Fintech Pi Investimentos dá acesso a gestão de fortuna para quem tem R$ 30

Startup, que pertence ao Santander, traz modelo digital com sistema de pontos e produtos financeiros que eram exclusivos de grandes investidores

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Ao invés de assistir passivamente às fintechs revolucionando o mercado de investimentos, o Santander decidiu entrar na onda. O banco fundou no início do ano passado, no Brasil, a Pi Investimentos, uma startup digital que promove o acesso fácil a produtos de alta qualidade, com taxas mais baixas e um inédito sistema de pontos.

Embora seja muito cedo para definir o sucesso ou fracasso da empreitada, o case de intraempreendedorismo mostra a importância de se pensar na disrupção dentro do próprio negócio. “Seremos concorrentes do banco, sim. Para a instituição, o importante é garantir ao consumidor a possibilidade de optar pelo modelo mais adequado para atingir seus objetivos”, afirma Felipe Bottino, CEO da Pi Investimentos.

Antonio Miyashiro, head de Data Analytics da fintech, concedeu entrevista exclusiva à Startse e ressaltou que todo o setor bancário está se mexendo neste cenário em que a inovação se torna norma. “O Santander, como todos os grandes bancos, está repensando sua estratégia de investimento. E, ao invés de planejar uma defesa, decidiu partir para o ataque”, diz o executivo.

Taxas menores, produtos melhores

A plataforma da Pi Investimentos tem um modelo “self-service”, sem agentes autônomos, em que o próprio cliente define os fundos em que deseja investir. Isto permite que a empresa tenha taxas menores em relação a concorrentes que trabalham com assessores. “Ao invés de remunerar um assessor, vamos remunerar o investidor”, explica Miyashiro.

Por outro lado, este modelo requer um trabalho de educação do cliente para investimentos, que está em fase de desenvolvimento. “Não é a educação financeira tradicional, que é algo muito amplo. Estou falando de uma abordagem diferente, uma plataforma com vídeos, conteúdos dinâmicos e gamificação, mas isto está em desenvolvimento. É um diferencial que teremos em breve, e não posso revelar os detalhes ainda”, revela o executivo, que está à frente da área de dados da Pi desde a fundação.

O grande diferencial da fintech, neste momento, é promover o acesso à gestão de fortunas para quem tem um valor mínimo de R$ 30. Em bancos tradicionais, estes produtos ficam restrito ao Private Banking, com um ticket mínimo médio de R$ 3 milhões, segundo Antonio Miyashiro. “Conseguimos demonstrar a esses gestores de fortunas que há uma oportunidade muito grande no varejo, onde estão dois terços dos investidores”, diz.

A Pi Investimentos criou um sistema de remuneração ao investidor baseado em pontos. Estes são conversíveis em dinheiro, o que permite a rentabilidade tradicional. Com o tempo, no entanto, a ideia é estabelecer parcerias com e-commerces e outros serviços. Assim, os Pontos Pi passam a corresponder a um valor maior que o correspondente em dinheiro na compra de produtos destes parceiros.

Cultura de startup

Mesmo atrelada ao Santander Brasil, a Pi Investimentos tem o modelo de gestão de startup. “Mudar está no DNA da empresa, e a tecnologia por trás da plataforma foi pensada para que seja possível pivotar rapidamente”, explica Miyashiro. “Da primeira linha de código que foi escrita até estarmos em fase de testes operacionais passaram apenas sete meses. No banco, em sete meses estaríamos ainda na fase de discussão de orçamento”, compara. O lançamento oficial da operação aconteceu em março deste ano, depois de quatro meses em teste beta.

Segundo o executivo, que trabalhou por 15 anos no Santander, o banco entendeu que ter uma empresa separada – inclusive fisicamente, já que o escritório da Pi fica no espaço de coworking WeWork – e dar liberdade à equipe era a melhor forma de concorrer no mercado de fintechs. Por outro lado, a Pi Investimentos tem à disposição toda a equipe e expertise de áreas como jurídico, recursos humanos, marketing e tecnologia do banco.

O cotidiano, a forma de se trabalhar e os riscos são iguais ao de qualquer startup, afirma Antonio. “Temos escassez de recursos, tudo muda em uma velocidade absurda e somos uma empresa horizontal”, relata. “Temos metas que, se não forem batidas, farão o banco repensar o modelo de negócio. Não há garantias”, completa.

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