A febre Uber: já existem “similares” para quase todo setor, até prostituição

No Brasil, a febre do Uber se manifesta de diversas maneiras, como 99Táxis, 99Freelas e GetNinjas

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Por Da Redação

14 de agosto de 2015 às 12:34 - Atualizado há 5 anos

SÃO PAULO – O Uber é uma das startups de tecnologia mais famosas da história e já vale mais de US$ 50 bilhões – mais que 99,9% das grandes empresas brasileiras, incluindo aí Petrobras e Vale! Não sem razão, a empresa vem inspirando milhares de aplicativos similares – que apostam em “ligar” um prestador de serviço com uma pessoa interessada.

No Brasil, a febre do Uber se manifesta de diversas maneiras, como 99Táxis, 99Freelas e GetNinjas. A lista de empresas com modelo de negócios parecido é longa. Na Alemanha, acaba de sair inclusive um “Uber da Prostituição”, o Uhlala, que pretende expandir de Berlim para o mundo nos próximos meses e ligar garotas de programas e seus clientes.

A premissa de todos eles é quase a mesma: um profissional determina quando e quanto vai trabalhar, quanto vai cobrar e oferece suas próprias ferramentas para o trabalho – no caso do Uber, o carro, e do Uhlala, o corpo. O aplicativo, por sua vez, toma uma parcela do dinheiro por ter intermediado a operação.

Esse modelo de negócio pode ser extremamente lucrativo, mas também extremamente perigoso. No caso do Uber, além de diversos conflitos com taxistas e agências reguladoras, a justiça americana começou a considerar os trabalhadores associados do Uber como empregados – obrigando a empresa a cobrir com todas as regulamentações trabalhistas e jogando os gastos deles para o alto.

A controvérsia é tão grande que o Uber é tema de discussão da eleição presidencial norte-americana, com a candidata democrata Hillary Clinton avisando que esse modelo de trabalho precisa ser “olhado com mais cuidado”. Novas regulações deverão vir por aí e isso pode ser um golpe fatal neste tipo de empresa.

De uma empresa com valor de mercado de US$ 50 bilhões é esperado que ela tenha solidez para não ser destruída por um simples golpe regulatório – afinal, é mais do que Bradesco, Petrobras e Vale, gigantes nacionais que existem há décadas! A sobrevivência pode não ser o caso do Uber, o que frustraria diversos investidores e mostraria a fragilidade de um modelo de negócio que está apenas surgindo.

Mas o que tem permitido valuations tão esticados? No momento, além de uma frenética corrida por start-ups (que já levanta a palavra “bolha” na mídia), existe uma percepção de que a tecnologia está prestes a mudar tudo o que conhecemos e que quem largar na frente e fazer direito ganhará um mercado inteiro e muito dinheiro.

Basta ouvir os sonhos dos fundadores do Uber: transporte barato, eficiente e disponível a todos. Pode não ser esse modelo que vai garantir isso para todos, mas com certeza a tecnologia vai proporcionar mudanças gigantescas no nosso dia-a-dia. Vale o risco, vale o investimento e certamente vale toda essa febre que vemos hoje em dia.