Ele quis ser o Bill Gates brasileiro e fez um império de tecnologia por aqui

Oferecendo produtos para celulares, smartphones e tablets, a Movile é um exemplo de inovação

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Por Da Redação

24 de março de 2015 às 16:52 - Atualizado há 5 anos

SÃO PAULO – Fabricio Bloisi tinha algo em mente quando começou a empreender: ele queria ser o Bill Gates brasileiro e fazer a Microsoft nacional. Hoje, é fundador e CEO (Chief Executive Officer) da Movile, a empresa líder em desenvolvimento de plataformas de comércio e conteúdo móvel na América Latina. 

Oferecendo produtos para celulares, smartphones e tablets, a Movile é um exemplo de inovação no mercado brasileiro. Por conta disso, a Rio Bravo Investimentos foi conversar com ele.

Confira: 

O objetivo que você tinha desde universitário era trabalhar com tecnologia. Desde o início o plano era ter uma empresa como a Movile? Conte essa história.

Nós sempre acreditamos que era possível, mesmo no Brasil, longe do Vale do Silício, criar uma grande empresa de tecnologia. Uma empresa de tecnologia global. Mais do que isso: eu tenho convicção que é possível, com um grande empresa de tecnologia, ter impacto enorme na sociedade, na sua região, no seu país. Nós sempre acreditamos que era possível criar empresa de tecnologia global a partir daqui do Brasil. Eu estou bastante orgulhoso que estamos construindo essa empresa. É importante para mim contar um pouquinho dessa história, porque há espaço para termos muito mais empresas de tecnologia que distribuam e vendam para o mundo inteiro a partir do Brasil. O impacto disso para nossa sociedade pode ser enorme. Quando a gente começou, nosso plano, sim, era criar uma grande empresa de tecnologia. Meu ídolo na época era o Bill Gates, sempre fui apaixonado pela história da Microsoft e pensava: se ele fez a Microsoft, porque não fazer uma empresa igual no Brasil? Assim começou a Movile. Eu me mudei para Campinas para poder estudar ciência da computação, trabalhei na empresa junior de computação por três ou quatro anos, e assim que me formei decidi montar uma empresa com mais um sócio. Começamos em uma salinha de 2mx2m, mas, desde aquele momento, com ambição de criar uma grande empresa global que nasceu aqui no Brasil. Ainda estamos longe de ser uma empresa do tamanho da Microsoft, uma grande empresa global, mas estamos confiantes de que é possível criar muito mais valor na área de internet a partir daqui do Brasil. Então, nós começamos a empresa com duas pessoas, sempre focados em criar uma grande empresa de tecnologia. Um ano depois de iniciar a empresa, nós recebemos nosso primeiro investidor, e por isso é um prazer estar no podcast Rio Bravo, pois o primeiro investidor da Movile foi a Rio Bravo Investimentos, lá em 2000. Na época, a Movile era uma empresa pequena e local ainda, mas, sem dúvida, foi supre importante o investimento, a mentoria e estar perto da Rio Bravo para começar a acelerar e amadurecer a empresa. A gente continuou crescendo entre 2000 e 2007, quando recebemos o investimento da Naspers, que foi o fundo de investimento sul africano, que hoje é o maior acionista da Movile, e quando iniciou uma fase de aquisições, onde crescemos 100 vezes de faturamento entre 2008 e 2015. Fizemos 12 aquisições nesse período. Abrir uma empresa de tecnologia global no Brasil exige um pouco de paixão pela ideia mesmo. O Brasil tem muitas dificuldades para suportar empresas de tecnologia. A gente não tem um ecossistema maduro o suficiente aqui, não temos investimento suficientes de longo prazo, pessoas que tomem riscos suficientes para criar empresas. E temos um país que não tem história, tradição e conhecimento local para criar grandes empresas. Ainda assim, nossa mensagem é de que é possível fazer isso e os resultados são potencialmente incríveis. A gente hoje está orgulhoso de ser uma das principais empresas do mundo que desenvolve aplicativos. Um dos nossos aplicativos, o Play Kids, por exemplo, é utilizado em 130 países e é o aplicativo número um para crianças utilizarem entretenimento pelo celular no mundo. Outro aplicativo nosso, o IFood, é o aplicativo número um para comprar comida delivery pelo celular e é um dos principais do mundo nessa categoria. É uma joint venture entre a Movile e o Just Eat, que é o líder no mundo na categoria de delivery online. Nós somos hoje uma das principais empresas do mundo de serviços de valor agregado pelo celular, onde você pode receber conteúdo pelo celular.

