Fintechs: como elas se tornaram o pesadelo dos grandes bancos

Da Redação

Por Da Redação

20 de julho de 2016 às 16:05 - Atualizado há 4 anos

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Novas tecnologias quando surgem geralmente transformam o setor financeiro. O telégrafo, a televisão, a internet… todas elas transformaram a forma que as pessoas tratam e mexem com suas finanças.

Se em 1851 a empresa que viria a ser a Western Union revolucionou a transferência de dinheiro em longa distância por causa do telégrafo, os grandes bancos conseguiram diminuir a necessidade de pessoal com o caixa eletrônico e com o internet banking. A biometria ajudou a fazer os sistemas mais seguros… e assim vai com tantas e tantas tecnologias que vão surgindo ao longo dos anos.

Todos esses avanços desaguam neste começo de século XXI, quando uma palavra que coloca medo nos grandes bancos surgiu: Fintech, a junção de Finanças e Tecnologia. A onda de startups que estão vindo mudar as finanças através das novas tecnologias que surgiram nos últimos anos: smartphones, internet das coisas, nuvem, blockchain… as opções são muitas.

Não sem motivo, o setor é talvez um dos principais do mercado de startups atualmente: no Brasil, são mais de 400 startups do tipo. No mundo, os investimentos em fintech explodiram recentemente: saíram de US$ 1,5 bilhão em 2008 para US$ 2,4 bilhões em 2011, US$ 3,9 bilhões em 2013, US$ 12 bilhões em 2014 e inacreditáveis US$ 19,1 bilhões em 2015. 2016 também bateu recorde, mas os números ainda não são conhecidos.

A importância das fintechs é tão grande que o Goldman Sachs divulgou um relatório afirmando que US$ 4,7 trilhões de receitas dos grandes bancos migrarão para elas nos próximos anos. Você não leu errado. São US$ 4,7 trilhões, sim. TRI. Além disso, 33% das pessoas nascidas na Geração Y não querem usar bancos nos próximos 5 anos. E poucas coisas tem imagem tão negativa quanto bancos para esta geração. É a hora da virada.

Mas o que é uma fintech?

Uma fintech é uma startup que está revolucionando um (entre tantos) segmento de finanças – bancário, seguros, segurança, crédito, câmbio, investimentos e até companhias que transformam a experiência da bolsa de valores.

Há, por exemplo, os chamados “neobanks”, como são chamados os bancos digitais. Aqui no Brasil, um neobank é o Banco Neon, que emite um cartão de débito e funciona como um banco normal – só que sem a estrutura física de um banco.

A principal startup de fintech no Brasil, porém, é o Nubank – eleita a 16ª sexta principal do segmento no mundo, de acordo com um ranking da KPMG e H2e cuja imagem ilustra essa matéria. O Nubank emite um cartão Mastercard internacional totalmente sem nenhum tipo de custo e é acompanhado por um aplicativo de celular que te ajuda a administrar suas finanças com muito mais precisão que antes.

Este ano, eles estão introduzindo um inovador programa de fidelidade que vai permitir o usuário apagar gastos cotidianos – e estimular o uso do cartão. Ou seja, através deste programa um usuário vai conseguir “apagar” gastos como corridas com Uber, assinatura de Netflix e Spotify… é potencialmente mais útil para o usuário que um programa de fidelidade que cobra 100.000 pontos para que uma pessoa viaje de São Paulo para Rio de Janeiro.

Outras duas startups que chamaram a atenção e estão no ranking da KPMG são Viva Real (que ajuda pessoas a comprarem imóveis) e GuiaBolso (que produz um aplicativo que ajuda as pessoas a controlarem melhor seus gastos). Mas na verdade há centenas delas: estima-se que são ao menos 400 fintechs no Brasil e que cerca de metade delas atinjam um faturamento de ao menos R$ 1 milhão em 2017. 20% delas possuem ao menos 20 funcionários, tornando-se também grandes empregadoras no Brasil.

Muitas das tecnologias desenvolvidas por elas vão melhorar todo o ecossistema financeiro do Brasil e do mundo. Antes mesmo do fenômeno startups o setor financeiro era um dos que mais gastavam dinheiro em pesquisa e desenvolvimento, para obter melhorias na segurança dos clientes, por exemplo. O fenômeno de fintechs deu capilaridade para o setor: agora são 1.000 cabeças pensando nas soluções que, anteriormente, apenas algumas pensavam.

