Fazenda urbana Pink Farms diminui trajeto de vegetais até a sua casa

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

31 de julho de 2019 às 08:48 - Atualizado há 1 ano

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Há uma fazenda produzindo vegetais no meio de São Paulo, capital. A Pink Farms, fazenda vertical urbana, está situada no bairro Vila Leopoldina – e os vegetais saem do local embalados e prontos para o consumo, realizando um trajeto muito menor do que o convencional.

Geralmente, as fazendas estão concentradas no interior dos estados por questões de espaço. No entanto, a Pink Farms contorna esse problema ao criar hortas verticais, aumentando a capacidade do terreno. Ao mesmo tempo, os alimentos chegam mais frescos ao consumo, já que o caminho percorrido é menor – o que acaba reduzindo o custo com transporte.

A Pink Farms recebe este nome devido a iluminação ideal criada para as plantas crescerem mais rapidamente. A cor rosa é resultado de uma mistura de luzes vermelhas e azuis percebidas pelo olho humano. “Os comprimentos de onda vermelho e azul, em específico, são os que mais ativam a clorofila para a planta fazer fotossíntese”, explica Mateus Delalibera, um dos fundadores da startup, em entrevista à StartSe.

De acordo com Delalibera, o tempo entre a semeadura e a colheita na Pink Farms é de cerca de 35 e 40 dias, enquanto na fazenda esse período costuma levar entre 65 e 70 dias. Uma das diferenças é que as plantas na fazenda estão sujeitas às mudanças climáticas, enquanto na startup, são criadas em um ambiente controlado.

“O processo produtivo é feito dentro de um ambiente isolado, com tratamento de água e ar. Todos que entram na sala das hortas devem entrar com roupa específica e processo de higienização – a planta já cresce limpa”, conta Delalibera.

Os vegetais são criados livres de agrotóxicos e com o mínimo de contato humano para garantir a qualidade. “Só tiramos a planta do ambiente já embalada e fazemos frequentes testes microbiológicos para entender qual é o nível de contaminação e se é própria para consumo ou não”, disse o empreendedor.

Atualmente, a Pink Farms produz sete diferentes tipos de alfaces. A empresa também comercializa microgreens, vegetais em estado intermediário entre brotos, frequentemente utilizados na decoração de pratos. Em breve, o objetivo é de comercializar outras hortaliças, como rúcula, espinafre e manjericão. Para o futuro, a expectativa é de comercializar frutas, como morango e tomate.

Qual é o preço?

Delalibera descreve o preço como “acima do tradicional, mas não tão acima”. Ele calcula um valor 10% mais caro devido ao processo artesanal e “maior qualidade”. Enquanto um saco de alface pode custar cerca de R$ 6 a R$ 7,50, o fabricado pela Pink Farms custa em torno de R$ 10 a R$ 11, sem a produção em escala.

O principal custo da startup hoje não é o convencional de fazendas: é a energia elétrica, devido a iluminação 100% artificial. Ao mesmo tempo, a agrotech enfrenta uma redução no valor do transporte. “Temos estimativas que algumas fazendas gastam 10% do custo de venda com o frete. Estando dentro de São Paulo, com um produto de margem superbaixa, temos somente o custo da fábrica até o varejo ou restaurante que irá consumir”, explica Matheus. Os custos secundários são em embalagem e mão de obra.

As plantas podem ser encontradas na Mediterrain Padaria Artesanal, Hortifruti Imigrantes, Empório Hortisabor e Terra Madre, todos localizados em São Paulo. Atualmente a produção ainda não é em escala, mas a expectativa é de chegar em 135 toneladas por ano.

O avanço é impulsionado por um investimento de R$ 2 milhões liderado pelo SP Ventures e Capital Lab. O aporte, que foi recebido no ano passado, financiou a criação da fazenda no centro de São Paulo – até então, os fundadores (e engenheiros) Geraldo Maia, Mateus e Rafael Delalibera concentravam a produção em um local de testes em Jundiaí.