“Comece o negócio com o mínimo de capital possível”, diz Tallis Gomes

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

29 de março de 2018 às 08:22 - Atualizado há 3 anos

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A startup Singu, fundada por Tallis Gomes, levantou R$ 10 milhões em uma rodada de investimento liderado por duas das principais famílias do mercado de beleza do país. O empreendedor também é o fundador da Easy Táxi, um dos principais aplicativos de mobilidade urbana do Brasil, já presente em outros mercados do mundo. Tallis se afastou da companhia quando ela ainda era líder de mercado no Brasil.

Em uma entrevista para a StartSe, Tallis Gomes deu dicas para empreendedores e compartilhou como foi sua trajetória de validação e busca por investimentos no negócio. “Eu recomendo que o empreendedor busque investimentos com amigos próximos, se não tiver ele mesmo o próprio recurso para iniciar. Comece o negócio com o mínimo de capital possível, fazendo e validando o seu MVP para entender a recepção do produto pelo mercado”, comentou. No início, com o MVP, a Singu oferecia diversos tipos de serviço: yoga, maquiagem, corte de cabelo e até personal trainer. A experiência acabou mostrando que, na verdade, os serviços mais atrativos na plataforma eram a depilação, manicure e massagem – opções que a startup oferece hoje.

O MVP também serviu para avaliar a escalabilidade do negócio. Quando a Singu começou a sua operação, uma jornalista da Veja São Paulo utilizou os serviços de yoga e manicure e escreveu uma matéria sobre a startup que saiu na capa da revista, que é uma das que possuem maior circulação no mundo. A matéria trouxe muitas demandas para a startup, que teve que esquematizar um plano para escalar o negócio.

“Foi bom porque a gente pôde acelerar o processo de validação. Vimos que o negócio tinha de fato tração e poderíamos melhorar o escopo dos nossos serviços. Vimos que teríamos dificuldade de escalar. Hoje a gente treina as pessoas que vem trabalhar conosco, fazemos checagem criminal, background check de onde já trabalhou e um teste físico. É um negócio complexo para começar a escalar”, comentou Tallis. Mas foi a percepção de que o serviço é agendado que a startup entendeu que não precisaria de muitos profissionais para escalar o negócio, já que os colaboradores atendem de 6 a 8 pessoas por dia.

Como consequência, a startup passou a ter um filtro ainda maior de qualidade. “85% das pessoas que se candidatam a trabalhar com a Singu são recusadas, porque a gente pega somente o crème de la crème”, afirmou o empreendedor.

Investimentos

Mas apenas ter o produto validado e tracionando não é garantia de que está na hora de receber investimentos. “A hora de levantar capital é a hora que você sabe exatamente qual é o seu CAC (Custo de Aquisição de Cliente, clique aqui para saber mais), quando você já sabe qual é o seu LTV (Lifetime Value), nome que a gente dá para o quanto de dinheiro que cada cliente gasta na sua plataforma, produto ou serviço durante o tempo de vida dele, e quando sabemos em quanto tempo recuperamos o investimento”, comentou o fundador da Singu. “Quando temos esses números, temos o que chamamos de ‘máquina de crescimento’ – eu sei exatamente quanto de dinheiro eu vou precisar para chegar na próxima fase estratégica do negócio”.

Para o empreendedor, é necessário buscar dinheiro com fundamento, trazendo números e expectativas reais para apresentar aos investidores. “Se você chega com um fundamento para um investidor, ele já sabe para onde a empresa está indo. Essa é a melhor hora de se captar investimento pois acontece o que aconteceu conosco, que nem chegamos a abrir no mercado – falamos com quem queríamos falar e conseguimos fechar o investimento trazendo não só o dinheiro, mas o conhecimento dos investidores no mercado”, comentou.

Captar investimento apenas para acelerar o crescimento sem estudar o mercado também não é recomendado, pois em alguns casos, é necessário dominar algumas regiões importantes antes. “Eu achei que ia expandir muito mais rápido o negócio e não expandiu, acabamos ficando concentrados nesse mercado que somos melhores, o que foi uma visão”, explicou o fundador. Atualmente, a startup está presente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

“Eu tenho mentores que são muito bons e conseguem me direcionar bem. Eles me disseram para ter foco onde importa, que expansão muito rápida acaba criando mais vaidade do que é justificável financeiramente. Então por mais que o esperado é que fôssemos estar muito maiores geograficamente – e a gente conseguiria estar muito maior e em outros países se quisessemos -, a gente optou por focar nos mercados que temos maiores possibilidades primeiro”, disse Tallis Gomes, que também descreveu a trajetória de investimentos da Easy Táxi no livro “Nada Easy”. Conheça como startups realizam captação de investimentos em nosso e-book gratuito.

Atualmente, a Singu é uma plataforma para prestadores de serviço de beleza se conectarem com o público. Os profissionais, na maioria mulheres, ficam com 70% do valor dos serviços. Em salões de beleza e clínicas de estética, por exemplo, os estabelecimentos costumam ficar com 70% do valor – o que é um contraste muito grande sobre a alternativa oferecida.

O empreendedor já conhecia a dor dos profissionais de beleza pois sua mãe é cabeleireira. Como consequência, utilizou a tecnologia para sanar o problema, trazendo uma nova alternativa aos profissionais. “A Singu dá liberdade para essas mulheres, elas criaram o caminho, trilham e fazem suas próprias escolhas”, comentou.

O empreendedor ainda destaca o papel social da startup ao dar novas possibilidades inclusive a mulheres em situação de violência doméstica. “Temos casos maravilhosos de chorar de emoção de mulheres que relatavam violência doméstica e, com filhos, não conseguiam simplesmente sair de casa sem renda complementar. Com a Singu, elas conseguiram juntar dinheiro e sair de casa”, explicou. Uma manicure que trabalha no aplicativo ganha em média R$ 3 mil reais, mas o valor pode chegar até R$ 6 mil mensais.

Edtech e fintech: os setores mais promissores de startups

Tallis Gomes percebeu uma necessidade do mercado de beleza e criou a solução. Para ele, empreendedores têm o papel de resolver problemas. Apesar de destacar o mercado de fintech e edtech como os mais promissores atualmente inclusive no mercado de investimentos, Gomes aconselha que o empreendedor se aplique em uma área que gosta.

“O empreendedor que dá certo geralmente é aquele cara que resolve um problema e está apaixonado por ele, porque é muito difícil passar por essa jornada. É extremamente complexo trabalhar 70, 80, 100 horas por semana e demorar anos para ter algum tipo de resultado financeiro”, afirmou. O empreendedor ainda exemplificou dizendo que, na própria Singu, ficou quase dois anos sem receber nenhum tipo de salário por escolher usar o dinheiro para contratar pessoas competentes para trabalhar na startup. Hoje a startup cresce em média 30% ao mês e possui mais de 2 mil profissionais cadastrados e 200 mil usuários.

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