Startup Jobecam faz seleção às cegas e promove diversidade no recrutamento

HRtech, fundada por Cammila Yochabel, faz entrevistas em vídeo que protegem identidade do candidato e usa algoritmo de ranqueamento por palavra-chave

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Fatores como idade, gênero e raça podem se tornar barreiras em processos seletivos, seja por viés intencional ou inconsciente dos recrutadores. A linguagem corporal, inclusive, também pode ser um detalhe que pesa a favor ou contra um candidato durante uma entrevista. A startup Jobecam identificou estes problemas no setor de recrutamento e criou uma solução chamada Seleção às Cegas para minimizar os vieses em processos de contratação.

Criada em 2016, a HRtech (startup do setor de recursos humanos) validou este produto em um processo seletivo da Oracle para oito países da América Latina, incluindo o Brasil. Cerca de cinco mil pessoas realizaram entrevistas online e foram ranqueadas por um algoritmo da Jobecam (apenas de acordo com o conteúdo de suas respostas). Depois, os recrutadores assistiram às entrevistas dos melhores profissionais sem ver a aparência ou ouvir a voz deles. Apenas os finalistas selecionados, que foram até a etapa de dinâmica presencial, tiveram suas identidades reveladas.

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Segundo Cammila Yochabel, CEO e fundadora da Jobecam, o propósito da startup é “unir tecnologia e humanidade no processo seletivo, gerando eficiência e promovendo diversidade”. Em entrevista exclusiva à StartSe, ela ressalta que, hoje, temas como inclusão e diversidade são prioridade para as empresas, mas o viés de seleção inconsciente ainda atrapalha estes valores no mercado de trabalho.

Seleção às cegas

A startup surgiu em 2016 como uma plataforma para vídeo-currículo e entrevistas online. Ao longo do primeiro ano de operação, a Jobecam desenvolveu um algoritmo que ranqueia candidatos de acordo com palavras-chave, definidas pelos recrutadores como importantes para determinada pergunta ou vaga. “De certa forma, já estávamos fazendo uma seleção às cegas, porque não havia viés de seleção humano”, analisa Cammila.

No entanto, no ano seguinte, a Jobecam foi acelerada pela Oracle, e durante o processo identificou uma oportunidade de ir mais além. Foi criada uma solução em que o candidato responde a perguntas criadas pelo recrutador, com um tempo definido, em que sua aparência é substituída por um avatar e a voz distorcida. O recrutador só pode ver o profissional quando este é selecionado para uma fase presencial do processo.

A solução promove a inclusão não apenas pelo fato de proteger a identidade, mas também porque diminui etapas presenciais dos processos seletivos. Ou seja, profissionais que estão empregados ou aqueles que não tem dinheiro para se deslocar a outras cidades, por exemplo, são contemplados. “É um respeito à diversidade, à inclusão, e pensa no custo e nas dificuldades de se deslocar várias vezes por causa de uma vaga”, reitera a CEO.

Segundo dados da Jobecam, a seleção às cegas diminui em 70% o tempo de triagem de candidatos. Os processos tradicionais de contratação podem chegar a custar R$ 6 mil por vaga e demorar até 40 dias. Já com a startup, o processo dura até 7 dias e custa cerca de R$ 1 mil. A plataforma já impactou 40 mil candidatos, realizou 60 mil entrevistas e tem mais de 130 empresas cadastradas.

Tecnologia e humanidade

Cammila Yochabel ressalta que, embora as tecnologias de transcrição de discurso e ranqueamento do candidato sejam parte primordial da Jobecam, o fator humano ainda é essencial no recrutamento. “Ajudamos a reduzir o viés de seleção, mas a decisão final é do humano”, afirma.

“Como recrutadora que vivenciou a fase de entregar currículo por baixo da porta, eu acredito que a tecnologia está vindo para ajudar toda a cadeia. Só acho que temos que ter cuidado ao delegar para o algoritmo uma decisão que é humana. Temos diversos casos recentes de algoritmos com viés”, avisa a empreendedora. A pesquisa do Google e o recrutamento da Amazon são mostras de como a tecnologia pode repetir preconceitos.

Por isso, Cammila rechaça adotar reconhecimento facial e visão computacional na Jobecam. “Focamos nas habilidades e nas experiências, não temos interesse nas informações que a aparência ou a linguagem corporal podem nos trazer”, afirma.

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