Busca por startups bilionárias está se tornando irresponsável, diz CEO de unicórnio

Para Pieter van der Does, CEO da Adyen, fundadores de empresas estão agindo irresponsavelmente para conseguir altos valuations

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Por Paula Zogbi

12 de abril de 2016 às 14:14 - Atualizado há 4 anos

SÃO PAULO – O sonho de boa parte dos empreendedores de startups é que suas companhias tornem-se “unicórnios”, ou seja, consigam um valor de mercado superior a US$ 1 bilhão. Esta ambição, embora importante para impulsionar o setor, pode estar se tornando problemática, segundo Pieter van der Does, CEO da empresa de pagamentos Adyen, que trabalha com parceiros como Spotify, Netflix e Uber.

As empresas unicórnios, vistas como raridades, eram alvo de investidores de risco, que antes batalhavam pela oportunidade de participar de alguma forma dos negócios, porque cada uma delas compensaria por todas as outras startups investidas que não deram certo (aproximadamente 7 a cada 10). As unicórnios, para especialistas, serão as grandes responsáveis por “matar” as grandes empresas em alguns anos.

Em 2015, porém, o conceito deixou de ser raridade, e muitas jovens empresas de tecnologia passaram a receber altos investimentos e entrar na lista de unicórnios, como mostrou este gráfico publicado em janeiro. Há 146 unicórnios ao redor do mundo (nenhuma no Brasil por enquanto).

De acordo com esta reportagem do Business Insider, Van der Does acredita que esta explosão não é saudável, porque as valuations tornaram-se “um fim em si mesmas”. Segundo disse em um evento na semana passada, os donos dessas empresas fazem termos agressivos de liquidação de preferências para chegar nesses valores de mercados e adentrarem nos rankings de unicórnios.

O grande problema é essa ânsia por ser unicórnio. “Isso levou a um comportamento irresponsável dos fundadores. Se eles não sobreviverem ao enorme prognóstico da avaliação de mercado eles ainda terão feito um ótimo trabalho – é brilhante que em 5 anos você consiga ter uma empresa que valha US$ 500 milhões – mas se eles venderem todas essas ações preferenciais todo esse lucro chega primeiro às mãos dos investidores, então é uma maneira brilhante de acabar sem nada”, explica.

Embora a própria Adyen valha US$ 3,2 bilhões, van der Does acredita que sua companhia não tenha um valor de mercado que pressione as operações, por ser bastante rentável. No ano passado, foram processados 50 bilhões de euros em pagamentos através da plataforma, e a receita em 2015 foi de 330 milhões de euros.