Wearables, roupas multiuso e tecido celular: a nova moda

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Por Isabela Borrelli

24 de novembro de 2018 às 11:53 - Atualizado há 2 anos

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O consumidor de hoje mudou. Ele é um misto de desejos específicos, muitas vezes opostos, que estão transformando de forma profunda o mercado da moda. Segundo Karine Liotino, fundadora do Fashion Innovation Bureau e da startup Etiqueta Certa, alguns dos atributos que o público busca hoje são: uma combinação de saúde e comodismo; novidade e familiaridade; tempo e dinheiro; comprar mais e pagar menos; loja online com a experiência do ambiente físico. Como resultado, novas tecnologias surgem para tentar atender demandas tão conflitantes.

Um dos nichos em que a tecnologia está atuando fortemente é o dos tecidos inteligentes, ou smart textile, que já estão revolucionando o mundo da moda.  Confira abaixo as maiores tendências neste segmento:

Wearables

Cada vez mais as novas tecnologias de vestíveis procuram diminuir a distância entre usuário e dispositivo. Uma das grandes tendências do mercado é a interatividade por meio da roupa. “Eu uso roupa o tempo inteiro, então temos que ter tecnologias que unam inovação e informação”, defende Liotino. Um dos exemplos citados pela especialista são as luvas inteligentes para motociclistas, por exemplo, com sensores que possibilitam conectar com o celular e acessá-lo à distância, via Bluetooth ou Wi-fi.

Roupas multiuso

Um jeito de criar moda sustentável! As roupas multiuso conversíveis permitem ao usuário adicionar ou remover partes, como colarinho, mangas, capuzes, bolsos ou outros acessórios. As peças são totalmente recicláveis e podem ser convertidas em matéria-prima de vestuário, embalagem ou outras utilizações. Essa é uma nova maneira de criar moda sustentável.

Tecidos que não são tecidos

Segundo Liotino, a “cotonização” (do inglês cotton, algodão) é um movimento que ganha velocidade no mundo da moda. “Como o algodão é escasso, várias pesquisas estão sendo feitas para a utilização de outras fibras, mais duras e outras fontes celulósicas, para desenvolver tecidos parecidos ou mais gostosos que o algodão”, revela. Algumas das opções são:

Casca de árvore

Uma das alternativas ao algodão, por exemplo, é a criada pelo BarkTex, empresa familiar ugandesa-alemã BARK CLOTH é pioneira no desenvolvimento e produção sistemática de tecidos de casca, e BarkCloth, produzidos a partir de cascas de Ficus Natalensis. Muito fibrosas, as cascas são trituradas, estiradas e trabalhadas pelos agricultores de forma a se obter tecidos, não-tecidos ou material para a produção de compósitos. Podem ser laminados, tingidos, recobertos com teflon e empregados em móveis, luminárias, vestuário e, até mesmo, em carros, já que fornecem maior resistência à fricção e ao fogo.

Pérolas de silicone

Apostando em um processo mais sustentável na fabricação de pérolas nas roupas, algumas pesquisas chegaram à combinação entre seda e silicone.  Segundo Liotino, descobriu-se que quando o silicone passa por entre o tecido de seda, é possível criar formas orgânicas similares a pérolas, com um aspecto tanto natural quanto futurista.

Tecido de café

Uma fibra que respeita o meio ambiente, feita da borra de café que já é usada amplamente na China, mas que, segundo Liotino, ainda não é tão popular no Brasil.

Tecido celular

Karine ainda contou do chamado “cellular textile”, ou tecido celular, é um produto desenvolvido a partir da aglomeração da matéria-prima em pó – geralmente poliuretano termoplástico ou resina de poliamida derretida pela ação de laser e transformada em forma sólida, a partir da impressão 3D. O resultado foi o produto de vestuário apresentado por Katie Gallagher na semana de moda de Nova York em 2014.