Como uma equipe está construindo um trem mais rápido que um avião "sem gastar nada"

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Por Paula Zogbi

17 de novembro de 2015 às 11:30 - Atualizado há 5 anos

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Em 2019 já será possível chegar de Washington a Nova York em um “trem” sustentável que anda a 1.200 km/h – mais rápido do que um avião. Pelo menos é isso que promete Dirk Ahlborn, CEO da Hyperloop Transportation, companhia que se propõe a mudar a forma como as pessoas se transportam para sempre.

O projeto já faz barulho desde 2013, quando concebido por Elon Musk e amplamente comentado na mídia, mas foi só em dezembro de 2014 que as pesquisas mostraram que o tubo de alta velocidade realmente seria possível, de acordo com Ahlborn. A partir daí, as pessoas começaram a se interessar pelo projeto, e hoje já são mais de 450 profissionais trabalhando para transformar o Hyperloop em realidade. O impressionante? Eles estão trabalhando de graça.

“É só pedir”
“São mais de US$ 11 milhões em horas de força de trabalho, e as pessoas e empresas estão fazendo isso voluntariamente”, afirmou Dirk no evento Innovators Summit, que ocorre nos dias 16 e 17 de novembro em São Paulo. “É impressionante o tanto de ajuda que você pode conseguir se simplesmente pedir”. Aliás, qualquer um pode se inscrever no site hyperlooptransp.com para tentar fazer parte da equipe voluntariamente – uma estratégia que eles chamam de crowdstorm. “Hoje fazemos tudo através da internet, o que é ótimo. Mas na hora de construir uma empresa é você e aquele cara na sua frente. Apenas peça, os resultados são incríveis”, enfatiza o empreendedor.

Nem mesmo a SpaceX, de Musk, participa deste processo, que foi apenas imaginado pelo famoso empreendedor. “Não estamos interessados em construir um Hyperloop comercial nós mesmos, mas sim em desenvolver um protótipo funcional”, escreve o site da empresa.

De acordo com ele, o patrocínio de algumas das maiores empresas do mundo também foi essencial para que o projeto se tornasse realidade. “As empresas de transporte são ‘dinossauros’, elas se movem devagar e usam tecnologias ultrapassadas. É por isso que elas são uma droga”, afirma Dirk, que acredita que as empresas que compreendem a inovação são as que se darão bem no mercado no futuro.

Além da inteligência dos voluntários e dos recursos das empresas, também foram cedidas as terras por onde passará o trem. “Conseguiremos implantar o Hyperloop sem maiores dificuldades porque a própria comunidade nos cedeu as terras: elas são privadas. Há países onde a regulação pode demorar 20 anos”. Mas ele acredita que até mesmo este desafio pode ser superado na conversa: “alguns lugares simplesmente precisam do Hyperloop, eles não têm outra opção. Mesmo quem tem medo, quando explicamos que é como se fosse um trem, e que é ainda mais seguro, a figura muda”, complementa.

Para todos?
Dirk não gosta de quem compara o Hyperloop a uma tecnologia do outro mundo. “Algumas pessoas me dizem ‘que legal, você está construindo uma espaçonave!’ Na verdade é mais como um Uber, estamos construindo algo que as pessoas podem usar diariamente, e que vai facilitar a vida de todas elas. Tem que ser tão fácil quanto apertar um botão”, profetiza.

Além de facilitar a vida das pessoas e diminuir o tempo de deslocamento entre metrópoles – “somos uma grande linha de metrô”, afirma o CEO – o Hyperloop também quer diminuir a poluição nas grandes cidades. “Em Pequim, onde estive na semana passada, eu não conseguia ver minhas mãos por conta da fumaça”, diz, simulando o movimento de olhar para os dedos, “nós usaremos energia solar, eólica, cinética e até termal; e construiremos um modelo que consegue gerar energia ao mesmo tempo. É completamente verde”, garante.

O maior diferencial do Hyperloop para os demais meios de transportes urbanos é a rentabilidade. “Vocês sabiam que nenhum modelo de trem que existe hoje gera receita? O Hyperloop será rentável em 8 anos, isso nunca seria possível com os modelos atuais”. Isso poderia significar que o túnel jamais seja acessível para a população como um todo, já que busca lucro – mas o site da companhia afirma que os custos mais baixos de construção também serão traduzidos em passagens mais baratas.

A construção do primeiro trem já começará no segundo trimestre do ano que vem, afirma Dirk. “E estão todos convidados para a inauguração em 2019”, encerra.