É fácil empreender? Para startup brasileira comprada por gigante americana, não

Da Redação

Por Da Redação

27 de julho de 2015 às 15:30 - Atualizado há 5 anos

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SÃO PAULO – O Brasil não conta com a estrutura do Vale do Silício. São poucas as startups brasileiras que ganham relevância e menos ainda a quantidade de empresas que recebem investimentos elevados. Compradas por uma empresa do exterior então, é uma raridade sem tamanho. 

Não foi o caso da ZeroPaper, que hoje se transformou na QuickBooks Zero Paper, após ser comprada pela norte-americana Intuit – a primeira startup brasileira comprada por uma grande do exterior. Fundada em 2012 pelos amigos André Macedo, Arley Moura, Carlos Eduardo Braga e Carlos Eduardo Carvalho, a empresa provê serviços de controle de fluxo de caixa para empresas pequenas e médias – e é um exemplo para a grande maioria, além de ser uma boa ajuda para as startups. 

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Com aproximadamente 500 mil usuários, a ZeroPaper se transformou em uma popular plataforma – mas o começo não foi muito tranquilo, como conta André Macedo, CEO (Chief Executive Officer) da empresa e hoje country-manager da Intuit no Brasil. Foi difícil, com os empreendedores mudando de cidade em cidade, entre São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, em cada etapa da startup.

Comprada pela Intuit, muita coisa mudou – a empresa pôde se expandir, diversos funcionários entraram e a empresa ganhou um leque mais rico de produtos. Antes focada em pequenas e médias empresas, a companhia agora pode oferecer plataformas de gestão financeira até para grandes empresas. Além de ter sido uma forma da Intuit entrar no Brasil.

“Foi um ano de conversas para fecharmos a venda”, conta Macedo, que hoje se transformou em funcionário da Intuit e não se arrepende. Para ele, ter vendido sua empresa não o faz menos empreendedor que antes. Ele ainda age e vive como se fosse dono da empresa, o que entende como a melhor forma de trabalhar, com garra e dedicação.

Isso não elimina o fato de que agora é um funcionário e que a empresa pode decidir por uma nova direção, caso não veja resultados. Perguntado, Macedo diz não temer essa mudança de rumo justamente por entender que sabe para onde a Intuit quer ir. “Se eu tenho medo de ser demitido? Não, acredito que quando estamos todos alinhados na mesma direção, não há esse risco”, explica.

No começo, algumas alterações
Entre os investidores nos primeiros anos de operação da ZeroPaper, destaque para a aceleradora 21212 e para a empresa Totvs. Macedo conta que o apoio no início foi fundamental e lembra que teve que fazer uma alteração necessária no plano de negócios para conseguir monetizar seu projeto, e que se não tivesse vendido a empresa, provavelmente continuaria muito próximo de seus antigos parceiros.

Mesmo assim, Macedo garante que não foi nada fácil. Ele trabalhava em Brasília no Banco Central e tinha uma vida confortável. Ao empreender, sua vida precisou ser bem mais regrada financeiramente, principalmente no período em que passou no Rio de Janeiro, por conta da aceleradora 21212. 

A ideia era ter uma versão gratuita e uma versão paga. Isso evoluiu, a ZeroPaper tem uma versão gratuita e três planos pagos para seus usuários, com algumas funcionalidades a mais em cada uma. A ideia do programa é poder ajudar pequenos empreendedores a controlarem com maior qualidade as suas finanças, o seu fluxo de caixa e pagamentos. 

Macedo ressalta que muitas empresas no Brasil falem justamente por falta de controle e falta de conhecimento dos empreendedores. A ideia da Zero Paper é justamente conseguir com que essas pessoas tenham uma ferramenta fácil de usar para impedir que tenham prejuízo por simples descontrole financeiro, o que mostra que a empresa não tem.  

*André Macedo terá uma coluna no StartSe, com postagens semanais nas segundas-feiras e quinzenais nas quintas-feiras, onde deverá tratar de temas sobre gestão financeira corporativa e empreendedorismo.