O desafio da Coinbene: formar investidores em moedas digitais

Para Sofia Fang, diretora de operações da startup, o brasileiro está começando a compreender a importância das criptomoedas para negociações no mercado global

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

24 de outubro de 2018 às 17:17 - Atualizado há 1 ano

Coinbee

Aos 12 anos, Sofia Fang saiu da China, seu país natal, para se mudar para o Brasil com sua família. Sem falar a língua ou conhecer os costumes dos brasileiros, ela passou parte da adolescência em contato com imigrantes. Anos depois, deu início à sua jornada profissional como comerciante. “Aos poucos, fui aprendendo a língua portuguesa e consegui me aproximar das pessoas. Superar obstáculos e transformar minha vida me ajudou muito profissionalmente”, afirmou Sofia durante o China Day Conference 2018.

Depois de trabalhar como comerciante, ela passou por áreas como financeiro e administrativo, mas hoje trabalha de forma diferente e inovadora. A executiva é diretora de operações da Coinbene, uma startup global que funciona como uma corretora de compra e venda de moedas digitais. Fundada em novembro de 2017, a empresa tem escritórios em Hong Kong, Malásia, Índia e Brasil. Hoje, os brasileiros podem acessar a plataforma para usar reais para negociar quatro criptoativos: Bitcoin (BTC), Ether (ETH), Ripple (XRP) e Tether (USDT).

Ainda pouco exploradas no Brasil, as moedas digitais já são muito conhecidas no ecossistema chinês. Para Sofia, a cultura do país tem grande influência nesse cenário, e fez com que ele facilmente se adaptassem às moedas digitais e outras inovações. “Na China, todos são muito abertos e se adaptam rápido às novidades. Hoje, os chineses não usam mais cartão de crédito. Tendo um celular com aplicativo você consegue facilmente fazer tudo o que precisa”, contou a executiva.

Segundo Sofia, o brasileiro está iniciando essa evolução no mundo das tecnologias. “Hoje, cerca de 135 milhões de pessoas possuem conta bancária. Esse número pode se transformar amanhã em usuários do mundo das criptomoedas”, ressaltou. Para a executiva, a parceria entre Brasil e China é essencial para isso. “Os chineses têm bastante experiência no crescimento e desenvolvimento de tecnologias. Além disso, são um dos maiores investidores do Brasil nos últimos anos”. Hoje, a plataforma da Coinbene já tem 1,5 milhões de usuários ativos no mundo, e pretende conquistar ainda mais os brasileiros. “Temos mais de 200 pares de moedas negociadas. São pessoas que estão treinando e negociando diariamente”, disse Sofia.