Conheça a Mission Barns, startup que está criando carne em laboratório

Startup foi criada em 2018, na universidade de Berkeley (EUA) e "cultiva" células de origem animal para a produção de carne

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Em um futuro não muito distante, você poderá ter que explicar se a carne que está comendo é a “tradicional”. Isso porque além da carne feita de plantas (como a Fazenda Futuro e Behind The Foods), existem também as carnes criadas em laboratório, como as da Mission Barns.

A Mission Barns é uma startup criada em 2018 na universidade de Berkeley, localizada na Califórnia, Estados Unidos. A empresa literalmente “cultiva” células de origem animal para a produção de carne. Seu objetivo é de diminuir o consumo do alimento ao oferecer uma opção mais sustentável, que julga gastar 100 vezes menos água e terra para as mesmas quantidades de carne.

Como funciona?

A Mission Bars retira células de tecidos animais e as imerge em biorreatores com líquidos com vitaminas, proteínas e tudo o que precisam para se multiplicarem. Segundo Kyle Fish, pesquisador da empresa, é como se fosse “enganar” a célula para que ela pense que ainda está no tecido animal e haja como tal.

O biorreator possui um sistema para misturar as células e líquidos, além de possuir um sistema para analisar a quantidade de oxigênio presente e o nível de PH. A startup possui um sistema de remoção para os eventuais resíduos. De acordo com Fish, as células continuam crescendo até formarem “toneladas”. Ele foi palestrante na AgroTech Conference da StartSe nesta quarta-feira (19).

Depois que cultiva as células, a Mission Barns as utiliza para recriar a textura e aparência de carne tradicional a partir de engenharia de tecidos. Seu foco é principalmente no tecido adiposo (ou seja, a gordura). Isso porque o tecido adiposo pode ajudar inclusive em mercados já mais maduros, como o de carne plant-based. Fish afirmou que a gordura vegetal utilizada pelas empresas deste setor ainda não é tão semelhante ao “original” e que a gordura feita de células de animais pode auxiliar a replicar o sabor, textura e cheiro das carnes.

A startup conta com um chef de cozinha na equipe para testar a performance fora do laboratório. A empresa está se concentrando principalmente nos testes com carne de pato e porco.

Kyle Fish compara o potencial de transformação desta nova tecnologia ao surgimento dos carros na substituição dos cavalos – “demorou alguns anos para pegar, mas mudou completamente a maneira como as pessoas se locomovem”. Como naquela época, um desafio enfrentado é a questão do custo e escalabilidade.

A Mission Barns está trabalhando para que a venda seja em massa. Novamente, Fish utiliza exemplos históricos para traçar expectativas para o futuro, como o sequenciamento de genomas. Ele conta que, no início, o custo para tal era de US$ 10 milhões, que baixou para US$ 1 milhão e agora é possível sequenciar um genoma inteiro por menos de US$ 100. A expectativa é que as carnes feitas em laboratórios sigam o mesmo caminho.

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