Antes de chegarmos nesses aplicativos, como que é abrir uma startup antes desse nome “startup” ser tão disseminado? Quais eram as dificuldade específicas de se abrir uma startup no Brasil no final dos anos 90, início de 2000.

Como falei, o ambiente para a startup no Brasil não é favorável hoje e muito menos favorável ainda em 2000. Então, você tinha dificuldade de financiamento, de acessar capital, custo de capital alto demais, regras trabalhistas que não privilegiam empresas baseadas no conhecimento, falta de know-how de outras empresas que criaram produtos para ser distribuídos globalmente, empresas de sucesso na internet… Uma coisa que mexe muito comigo é a cultura no Brasil, que não valoriza sucesso ou empreendedorismo como em outros países. Nos Estados Unidos, abrir uma empresa e ganhar um bilhão é algo heróico, onde todos se espelham para fazer isso. No Brasil, há uma cultura um pouco de “falar em ganhar dinheiro pega mal”, se falar em criar uma empresa, parece que você é um explorador do trabalho dos outros, não alguém que está criando valor e prosperidade para a indústria local. Eu acredito no contrário absoluto disso. Eu acho que o que leve o Brasil para frente é ter grande empresas que vão faturar muito, que vão gerar muito dinheiro, que vão fazer não uma pessoa milionária, mas centenas de pessoas milionárias ou bilionárias. Isso empurra o Brasil inteiro para frente. Eu acho que em áreas como tecnologia e internet, temos muito potencial. É um mercado onde é possível iniciar com muito menos capital do que outras indústrias mais maduras, e a criatividade do brasileiro deveria criar muito mais empresas de sucesso na internet do que nós temos hoje. Não é o caso ainda, temos pouquíssimos casos de empresas de internet extremamente valiosas aqui. Eu tenho absoluta convicção que nos próximos 10 anos isso vai ser muito diferente. A gente vai ter muito mais empresas de internet globais e muito valiosas. E trabalhamos muito aqui para que a Movile seja uma delas.

Sobre o início da Movile, ainda, talvez não com esse nome, como funcionava trabalhar com SMS, ainda quando as mensagens eram pouco convidativas e os aparelhos eram pouco convidativos para mandar mensagem?

Nós começamos a trabalhar com Mobile no início de 2000. Quem não trabalha com isso tem essa perspectiva de que a gente está no início de uma revolução que vai ter um impacto inacreditável sobre como as pessoas acessam o conhecimento e informação. Nós começamos com o SMS, que era a tecnologia da época, onde você tinha algum acesso a internet, mas era algo evidentemente de nicho com alcance limitado. O que estamos vendo hoje é a migração de todos os telefones celulares para smartphones. É importante quem não é da área ter essa em perspectiva: em três ou quatro anos, 2018, 2019, a gente vai ter 5 bilhões de pessoas conectadas no mundo através do smartphone. Vão ter muito mais pessoas substancialmente usando a internet pelo smartphone do que por um computador. O impacto que a gente viu até hoje de internet, com o e-commerce, os meios de comunicação pela internet, vão se ampliar muito quando essa revolução dos smartphones tiver completa e a gente tiver um computador no bolso de cada usuário do mundo. Isso já está acontecendo hoje, com quase dois bilhões de smartphone no mundo, Então, o que a Movile fez ou tem feito é ter consciência de que investir em informação é fundamental nessa nossa indústria. A gente começou com SMS como primeiro formato para se comunicar em qualquer lugar com as pessoas, investimos muito em inovação, sempre investindo para acompanhar o que tinha de melhor do mundo em novas tecnologias. Às vezes para estar à frente do mundo em novas tecnologias e, com isso, hoje temos alguns dos melhores produtos para smartphone que existe no mundo e a perspectiva é continuar a investir em inovação para continuar surfando essa evolução das tecnologias como a gente vai ver nos próximos anos.

Ainda sobre SMS, em termos de oportunidade de negócio, ainda tem espaço para SMS funcionar como esse produto?