Outras tecnologias, como robôs que realizam operações sozinhos na bolsa de valores, já estão no mercado há anos. E agora, graças à redução de custos de produção de startups, essas mesmas tecnologias estão se popularizando – há startups que montaram robôs que analisam o perfil de investimento dos usuários e recomendam os produtos financeiros que cada um deve usar.

É o caso do Warren, que tem um robô que conversa com o usuário e destaca o que é bom ou não para o usuário. Outra empresa que se destaca no segmento de investimentos é o Yubb, uma espécie de concentrador e comparador de produtos de investimentos – o Buscapé dos investimentos.

Há também, continuando na série de exemplos, startups que usam um grande número de informações, Big Data, para determinar se o preço de um seguro pago por você está justo ou não – avaliam se seu comportamento é de risco e pode justificar um preço mais elevado para a seguradora. O mercado de startups para seguros é tão grande que tem um nome próprio: insurtech.

Uma quantidade de novas tecnologias surgiram nos últimos anos e deverão revolucionar como os processos financeiros são realizados, como Bitcoin (uma moeda digital) e Blockchain (para simplificar, um registro geral confiável de operações). Elas deram origem a uma série de empresas de fintech, inclusive no Brasil, como Foxbit e Mercado Bitcoin.

Nem toda fintech é voltada para o consumidor final. Muitas delas desenvolvem produtos voltados para o segmento corporativo, como melhorias de sistema, redução de necessidades de pessoal. O próprio grande banco pode ser cliente das startups sem perceber.  Há modelos B2C (Business To Consumer), B2B (Business to Business) e até C2C (caso da brasileira Monepp, que junta pessoas interessadas em realizar uma operação de câmbio).

O mercado de fintechs no Brasil é um dos mais fortes do mundo, mas como ele envolve dinheiro, costuma ser forte em todos os países. Algumas das iniciativas mais interessantes fora do Brasil incluem a WeChat (uma mistura de WhatsApp com Facebook que permite que você pague tudo através do seu celular) na China e a Robinhood, um aplicativo de bolsa de valores que permite os usuários operarem sem pagar nenhuma taxa para nenhum intermediador.

Os grandes bancos também se envolvem com fintechs!

Se existe um grupo que está de olho nas fintechs, este grupo são os que possuem os piores pesadelos com elas: os grandes bancos. Afinal, com a perspectiva de perder trilhões de receitas para as fintechs, eles sabem que o ideal é manter elas por perto, bem por perto. Aqui no Brasil, por exemplo, tanto Itaú quanto Bradesco (os dois maiores bancos privados) possuem iniciativas.

O Itaú, por exemplo, tem o Cubo, um espaço em São Paulo destinado para startups. E vem investindo pesado em tecnologia para manter seus negócios “atuais” frente um mundo de grandes mudanças. E até consegue: há quem diga que o aplicativo do Itaúcard é uma das melhores formas de administrar o seu dinheiro, muito inspirado na experiência do Nubank.

Além disso, a empresa adquiriu parte da XP Investimentos por R$ 5,7 bilhões – que era a maior corretora independente do Brasil até então e nasceu para revolucionar a forma como as pessoas investiam no Brasil através de uma plataforma de investimentos. Para muitas pessoas, a empresa era a maior fintech da história do nosso País.

Já o Bradesco tem um processo de aceleração e traz as novas companhias para perto dele, chamado de inovaBra. A companhia também lançou o Next, seu banco completamente digital – desenvolvido em conjunto com a agência RGA. E com isso, ela segue a máxima:”o Bradesco quer se tornar o Nubank antes que o Nubank se torne o Bradesco”.

Além disso eles desenvolveram, junto com o Banco do Brasil, um cartão de crédito com aplicativo na mesma fórmula que o Nubank (a principal fintech brasileira), chamado Digio. Ele é uma tentativa de conter o avanço de um novo e popular rival.

O BB não fica atrás e montou um laboratório no Vale do Silício, dentro de uma das maiores aceleradoras da região: a Plug and Play Tech Center – onde foi acelerada a principal fintech da história, o PayPal. A Caixa, por sua vez, tem a Youse – uma seguradora online que eles montaram como uma operação separada.

Grandes bancos tradicionalmente são compradores de startups, adquirindo-as e integrando suas tecnologias. É uma relação de ganha-ganha: os grandes bancos trazem inovação para dentro, enquanto as startups ganham dinheiro (remuneram os fundadores, empregados e investidores) e capilaridade.

Entenda mais sobre Fintech

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