Com filial de produtora em NY, “anti-herói” brasileiro prefere a terra natal

Avatar

Por Paula Zogbi

1 de dezembro de 2015 às 16:23 - Atualizado há 5 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

Aos 27 anos de idade, Lincoln Chessa se considera, em certo sentido, um anti-heroi. “Todo mundo achava que a minha ideia não ia dar certo. O modelo que eu comecei é completamente diferente das formulinhas que são aplicadas nas produtoras daqui, por essa vontade de agir de forma diferente do padrão da indústria, resolvi chamar meu empreendimento de Anti-Herói também”.

Tem dado certo. Com cerca de um ano de funcionamento, a produtora já tem cinco funcionários nos Estados Unidos, rumando ao sexto, e 15 na filial brasileira.

Diferentemente de boa parte dos brasileiros, Lincoln não começou seu negócio com a intenção de exportar para fora, mas sim de retornar ao Brasil. “Comecei a produtora com uma amiga brasileira minha, estávamos os dois morando nos Estados Unidos. Hoje é ela quem cuida da filial de lá, e a produção daqui é tocada por mim. Minha ideia sempre foi usar o que aprendi lá e trazer a empresa para cá depois”, diz.

Formado em Cinema e em Rádio e TV, Lincoln nunca subestimou o poder de aprender também sobre administração e finanças antes de se aventurar no empreendedorismo. Enquanto se organizava para criar a empresa, ele frequentou cursos intensivos de acompanhamento de carreira. “As aulas eram das 9h às 21h, com atividades aos finais de semana”, relembra o empreendedor, que se organizou e já tinha dinheiro guardado para seguir seus sonhos antes de começar. “Eu tinha uma base de investimento, desse lance de administração. Foi mais complicado achar uma identidade visual de impacto, porque o dinheiro eu já ia contando, aplicando em CDIs, esse tipo de coisa”, comenta ele.

Os clientes vieram com o boca-a-boca e a divulgação na internet. “Já conhecia algumas pessoas, para as quais fomos realizando os trabalhos. O que produzimos já vai pela internet, YouTube, Mídias Sociais, e depois as pessoas e distribuidoras encontram por aí”, explica.

Duas nacionalidades

Em tempos de crise e desvalorização cambial no Brasil, há muitas pessoas “fugindo” ou exportando suas produções, para receber em moedas mais valorizadas do que o real. É comum vermos companhias vendendo tecnologia ou mesmo marcas para fora do país, aproveitando que o que “custa mais barato” para eles também gera mais lucro para o mercado brasileiro. Mas esse não é o caso da Anti-Herói.

Por enquanto, tudo o que é produzido nos EUA fica nos EUA, e o que é feito no Brasil é para o mercado brasileiro. Mas, de acordo com Lincoln, isso pode mudar em breve. “Tem projetos em que faremos essa troca de exportar ou importar a produção, fazer daqui para clientes de lá e vice-versa”. Mas o foco é sair das exigências externas. “Estamos fazendo de tudo um pouco, treinamos a equipe para saber lidar com todos os tipos de produção audiovisual, mas a ideia é focar em produções próprias assim que possível”.

De acordo com Lincoln, seu diferencial é a qualidade do trabalho que oferece, e se ele precisasse escolher apenas um dos países, se manteria no Brasil. “Aqui, qualquer pessoa com uma câmera já vira uma produtora. Mas lá tem muito mais concorrência qualificada, o mercado é mais acirrado; aqui a produção qualificada é mais rara, e eu tenho conseguido isso. Preferiria ficar aqui, porque no Brasil eu tenho algo a acrescentar. Não vejo por que ir embora”, diz. “O essencial é você conhecer o mercado do país, seja ele o seu de origem ou qualquer outro”.

“O problema do Brasil é o imposto”

Lincoln garante que não teve dificuldades em abrir seu negócio, nem nos EUA e nem no Brasil. “O processo é o mesmo, as documentações, as burocracias, o que é diferente aqui no Brasil é que precisamos pagar por muito mais coisas”, explica. “Um funcionário aqui no Brasil custa o dobro do salário que eu pago para ele, e todas as transações e documentações, qualquer coisinha que você queira mudar, tem um imposto diferente. Lá, eu pago um imposto só e pronto”.

Segundo ele, nem mesmo o visto foi problemático. “Desde que você prove que tem o capital, mostre todas as documentações, você vai conseguir o visto”, ele diz. “A burocracia demora uns 4 ou 5 meses, mas se você provar que tem renda não encontrará problemas”.

Subir é mais fácil que se manter no topo

Lincoln é mais um exemplo de que empreender pode ser uma ótima opção para quem não quer sentir a crise. “Se você tiver uma preparação, dinheiro guardado e não cometer loucuras, não tem como a crise te pegar, pelo menos de começo”, afirma o empreendedor. “É muito mais fácil a recessão atingir empresas que já estejam estabelecidas, porque quando seu negócio é novo, você tem a opção de mudar de rumo quando percebe que não está dando certo. As grandes empresas não podem fazer isso”.

Ele acredita que um sonho bem planejado tem tudo para dar certo. “Saiba o que você está fazendo, conheça o seu ambiente e tenha algo novo a oferecer. Quando eu voltei para cá, já sabia o que fazer pelos seis meses seguintes. A palavra chave é planejamento”, aconselha o cineasta.