O mercado de SMS é maduro hoje, A Movile ainda ganha bastante dinheiro com SMS, mas ele é um mercado maduro. As oportunidades para empresas novas estão nos novos produtos que estão começando agora. “Aplicativos” é uma indústria nascente ainda. Em 10 anos, vai ser uma indústria de trilhões de dólares, não de bilhões. A hora perfeita para novas startups começarem a investir nisso é agora para que isso amadureça ao longo dos próximos cinco a 10 anos.

Como vocês escolhem os aplicativos que podem se tornar um produto de sucesso, hits, daqueles que não vão se tornar isso?

A verdade é que a gente não sabe o que vai dar certo e o que não vai, mas a gente tem a cabeça muito aberta para inovação. A Movile é uma empresa que investe muito em inovação, mas não inovação como era o modelo há 10, 15 anos atrás. Eu invisto 10 milhões em um projeto e espero um ano para ele ficar pronto. A gente tem uma velocidade muito rápida, que chamamos de lean start up, que é enxuta e rápida. Todos nossos projetos são muito rápidos, muito baratos, medimos todas as coisas em dias, não em semanas ou meses. Entregamos testes de projetos em sete dias, 10 dias… Analisa o resultado, coloca no ar, entende o que o cliente gosta ou não, retroalimenta no processo de novo e faz uma nova versão e vê o resultado de novo. A vantagem disso é que a gente erra muito rápido. O que a Movile faz bem não é acertar tudo, a gente erra 95% do que fazemos. A mágica que a gente tem feito de bom é fazer tudo em uma ou duas semanas. Então, em quatro meses a gente testou 50 direções diferentes, 50 ideias, 50 projetos. Provavelmente a gente errou 47 deles, mas naqueles três que a gente acertou, geramos um conhecimento e uma percepção de uma oportunidade que pode valer dezenas de milhões de reais. Então, nossa forma de inovar é ser muito rápido, muito barato, errar muito, mas rápido e barato e aprender todos os dias para que possamos, no dia seguinte, gerar um resultado melhor.

Quem está de fora tem a percepção de que as startups são fundadas com objetivo, pelo menos aqui no Brasil, de serem rapidamente vendidas. Nem sempre as expectativas de retorno de lucro dessas startups alcançam esses objetivos que foram traçados inicialmente. Como vocês lidam com isso?

Eu abri a empresa com o sonho de criar uma das maiores empresas do mundo de tecnologia. Nossa visão é ser a maior empresa do mundo de mobile. Não estamos buscando vender a empresa mês que vem. Buscamos comprar empresas, consolidar o mercado e ser uma das maiores empresas do mundo. Dito isso, não tenho nada contra vender empresa rápido. O que eu tenho contra, que está muito presente na cultura do Brasil, é ser lento. Muitas pessoas abrem empresas aqui e, porque não descobriram como crescer, demoram 5, 10,15 anos para mudar a direção do que elas estão fazendo. Eu acho que empresas que estão indo melhor serem vendidas ou se juntarem ao seu concorrente, ou fazerem fusões, ou trazerem sócios externos para acelerar ainda mais o seu crescimento é algo importantíssimo para criar grandes empresas e para consolidar líderes. É algo que acho que a Movile fez muito bem nos últimos anos. Nos últimos anos, nós fizemos 12 aquisições em cinco anos. É uma velocidade bastante grande de mais de duas aquisições por ano.

Qual o principal risco desse processo de aquisições?

É muito arriscado. Você pode ter problemas com as pessoas, com a integração da cultura, com os produtos que comprou em momento errado do ciclo de crescimento. Não é fácil. O ponto é: no mercado de tecnologia, há oportunidade de criar empresas de bilhões. A gente não está buscando o caminho mais fácil. Estamos buscando o caminho para baquear empresas de bilhões e é preciso uma estratégia agressiva de mergers acquisitions para isso. Eu acho que no mercado americano isso é super forte. As empresas rapidamente compram seus concorrentes, fundem com eles e criam líderes globais. O mercado brasileiro caminha devagar e fica competindo entre duas empresas no Brasil. Aí, de repente, um líder global entra no mercado e ganha das duas. O que a Movile fez, e acho que fizemos bem, foi rapidamente comprar ou fundir com nossos principais três ou quatro concorrentes, criamos um empresa que é líder na América Latina e agora podemos ir para o mundo. O que queremos é liderar o processo no mundo e não ficar brigando localmente e não conseguir crescer rápido.

O que a experiência no Vale do Silício agregou para vocês em termos de cultura da inovação e competitividade?

