Como alguém pode perder R$ 122 milhões e isso ser considerado bom?

Da Redação

Por Da Redação

24 de abril de 2017 às 11:30 - Atualizado há 3 anos

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A notícia que o Nubank teve um prejuízo de R$ 122 milhões no ano passado foi interpretada, por várias pessoas, da forma contrária a que deveria. Ao contrário de uma empresa prestes a falir e com problemas, os números no balanço do Nubank mostram que ele nunca foi tão forte. E o prejuízo, na verdade, é algo que estava sendo planejado pela companhia.

Veja bem, a lógica do mundo das startups é diferente do mundo das empresas estabelecidas. Enquanto uma empresa estabelecida provavelmente só registraria prejuízo se tivesse errado alguma coisa, aqui, um prejuízo é uma coisa boa desde que ele seja resultado da decisão de crescer e não da má administração de uma empresa. A ideia é crescer, crescer, crescer até o momento em que você pode “virar a chavinha” e começar a registrar lucros muito mais fortes do que teria se estivesse preocupado com isso desde o começo.

Outras grandes empresas fizeram isso, como Uber, 99, Tesla e até o Facebook. Uma companhia nasce e inicia seu processo de validação (que ensinamos você a fazer) para determinar o que está correto e incorreto em seu plano de negócios e adaptar-se conforme o pedido do mercado. Se aquele produto é necessário, você aprende neste momento.

Geralmente, começa-se com um MVP (Mínimo Produto Viável), uma versão MUITO básica do seu produto final. Ali, você acaba angariando seus primeiros clientes e mudando bastante seu negócio conforme o tempo vai passando. É uma fase de aprendizado, até o momento em que você decidir que basta e que está pronto para o crescimento de verdade.

Neste momento você tem duas opções: ou tenta fazer a empresa ganhar dinheiro e alimenta o crescimento com isso, ou busca um investimento (que também lhe ensinamos a buscar) e usa este dinheiro para crescer em níveis absurdamente rápidos. Chamamos este momento e este processo de “escala”, que é quando sua startup vai, de fato, escalonar todos os processos para atingir muito mais clientes do que antes.

É o que o Nubank está fazendo: usando o dinheiro dos outros para alimentar um crescimento expressivo. Com R$ 500 milhões em caixa e acesso aos principais investidores do mundo, fica até fácil passar por este processo sem ter que se preocupar com perder ou ganhar dinheiro. E veja bem que as despesas cresceram, mas as receitas da companhia cresceram ainda mais – impressionantes 644%.

Esse processo serviu para que a marca Nubank se tornasse muito conhecida do brasileiro – e não mais um cartão de crédito hipster entre os early-adopters do mundo de startup. Dentro da startup, tenho certeza que eles calcularam duas coisas importantes: o cash burn (quanto dinheiro está queimando por mês) e o burn rate (quanto tempo a companhia pode queimar dinheiro até que ele acabe). Ter um caixa fortalecido é importante para que ela consiga fazer isso por um longo período de tempo.

E olhando para o Nubank, podemos dizer que seriam necessários quatro anos mantendo tudo igual para que a empresa queimasse todo o seu caixa. Mas eles devem acelerar ainda mais o consumo e, daqui algum tempo curto, resolver que está na hora de começar a ganhar o dinheiro. Afinal, assim é uma forma muito válida de construir um grande negócio.

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