Brasileiros pesquisam 150% mais “carne vegetal”; Fazenda Futuro aumenta portfólio

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

9 de março de 2020 às 17:11 - Atualizado há 7 meses

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

Uma pesquisa do Google demonstrou que, entre 2015 a 2019, a busca de “carne vegetal” por brasileiros na plataforma aumentou 150%. Dentre os 4.335 respondentes, 57% estão dispostos a reduzir o consumo de carne pelo menos uma vez por semana. Paralelamente, a oferta de produtos neste segmento tem aumentado no país: a Fazenda Futuro lançou uma linguiça “de pernil” feita de plantas.

A linguiça é o primeiro produto inspirado em carne suína da startup brasileira. A empresa utiliza proteína de ervilha, soja e de grão de bico e beterraba. Algas são utilizadas para simular a “pele”, trazer crocância e manter o formato da versão animal. A “linguiça do futuro” será lançada a partir de abril de 2020 no Brasil e na Europa.

A companhia divulga que o produto possui “sabor delicado de pernil com toque de especiarias” e que não contém transgênicos, corantes, realçadores de sabor ou aromas artificiais. A linguiça passa a integrar o portfólio da Fazenda Futuro junto ao Futuro Burger 2.0 (versão repaginada do primeiro produto da marca), Carne Moída Vegetal e Almôndega do Futuro.

As “carnes vegetais” ou “feitas de planta” surgiram no mercado global como uma alternativa para o consumo de carne. A expectativa é que o produto seja consumido por quem quer diminuir (mas não erradicar) a quantidade de proteína animal ingerida, o que é comumente chamado de “flexitariano”. Com essa proposta, a carne de planta impacta no mercado de alimentos vegetarianos, veganos e de carne animal. Desde que foi criada, a startup possui a premissa de concorrer com frigoríficos.

“Nós chegamos ao mercado com um objetivo muito claro, que é o de liderar a transformação em uma categoria que nunca trouxe inovação ao consumidor, e trabalhar com tecnologia e propósito sem causar um impacto negativo ao meio ambiente. Estamos aqui para mudar os frigoríficos de uma vez por todas”, afirma Marcos Leta, fundador da Fazenda Futuro, no anúncio.

Interesse cresce no Brasil

A fase em que esse mercado se encontra ainda é o de descobrimento. 37% dos participantes da pesquisa querem entender o que é, afinal, a “carne vegetal”; 36% buscam produtos para substituir a proteína animal; 23% buscam receitas e 4% desejam saber onde encontrar. A pesquisa foi divulgada em dezembro do ano passado.

Para atender a uma crescente produção em escala, a Fazenda Futuro importou máquinas típicas de frigoríficos da Alemanha. Elas foram adaptadas para atender as necessidades da startup. E se hoje a Fazenda Futuro enxerga os frigoríficos como concorrentes, a recíproca é verdadeira. Isso porque a Marfrig, uma das maiores empresas vendedoras de carne do mundo, lançou a sua própria versão de hambúrguer com a base de plantas. O hambúrguer faz parte da receita do “Rebel Whopper” do Burger King no Brasil. Nos EUA, a rede de fast food realizou uma parceria com a Impossible Foods, startup americana do setor.

Embora a Fazenda Futuro seja a líder do mercado brasileiro, ela não está livre da concorrência das startups que também desejam criar a própria carne de plantas. A Behind The Foods lançou produtos deste tipo no ano passado e passa por uma repaginação de marca. Já a NotCo, startup chilena que produz diversos alimentos feitos de plantas, irá lançar o seu “não-hambúrguer” no país ainda este ano. A NotCo conta com investidores como Jeff Bezos e já vende sua maionese e leite feitos de plantas em prateleiras tupiniquins.