários.

Entretanto, para um futuro mais distante, a meta é mais ousada: a Payly quer alcançar entre 20 e 30 milhões de pessoas. A empresa se tornaria, assim, um dos principais meios de pagamento do Brasil.

Para Juliano Prado, o grande desafio para o negócio está na equipe. Atualmente, são apenas doze funcionários fixos na startup. O CEO afirma que, por ser um modelo de negócio disruptivo no país, é preciso ter profissionais que acreditam no potencial da empresa: “Preciso de pessoas que trabalhem com a mesma visão que nós temos. Esse é o maior desafio. Mesmo em um mercado agressivo em que esses profissionais recebem propostas de todos os lados, eu preciso que eles acreditem no projeto e queriam escrever essa história conosco”.

Nesse sentido, Juliano, que foi engenheiro da Shell e chefe da área de operações da Raízen (empresa que nasceu da união de parte dos negócios da Cosan e a Shell), buscou criar um time multidisciplinar e experiente para liderar a startup. Encarregado da parte de operações está Fernando Matias, ex-presidente da Cabify no Brasil.  O chefe de tecnologia é Fabian Gaban, que era responsável pelas soluções digitais da Visa, e a parte de finanças fica a cargo de José Jacintho, ex-diretor de operações do Banco Topázio.