Cabify irá investir US$ 20 mi, em 5 anos, em time de tecnologia no Brasil

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

18 de junho de 2019 às 17:36 - Atualizado há 1 ano

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A Cabify, startup espanhola de corridas por aplicativo (ou ride-hailing), está investindo em sua atuação no Brasil. Nesta terça-feira (18), a empresa anunciou que irá investir mais de 20 milhões de dólares para dobrar sua equipe de tecnologia em São Paulo nos próximos cinco anos.

Atualmente, a companhia possui um centro de desenvolvedores em São Paulo e outro em Madri. Além do investimento em tecnologia, a Cabify pretende dobrar o faturamento e o número de viagens no Brasil até o final de 2019. A empresa não revela os dados de funcionários, faturamento ou número de viagens.

A Cabify, no entanto, divulga algumas iniciativas para crescer rapidamente no território brasileiro. A primeira é a redução dos preços das corridas, ao mesmo tempo em que os motoristas pagarão taxas menores. A partir de agora, a taxa da empresa em São Paulo será de 10%, a qual descreve como “a menor taxa do mercado”.

As taxas são variáveis de acordo com cada cidade. Campinas é o local com as menores – 0% entre 6h às 8h59 e 16h às 18h59, de segunda a sexta, e 10% nos demais horários. Já Brasília é o local com as maiores taxas, de 10% para o mesmo período, das 7h às 9h59 e 17h às 19h59, e 20% nos horários alternativos.

Além disso, a empresa também está apostando em uma relação custo-benefício melhor para os clientes. Ela passou a aceitar o débito (inicialmente no Bradesco, Banco do Brasil e Banco Original) e pagamento em dinheiro. Os motoristas poderão escolher se desejam aceitar dinheiro em espécie ou não, por motivos de segurança.

A possibilidade de aceitar dinheiro como método de pagamento foi uma construção do time de desenvolvedores da Easy Táxi. No início deste ano, as duas empresas de corridas por aplicativo anunciaram a conclusão da integração de operações. A brasileira Easy (que deixou o sobrenome “Táxi” para trás) foi comprada pela empresa espanhola ainda em 2017.

Nova liderança e mais sustentabilidade

A operação da Cabify no país agora está sendo liderada por Pedro Meduna. Ele é administrador formado pela Fundação Getúlio Vargas e entrou na holding do Cabify em 2016. O Cabify integra o grupo Maximobility, que possui outras startups como a Movo (de scooters e patinetes elétricos) e Lana (uma fintech de carteira digital) no portfólio.

Meduna assumiu o cargo de Country Manager em junho deste ano. Antes, ele atuava como CEO da fintech Lana. Ele foi um dos fundadores da startup de caronas Tripda, na qual começou a trabalhar com mobilidade urbana.

Um dos principais projetos da Cabify neste ano (e que deve ser até 2030, conforme pacto global da ONU) é na sustentabilidade. Com uma campanha focada em “Escolhas inteligentes” (uma alusão às “cidades inteligentes” ou smart cities), a empresa deseja neutralizar toda sua emissão de carbono.

Com o auxílio de uma consultoria, a Cabify calculou a emissão do carbono desde às viagens do aplicativo até a distância percorrida pelos funcionários até o trabalho. A empresa compensa a quantidade emitida através de colaborações com o projeto Madre de Dios, que emprega comunidades locais para prevenir o desmatamento na Amazônia.

O novo escritório da empresa, localizado no bairro Itaim Bibi, em São Paulo, também segue a mesma linha. O local possui o “Espaço Carbono Neutro”, em que as tintas de parede usadas são zero carbono e a grama artificial é feita de plástico reciclado. Além disso, os bancos também são feitos de madeira reflorestada e os copos são de papel.

“Nós buscamos ter uma operação saudável na sustentabilidade e financeiramente”, comentou Meduna. “Nós já possuímos lucro operacional no Brasil e acreditamos que a Cabify é a empresa do setor mais próxima da rentabilidade global”.

Um aplicativo multimodal

Ainda no quesito sustentabilidade, uma novidade que chegará no segundo semestre deste ano no Brasil também irá contribuir no setor. É a Movo, startup espanhola da qual a Cabify é acionista. A Movo possui scooters e patinetes elétricos e funciona a base do compartilhamento. Até agora, a empresa está presente em capitais de países da América Latina como Colômbia, Argentina, Peru, Uruguai e Chile.

A integração com a Easy permite que os clientes da Cabify agora possam pedir por táxis dentro do aplicativo. “O taxista passa a ter acesso a uma base maior de clientes, principalmente porque o Cabify não está em todas as cidades. Nesse caso, a Easy fica disponível e é a única opção no aplicativo. 20% das viagens da Easy já vem do Cabify”, comentou Pedro Meduna.

Com a chegada da Movo no Brasil, a objetivo é que os usuários possam ter acesso também a patinetes elétricos. “Queremos que o Cabify integre vários modais e atue no ‘Mobility As a Service’, para que o cliente pegue um carro ou patinete depois que sair do metrô, por exemplo”, explicou o Country Manager.

O “Mobility As a Service” é a “mobilidade como um serviço”, no qual independente do modal escolhido, a Cabify atuará no transporte nas cidades. “Nossa missão é tornar as cidades mais habitáveis proporcionando uma alternativa segura, confiável e eficiente ao veículo privado. Estender o efeito positivo da tecnologia além da mobilidade fazendo o uso da recorrência, análise e inovação”, descreve o novo líder da Cabify no Brasil.

Atualmente, a empresa está operando em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Campinas e Santos. “Estamos com uma ‘agenda brasileira’, o plano de expansão para Fortaleza, Salvador e Recife é para os próximos 12 meses”, finaliza Meduna.