"A Revolução 4.0 potencializará todas as outras", diz executivo de agrotech unicórnio

Conversamos com Mateus Barros, líder comercial da Climate na América do Sul, que participará da AgroTech Conference

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O ecossistema de agrotechs mudou quando a primeira startup de agronegócio se tornou um unicórnio. Em 2013, a Climate foi adquirida pela Monsanto, empresa multinacional de agricultura e biotecnologia, e alcançou o valor de mercado de US$ 1 bilhão. Fundada em 2003 por ex-funcionários do Google, hoje a Climate está presente nos Estados Unidos, Brasil, Canadá e começando a entrar na Europa. A aquisição foi o estopim para que players de outros mercados olhassem para o potencial de revolução da tecnologia na agricultura, e a Revolução 4.0 começou a ganhar ainda mais força.

Com a Revolução 4.0, tecnologias como big data, inteligência artificial e internet das coisas começaram a impactar positivamente em um mercado responsável por 23% a 24% do PIB brasileiro – e que experimentou o crescimento acumulado de 14,5% em 2017, segundo o IBGE. Para Mateus Barros, líder comercial da América do Sul da Climate, a Revolução 4.0 – que utiliza a tecnologia para impulsionar e conectar o trabalho dos maquinários já existentes – irá potencializar todas as revoluções anteriores.

Segundo o engenheiro agrônomo, a primeira revolução na agricultura foi a Revolução Verde, formada a partir do uso de sementes híbridas e indústrias de químicos no campo. Já a segunda revolução aconteceu devido ao uso de máquinas, que permitiu o uso de GPS e georreferenciamento. O terceiro movimento que se seguiu foi o de biotecnologia, nos anos 2000, que permitiu o uso de transgênicos e outras várias possibilidades.

“Nosso grande objetivo é ajudar o produtor a tomar decisões com base em dados. Atualmente, um produtor toma, em média, 50 decisões por cada safra plantada – e são feitas com base no próprio conhecimento e intuição”, comenta o engenheiro agrônomo. O foco da Climate é o desenvolvimento de decisões melhores e mais sustentáveis para os agricultores. Hoje, a startup possui mais de 100 mil clientes pelo mundo, principalmente nos Estados Unidos, e mil clientes no Brasil.

“Instalamos sensores em máquinas que criam uma rede baseada em internet das coisas, permitindo a coleta de dados em tempo real, que retornam ao agricultor para melhora de produtividade”, afirma. A conectividade é possível até entre outras fazendas que utilizam diferentes sistemas, trazendo decisões mais assertivas para todo o ecossistema.

No Brasil, a Climate oferece soluções como uma plataforma de gestão de agricultura digital, permitindo o acompanhamento diário de cada hectare e rendimento por máquina. Os mapas de alta resolução permitem a verificação da qualidade das operações, como o nível de umidade na colheita e outros pontos que impactam o produto final.

O agricultor e seus colaboradores podem acompanhar o que está acontecendo na fazenda através de monitoramento nos próprios celulares e tablets, anotando os pontos mais importantes das operações. O monitoramento permite inclusive a previsão do tempo personalizada, calculada a partir das coordenadas da fazenda.

“O advento digital melhora a otimização do tempo - o agricultor pode cuidar melhor do gerenciamento da sua propriedade, pode pensar em uma outra atividade e até passar mais tempo com a família. Inclusive, a digitalização está tornando a atividade rural mais atraente para as novas gerações”, esclarece Mateus.

O uso de tecnologia nas fazendas está permitindo a criação de inúmeros dados, e estes estão cada vez mais acessíveis. Um problema que poderia dificultar a digitalização das fazendas em lugares mais remotos do Brasil e do mundo é a falta de internet, mas o problema já possui solução: as empresas estão adaptando suas soluções para funcionar offline.

A funcionalidade offline permite que as máquinas operem todos os dias coletando informações e assim que encontram um ponto de conectividade, abasteçam as nuvens e algoritmos com as informações. “Para os agricultores, é melhor ter as informações três vezes por dia do que não as ter”, comenta Barros.

Para o engenheiro agrônomo, esse cenário é passível de mudanças. “Se tivéssemos essa conversa daqui dois ou três anos, não falaríamos mais sobre isso. Acredito que com o tempo a digitalização das fazendas terá o interesse também das empresas de telecomunicação”, prevê.

A aplicação de sensores permite a criação de milhares de dados que, aliados à inteligência artificial, estão criando uma tecnologia ainda mais inovadora: produtos preditivos. “A inteligência artificial falará para o agricultor 'Use essa semente, nessa quantidade, nesse momento, que você terá uma maior produtividade na sua fazenda'", comenta Mateus Barros.

Segundo o líder comercial da Climate na América do Sul, esse futuro está próximo: os produtos já estão sendo testados nos Estados Unidos e devem chegar no país dentro de 12 meses.

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