O tempo no Vale do Silício foi super importante para a Movile. Quando a gente chegou lá, nós não tínhamos capacidade de competir com as empresas locais. Nosso produto era pior, estávamos mais mal financiados que eles e não tínhamos contatos locais. Engraçado é que era essa minha expectativa mesmo. Estávamos indo para o Vale do Silício para aumentar nossa barra. A gente queria se comparar com os melhores do mundo. Mas mais do que se comparar, o que a gente queria era aprender com eles. Dois anos depois, hoje a figura é bem diferente. A gente está conectado com as principais empresas do mundo do Vale do Silício, estamos ligados aos principais eventos, desenvolvedores, mesmo investidores do mundo, no Vale. E temos hoje alguns produtos que figuram com líderes globais. Então, ir para o Vale significou para a gente aumentar a barra. Se eu quero ter uma empresa global, não basta ser bom no Brasil. Eu preciso conhecer os melhores e estar perto dos melhores fez toda a diferença para acelerar a velocidade da Movile.

Que tipo de investimento vocês fazem nos aplicativos?

Nós estamos animados com a Movile não somente desenvolver e inovar internamente, mas investir em startups fora da empresa para acelerar a inovação, trazer sócios novos para a empresa e diversificar o portfólio. Nos últimos anos, além de inovar na área de conteúdo móvel, que a gente já fazia há vários anos, diversificamos a área de comércio móvel, primeiro com segmento de comida, delivery online, com o investimento no IFood. Recentemente, nós fizemos investimento na área de local commerce, com investimento no Apontador e Maplink. Agora, no último mês, na área de compra de tickets pelo celular, com investimento no Cine Papaya, que atua na América Latina vendendo ingresso de cinema pelo celular. Então, a ideia é investir muito em inovação dentro da empresa, mas tanto quanto em inovação fora da empresa, me associando a empresas, normalmente, menores do que a gente, mas que podem usar o ecossistemas Movile para crescer mais rápido.

E nessa associação com empresas menores, eventualmente não há o risco de adquirir ou investir em uma marca ou aplicativos que você já desenvolver de alguma fora?

Não, a gente montou um portfólio do que a gente queria atuar, que é conteúdo e comércio local. Dentro desse portfólio, somente investimos em empresas que complementam o portfólio. No segmento de comida, por exemplo, começamos a investir no IFood, depois foram mais seis aquisições, mas todas elas embaixo do IFood. Então, o IFood é a marca principal nossa e o ajudamos a crescer, ajudando ele a fazer investimentos e aquisições no segmento de comida.

Qual a experiência e qual a importância da parceria com universidades que a Movile tem?

Para a Movile e para o país, ter relações com universidade é fundamental, porque conhecimento acelerado vem de inovação e precisamos estar conectados com as universidades para poder entender o que estão vindo por aí para formar pessoas muito boas, para manter a cabeça aberta para novas possibilidades. Então, a Movile tem uma relação super forte com a universidade. Nos relacionamos bastante tanto com a GV, quanto com a Unicamp, mas recentemente também estamos tendo uma relação maior com Harvard e Stanford, que consideramos super importante, pois estamos não só nos conectando localmente, mas globalmente. E para gente é uma oportunidade inacreditável estar perto das universidades. Tem um pouco de sentimento que as universidades aqui estão menos orientadas a criar negócios e empresas com as universidades de fora. A gente está próximo de Stanford e é muito legal ver que eles geram muitas starups, as quais muito valiosas. Acho que a gente tem que, no Brasil, ter um pouco menos de preconceito com criar grandes empresas, porque isso é a base para a prosperidade da região. Eu adoro ir no Vale do Silício e ver lá, que existe um cidade pequenininha, com 50 mil, 100 mil habitantes e tem um Google lá dentro, com 20mil, 30 mil pessoas gerando bilhões de reais em receita para aquela região, que é muito rica e próspera. Temos a obrigação de ter 50 empresas aqui no Brasil trazendo capital e receita do mundo inteiro para cá, pois isso que vai fazer o Brasil ter mais dinheiro, ser mais rico, diminuir as desigualdades. A universidade tem que contribuir para isso e acho que a gente ainda tem um caminho para chegar lá.

Hoja a Movile tem produtos como a Play Kids, que é destaque em vários países. Você citou a importância do erro no processo de desenvolvimento desses aplicativos e para própria trajetória da Movile, Você poderia mencionar alguns desses aplicativos e experiências que não funcionaram?

