Lançamento da Filme Filme levanta questão: há espaço para mais streaming no mercado?

João Ortega

Por João Ortega

5 de março de 2020 às 15:50 - Atualizado há 3 meses

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Nesta quinta-feira (5), acontece o lançamento oficial da Filme Filme, nova plataforma digital brasileira de streaming de filmes. Com a proposta de valor de fazer o usuário “passar mais tempo assistindo ao filme do que escolhendo”, a startup foca em curadoria para oferecer uma lista com 12 longas “em cartaz”. Replicando a lógica das salas de cinema, os filmes menos aproveitados são substituídos semanalmente por novas opções.

A Filme Filme entra em um mercado que, no Brasil, é tão grande quanto concorrido. Segundo pesquisa da Toluna Insights de 2019, nove em cada dez brasileiros com acesso à internet são usuários de alguma plataforma de streaming. Destes, 94% assistem à Netflix. Em seguida, aparecem HBO Go (29%), Globo Play (23%) e Amazon Prime Video (21%).

Neste sentido, para obter uma fatia deste setor, a Filme Filme precisa apresentar diferenciais em relação aos concorrentes tradicionais. Mais do que isso, a startup necessita que os usuários vejam valor nestes diferenciais. Em entrevista exclusiva à StartSe, Bruno Beauchamps, sócio fundador da recém-lançada plataforma de streaming, explica as estratégias para engajar consumidores e criar uma experiência O2O (Online to Offline).

Filme Filme

Antes da Filme Filme, Bruno Beauchamps construiu uma carreira no mercado cinematográfico e fundou a distribuidora Pagu Pictures. Com amplo conhecimento do setor, o empreendedor identificou a tendência do brasileiro pelo consumo digital do cinema. E, ademais, encontrou uma dor no modelo de streaming por assinatura: “Há oferta muito grande de conteúdo, mas de uma maneira desorganizada, sem curadoria, sem usabilidade”, revela. “Percebi aí uma oportunidade”.

Ao lado de duas sócias – Mayra Auad e Ilda Santiago – que também possuem experiência no universo do cinema, Beauchamps acredita que parte da solução está em replicar a lógica das salas tradicionais para o ambiente digital. Neste sentido, a Filme Filme apresenta, em destaque na plataforma, a seção “Em Cartaz”, com doze filmes curados pela equipe da startup. Semanalmente, os longas menos assistidos são substituídos por novas opções. O restante das obras ficará em um espaço intitulado de “Catálogo”.

Plataforma Filme Filme foca em curadoria

Além disso, o modelo de negócio do novo serviço de streaming se difere da concorrência por não ter uma assinatura mensal. Todos os filmes custam R$ 6 e o usuário tem até sete dias para ver e rever o conteúdo alugado. “Plataformas por assinatura querem que o cliente tenha a sensação de que o valor mensal é irrisório perto da quantidade de conteúdo que oferecem”, diz Bruno Beauchamps. “Mas as pessoas acabam assinando tantos serviços diferentes que não assistem a filmes o suficiente para valer a pena”.

Soma-se a isto o fato de que, com o modelo escolhido, não é preciso ser detentor dos direitos dos filmes – o que dispensa um alto investimento inicial em catálogo. Metade do valor do aluguel vai para os donos da obra.

No entanto, o grande diferencial da startup, na visão do sócio fundador, será a criação de uma comunidade engajada com o universo do cinema. A equipe da Filme Filme afirma que este projeto será construído em conjunto com os próprios usuários, mas já há algumas ideias na mesa. Por exemplo, unir os universos online e offline com apresentações públicas de títulos da Filme Filme em comunidades periféricas; oferecer ingressos, descontos em cursos e benefícios para os usuários mais ativos; aproximar personalidades importantes da produção de cinema, como cineastas e atores, da base de espectadores.

Embora o lançamento seja nesta quinta-feira (4), a Filme Filme já tem planos para o futuro. Segundo Beauchamps, o objetivo é ter conteúdo próprio na plataforma, como já fazem os grandes players do mercado. Antes disso, porém, a empresa deve levantar um aporte com fundos de Venture Capital nos próximos meses. Resta saber se, como o empreendedor, os investidores terão a mesma confiança em uma startup brasileira em um mercado dominado por gigantes.

Mercado de Streaming no Brasil

SPCine Play, Looke, Telecine Play, Philos: estas são só algumas das plataformas de streaming de filmes brasileiras, além da Filme Filme, que tentam concorrer com os grandes players do exterior. Com diferentes modelos de negócio, nichos e empresas por trás, todas elas buscam um “lugar ao sol” neste complexo mercado digital.

Em relação às estrangeiras, vale destacar Amazon Prime, Apple TV+, Mubi e, claro, Netflix. Até o fim do ano, a Disney + será o próximo grande player a acirrar o mercado brasileiro.

Fonte: Opinionbox

A Opinion Box revelou em 2019 um estudo que constata que 25% dos usuários de streaming gastam mais que R$ 50 ao mês com este tipo de serviço. Dado o preço médio das assinaturas, é possível inferir que a maior parte deste público utiliza mais de uma plataforma – o que é um bom sinal para os players menores, visto que não precisam, necessariamente, ser a primeira opção do usuário para sobreviver.

A mesma pesquisa ainda revela que 40% dos entrevistados passa mais tempo nos serviços de streaming do que um ano antes, e 33% esperam passar ainda mais tempo daqui a doze meses. Então, o crescimento do mercado não é apenas uma constatação em números, mas também uma vontade do próprio consumidor.

Fonte: Opinionbox

A App Annie, plataforma de inteligência sobre aplicativos, verificou que o Brasil foi um dos países onde mais aumentou o número de downloads de apps de streaming no mundo. Entre 2016 e 2018, este crescimento foi de 130%, atrás apenas de países asiáticos e Austrália. Este dado mostra que o público brasileiro ainda não saturou este mercado – ainda há interesse por novas plataformas.

É impossível prever quais das plataformas brasileiras de streaming irá sobreviver à concorrência. Tampouco dá para cravar se a estratégia da Filme Filme para se diferenciar dos rivais dará certo ou não. Mas é fato que o mercado nacional tem espaço para mais do que apenas um player dominante – como é, atualmente, a Netflix – e o ecossistema de inovação do Brasil tem capacidade para conquistar a preferência de parte do público.

Fonte: Opinionbox