Essa bicicleta elétrica quer disputar mercado com o Uber e a Lyft

José Eduardo Costa

Por José Eduardo Costa

2 de Maio de 2019 às 11:51 - Atualizado há 2 anos

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Nos Estados Unidos, a Bird e a Lime são precursoras na solução de micro-mobilidade para os grandes centros urbanos, oferecendo scooters e bicicletas elétricas para pequenos deslocamentos. No Brasil, a Grow (união da Yellow e Grin) segue o mesmo caminho.

A Bird e a Lime rapidamente encantaram os investidores, que colocaram mais de US$ 1 bilhão nas duas empresas (US$ 415 milhões na Bird e US$ 765 milhões na Lime). A Grow despertou o interesse do Softbank, que recentemente anunciou um fundo de US$ 5 bilhões de dólares para investir em startups da América Latina. Já foi divulgado que o Softbank deve realizar, até o final do ano, um aporte de US$ 150 milhões na Grow, o que colocaria o valor de mercado da empresa em US$ 700 milhões. Nem Softbank nem Grow confirmam a informação (mas também não a desmentem).

De olho no mercado ainda emergente de micro-mobilidade, a Bond Mobility, uma startup sediada em Palo Alto, na Califórnia e em Zurique, na Suíça, diz que suas bicicletas elétricas de “alto desempenho” vão deixar as scooters e bicicletas elétricas dos concorrentes comendo poeira. Suas bicicletas tem quadro de carbono e rodas reforçadas, sistema de freio a disco e bagageiro, mas o que impressiona mesmo é o sistema elétrico de pedalada assistida, que permite que a bike alcance até 48 km/h – é duas vezes mais rápida que as dos concorrentes. Na verdade, a Bond Mobility quer disputar mercado com os aplicativos de automóveis.

“O mercado de scooters estão saturado. Há, no entanto, centenas de milhões de dólares no mercado para startups de mobilidade, mas a maioria das startups está mirando na jornada de pedestres. A promessa da microbilidade era reduzir o impacto de sua pegada de carbono e o engarrafamento nos grandes centros urbanos. Então, você precisa substituir transporte de veículos”, disse a Business Insider Kirt McMaster, co-fundador da Bond Mobility.

McMaster é um empreendedor e executivo ousado e conhecido no universo de startups dos Estados Unidos. Até bem pouco tempo, ele estava a frente da Cyanogen, empresa bastante conhecida por desenvolvedores, cuja ambição era se tornar o terceiro maior sistema operacional móvel do mundo, atrás do iOS Apple e do Android do Google. O projeto não deu certo. Agora, McMaster está de volta e quer quebrar o duopólio da Lyft e da Uber. “Nossas bicicletas vieram para disputar o mercado com os aplicativos Uber e Lyft”, diz McMaster.

Segurança e barreiras legais

Os investidores acham que McMaster e a Bond Mobility podem ocupar um lugar no mercado. A empresa recebeu recentemente um investimento de US$ 20 milhões. Entretanto, em diversos países (como é o caso do Brasil), há leis (ainda em discussão) que regulamentam o uso de bicicletas elétricas, disciplinando inclusive a velocidade máxima destes veículos.

Se é ou não uma boa ideia viajar tão rápido em uma bicicleta em um ambiente urbano, aparentemente cabe ao cliente decidir. Embora as bicicletas da Bond Mobility estejam, por enquanto, disponíveis apenas em Zurique e em Berna, na Suíça, elas estão chegando aos Estados Unidos em breve, diz a empresa – e uma brecha na lei da Califórnia pode ajudar.

Na Califórnia, qualquer veículo que não ultrapasse a velocidade de 30 milhas por hora, cerca de 50 km/h, pode ser alugado com uma licença de carro. Alguns estados americanos são ainda mais tolerantes quando se trata de veículos elétricos.

É claro que a Bond Mobility – que opera na Suíça como Smide e usa hardware da empresa suíça de bicicletas elétricas Stromer – ainda tem que provar que pode competir em solo norte-americano – e em outros lugares do mundo. Mas McMaster aparentemente não duvida das competências e visão de mercado da empresa que lidera. Como ele disse ao site Business Insider, em sua opinião, a “e-bike de velocidade é o predador natural das scooters”. Esse é o primeiro filão de clientes que a Bond Mobility quer abocanhar.

De acordo com um recente estudo da consultoria McKinsey, em 2030 o mercado de micro-mobilidade deve atingir entre US$ 200 bilhões e US$ 300 bilhões nos Estados Unidos; entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões na Europa; e entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões na China. Há, portanto, muito espaço para novas startups no mercado de micro-mobilidade. Resta agora saber se a Bond Mobility vai prosperar.