Errar faz parte da nossa trajetória. Realmente, não achamos que errar é um problema. Muito pelo contrário, achamos que não estamos errando pouco, porque estamos indo em caminhos que ninguém sabe qual é a resposta. Ninguém sabe. Ninguém consegue prever o futuro e saber o que vai dar certo. A gente tem que estar sempre tomando risco em negócios novos, sempre testando direções novas. Nove em 10 dessas direções vão estar erradas, mas é assim que a gente cria conhecimento, capacidade e produtos novos que tem chance de eventualmente serem produtos grandes. Em todo desenvolvimento nosso, todo trimestre a gente fala: “Estamos fazendo agora 10 ou 20 apostas.” É super comum no ciclo seguinte a gente jogar fora 10 das 20 apostas do ciclo anterior, porque o problema não é errar, o problema é não aprender com o erro. Erra faz parte, a gente quer que a gente erre para aprender.

Não dá para aprender sem necessariamente cometer esses erros?

Não, porque você fica lento e você não aprende com o cliente final. Vou dar um exemplo prático para você ver o que eu estou falando. Em vez da gente passar cinco meses montando um aplicativo novo e preparando design, circulando ele por comitê, aí mostra para o presidente, que aprova ou não, aí aprova um orçamento… Não fazemos nada disso. A gente lança o aplicativo em 15 dias e a gente aprende com o cliente dizendo se ele gostou ou não. Em vez de lançar um aplicativo, a gente lança dois ou três em 15 dias e diz: Olha, os clientes gostaram mais do tipo do aplicativo que é para criança, ou gostaram mais do tipo que o modelo de pagamento é esse, ou que tem esse tipo de design. A gente pega essa informação a aplicar de novo e melhora. O bom é que você está melhorando toda semana e fazendo toda semana ele um pouco melhor. Com isso, você consegue estar pegando informação de quem realmente interessa, que é o cliente, do que ele quer, e não do que eu, como presidente, acho. Em reunião de inovação, meu objetivo jamais é eu dizer o que tem que ser feito. Se alguém tem uma ideia muito boa e está muito empolgado com ela, tem que fazer. Faz, coloca no ar, coloca para mil clientes usarem e trás os resultados. Os cliente gostaram? Usaram? Deram que feedback? Essa é a informação valiosa e é isso que a gente não pode perder de vista. O mundo de tecnologia muda a dinâmica do mundo de negócios. Antes, eu precisava construir uma fábrica em um país para poder vender lá. Agora, eu faço um app aqui e ponho ele para vender na China no mesmo dia. Eu tenho que saber jogar nesse mundo novo agindo rápido e aprendendo com cada interação para garantir que eu tenha um produto cada semana melhor.

Você consegue participar de todos esses projetos de desenvolvimento? Você consegue utilizar todos esses aplicativos no momento em que são lançados?

Eu adoro participar da discussão de produtos. Adoro participar de novos produtos, novos aplicativos, novos negócios. Mas a mágica para uma empresa crescer, na minha opinião, são as pessoas que fazem parte dele. O que faz a Movile dar certo hoje não é o Fabrício ou os ativos que a gente tem, são as pessoas que a gente tem. Esse é o nosso maior diferencial. Então, é preciso ter um grupo de diretores que sejam melhores do que eu e façam tudo o que eles precisam fazer melhor do que eu. E hoje eles são. Eu tenho um diretor excepcional que faz tudo melhor do que eu. A grande meta deles é ter um time que é melhor do que eles, que está pronto para substituir eles e que tem total potencial para estar no lugar deles daqui a três ou seis meses, ou um ano ou dois. Eu pessoalmente tenho muito prazer de revisar isso, mas eu tenho uma equipe excepcional. Todos eles fazem isso muito bem feito. Se não estiver muito bem feito, o problema é que eu não revisei, foi que a equipe estava errada. Corrige o problema da equipe, troca a equipe, treina a equipe e aí vai ficar excepcional.

Vinte anos depois, o Bill Gates ainda é uma referência?

Com certeza, espero conhecê-lo pessoalmente em breve. Espero transformar a Movile na maior empresa de tecnologia de internet da América Latina e um importante player mundial. Quem sabe eu encontro ele um dia desses eu encontro ele e conto essa história de como ele ajudou a gente a trabalhar mais se inspirando nele.