Falta base de conhecimento de negócios para as startups

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Por Paula Zogbi

28 de janeiro de 2016 às 09:41 - Atualizado há 5 anos

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Que as grandes empresas e as startups podem – e devem – trabalhar para capturar o espírito de inovação e velocidade das startups já é algo amplamente discutido no mercado. Agora, resta saber como isso pode ser feito, tanto por parte dos empreendedores quanto das empresas “elefantes”. Este foi o tema da palestra “Os Elefantes Também Dançam”, que ocorreu nesta quarta-feira, 27, na Campus Party Brasil.

“Na nossa visão, ainda falta uma base de conhecimento, não só técnico, mas de business também. Hoje em dia falamos muito de tecnologia, mas sentimos falta de olhar esse empreendedor como indivíduo”, afirma Elis Queiros, Gerente de Marketing para Audiências Técnicas na Microsoft com foco em startups e estudantes. Para ela, as startups precisam aprender a lidar com a ótica de negócios dentro das grandes corporações – e não indo contra as mesmas, para não caírem no alto “índice de mortalidade” pelo qual as pequenas empresas passam.

Bruno Rondani, empreendedor, investidor e especialista em inovação aberta, acredita que o esforço para este diálogo deve ser mútuo: “as comunidades possuem linguagens próprias, existe uma diferença entre o que é inovação para a grande empresa e o que é para a startup. Cada um dos dois lados precisa aprender a conversar com o outro”, complementa, participando de uma mesa de debates com público majoritariamente empreendedor. Ele atua como conselheiro de organizações líderes em inovação e como coach de executivos na área, e acredita que o desafio é saber exatamente como agir para gerar resultado.

Mudanças para ambos os lados

“Empresas tradicionais têm uma série de burocracias e ritos que devem ser seguidos”, comenta Rogério Tamassia, especialista em programas de aceleração e fundador Liga Ventures, uma empresa que conecta grandes corporações e start-ups. Daí vem a pergunta: “como inserir startups dentro do meu negócio de uma maneira rápida? O questionamento acaba gerando uma mudança de estrutura dentro da corporação”, comenta ele, que fomenta, em seus programas, que funcionários das empresas tradicionais participem de mentorias em conjunto com os novos empreendedores.

“Os elefantes precisam aprender a dançar, a pular, andar na corda bamba”, diz Elis, complementando o comentário de Rogério, segundo o qual “elefantes que pisarem nos leopardos [em referência à agilidade das startups] vão espantar o ecossistema”.

Uma das grandes empresas mais emblemáticas neste processo de angariação de startups é a gigante de tecnologia Google. Entre compras de pequenas empresas e programas de aceleração – como o recente Launchpad Acelerator no Brasil, há um esforço contínuo por parte da corporação em manter o dinamismo de seu desenvolvimento e aprender com as novidades do mercado.

“Existe uma brincadeira de que o Google tem, dentro de si, umas 200 startups”, conta Ale Borba, Community Manager focado em comunidades técnicas e de desenvolvedores que trabalha com a gigante. “O que isso significa? Cada uma das áreas trabalha com processos criativos e inovações típicos de startups, ao mesmo tempo em que nosso departamento de RH trabalha para suprir o gap que existe entre essa inovação e a operação dos grandes negócios”, explica, não sem acrescentar: “precisamos trabalhar constantemente nessas dificuldades”.

A conclusão de todos é a mesma: quem não entrar, hoje, para o negócio das startups, está condenado.