Duas startups podem se unir, sim… e se tornarem muito melhores do que antes

Da Redação

Por Da Redação

12 de agosto de 2016 às 14:44 - Atualizado há 4 anos

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No final de julho, o Uber surpreendeu o mundo ao anunciar que estava juntando suas operações na China com seu maior rival, o Didi Chuxing. Na justificativa, Travis Kalanick, CEO da gigante americana, falava que as duas não podiam se dar o luxo de queimar e queimar dinheiro em uma competição insana para dominar o mercado.

Algo parecido, mas em uma escala menor, aconteceu no Brasil, um ano antes. Foi a fusão de duas startups que disputavam no mercado de “concorrência criativa” para design: a We Do Logos e a Logovia, ocorrida em 2015 e que já trouxe resultados expressivos para a companhia resultante (que manteve o nome da We Do Logos). Foi um choque de realidade, de cultura, de gestão que formou uma empresa muito maior e mais coerente.

A história das duas começou no começo da década: a We Do Logos foi pioneira no mercado, nascendo em 2010, enquanto a Logovia nasceu um ano depois – em Fortaleza. O que as duas faziam era basicamente a mesma coisa: “unimos o freelancer ao cliente que quer um logo, um nome para a empresa, uma identidade visual, um layout de site”, explica Pedro Renan, sócio-fundador da Logovia e atual CMO (Chief Marketing Officer) da We Do Logos.

O produto é bastante interessante e cria uma oportunidade de atingir um mercado gigantesco. “O cliente entra, escolhe um produto, define quanto quer pagar, faz um briefing e joga no ar. Vários designers criam suas versões e o cliente escolhe o que preferir. Ou não escolhe nenhum, o risco é zero”, afirma o empreendedor.

Ambas as empresas apostavam nesse modelo. “É um modelo muito disruptivo, pois atendemos pequenos empreendedores, que não eram atendidos por agencias e gráficas. Hoje todo mundo é ‘Uber de alguma coisa’… podemos ser o Uber do design!!”, exclama. De fato, se a ideia é popularizar os serviços de design como o Uber está fazendo com o transporte nas cidades, o objetivo está sendo alcançado.

Contudo, antes da fusão ambas as empresas eram radicalmente diferentes: tinham trajetórias diferentes, métodos diferentes e visões diferentes de como fechar uma venda. Ambas tinham feito processos de aceleração: a Logovia na Tree Labs, enquanto a We Do Logos participou da 21212. Se a companhia carioca se manteve em seu lugar de origem, a Logovia havia se mudado de Fortaleza para São Paulo, onde concentrava suas ações.

A We Do Logos era determinada a crescer só com seu próprio dinheiro, o chamado bootstrap, enquanto a Logovia chegou a captar R$ 600 mil, aportados por um fundo comandado por um brasileiro e um israelense, a Initial Capital. A guerra estava lá, mas… os fundadores das companhias entenderam.

Foi assim que começaram as conversas. “Sempre namoramos uma fusão, pois os parceiros eram os mesmos, os freelancers eram os mesmos, então batemos um papo em 2014. Não aconteceu naquela época, nós da Logovia havíamos acabado de receber um investimento”, lembra.

As conversas foram retomadas, pouco depois e, em 2015, finalmente a fusão foi acordada´- decidindo manter o nome da empresa que era líder do mercado na época, a We Do Logos. “Não fazia sentido ficarmos separados, a gente brigava pelo mesmo bolo, então não era melhor a gente ter o bolo ao invés de brigar por pedaços?”, diz.

A primeira coisa a ser feita foi convencer a Initial Capital de que a fusão era uma boa operação para as duas empresas. E, destaca Pedro Renan, isso foi super simples. “Foi muito tranquilo com o investidor, a gente sempre falava para isso. Eles iam ser diluídos, mas era melhor ter menos de mais do que mais de menos”, afirma.

A primeira coisa a se destacar foi que isso abriu muito espaço para o crescimento da nova empresa. “Passamos um ano com os dois sites separados, mas janeiro de 2016 matamos a Logovia. Foi um ano de bastante aprendizado. Logovia tinha um layout completamente diferente, um fluxo e preços muito diferente. Então conseguíamos fazer muitos testes por ter esses dois sites correndo separados”, destaca.

Por serem mentalidades muito diferentes e um choque de culturas muito grande, o resultado foi descobrir o que era bom em cada uma delas. “Logovia era muito mais data-driven, enquanto a We Do Logos tinha uma equipe de vendas muito maior. Na Logovia apostávamos que tudo tinha que ser automático, enquanto a We Do Logos acreditava que nem tudo tinha que ser escalável”, diz.

No início do ano da fusão, as sinergias pareciam óbvias – agora juntas, havia muita redundância nas duas equipes. “Tínhamos um problema gigantesco, as equipes das duas startups eram em dobro. Mas as receitas não eram em dobro”, salienta. Resolveram mudar todo o time para o Rio de Janeiro e só uma das pessoas que moravam em São Paulo aceitaram ir para a cidade maravilhosa.

Mas a filosofia, e hoje Pedro Renan destaca que os processos estão muito mais próximos do “meio-termo” entre a escalabilidade da Logovia e a formidável equipe de vendas da We Do Logos. Com isso, os resultados começaram a aparecer pouco depois. “Essa mescla ficou muito melhor que antes, foi melhor para todo mundo e os números estão se provando. Quando matamos a Logovia, foi a nossa melhor decisão. Tem muito ego envolvido, mas no fundo todo mundo quer ganhar mais que o que gasta. E desde então duplicamos as nossas receitas”, destaca.

Atualmente, a empresa está focada em uma única coisa: crescimento de suas operações, para que, lá na frente, ela comece a gerar lucros – a estratégia de boa parte das startups. “A gente não está se preocupando em ter lucro, nossa meta é ter lucro zero. Nosso faturamento dobrou, mas continuamos tendo lucro zero”, afirma Pedro.

É importante que esse processo seja feito com o dinheiro que a empresa já está gerando através de suas operações atuais. “Somos break-even, mas não procuramos o lucro. Fica muito mais fácil e muito menos arriscado ser assim com o nosso próprio dinheiro do que com o dinheiro de investidores. A maioria das empresas que busca não ser rentável faz isso com o dinheiro dos outros. Não crescemos num patamar tão estrondoso quanto negócios que fazem isso, mas é menos arriscado”, termina o empreendedor.

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