Behind The Foods lança em junho o seu hambúrguer de "carne vegetal"

Startup deseja "construir o futuro da proteína" e lançar carnes, queijo e leite de origem vegetal; hambúrguer estará disponível em restaurantes no dia 11

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Chame de “hambúrguer plant-based”, “carne vegetal” ou “hambúrguer de plantas que parece carne”, essa nova modalidade de alimentos está chegando com tudo no Brasil. Agora, é a vez da foodtech Behind The Foods lançar a sua versão do hambúrguer vegetal com cara, jeito e gosto de carne.

Apesar do primeiro produto da startup ser um hambúrguer, a Behind The Foods deseja focar em proteína – mas de origem vegetal. Seu objetivo é “construir o futuro da proteína” e lançar opções veganas análogas aos “originais” de leite, queijo, carnes de boi, porco, aves e peixe.

O lançamento ao público será no dia 11 de junho, em uma hamburgueria, cujo nome ainda não foi divulgada. Além de focar em proteína, um dos diferenciais da Behind The Foods é que a empresa pertence ao mercado B2B – ou seja, venderá seus produtos para lanchonetes, restaurantes, entre outros.

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A opção foi escolhida para que o hambúrguer plant-based não sofra com condições de mudanças de temperatura, transporte, entre outros. “Prezamos pela experiência. Um chapeiro experiente, chefe profissional, não irá deixar a carne perder a temperatura ou sair da melhor condição de preparação e consumo”, conta Leandro Mendes, fundador da startup.

Os profissionais terão, inclusive, a oportunidade de trabalharem na “carne” da forma que quiserem. Isso porque ela será vendida aos restaurantes em pacotes de 1 kg. “O profissional poderá moldar o diâmetro e tempero da forma que quiser, como se fosse uma carne bovina moída mesmo”, explicou Mendes.

O diferencial: o PT3 e a leghemoglobina

Leandro Mendes é publicitário e trabalhou 10 anos no setor de alimentação. Ele quis empreender no setor após uma mudança pessoal de vida. “Os resultados dos meus exames estavam muito ruins e eu tomei a decisão de fazer atividade física e me tornar vegano. Em dois meses eu corrigi todos os indicadores, sem nenhum tipo de suplementação”, conta.

Ao investigar o mercado de alimentação, ele percebeu oportunidades em três áreas: ambiental, saúde e na questão dos animais. “As proteínas plant-based conseguem combater os três. Quando mudamos a proteína no centro do prato, ao invés de tratar um desses três isoladamente, conseguimos combatê-los simultaneamente de apenas uma forma”, contou o fundador da Behind The Foods.

Mendes foi aos Estados Unidos pensando em desenvolver um “Subway vegano”, mas acabou mudando de ideia durante a trajetória. “Eu decidi que a linha seria a indústria pelo alcance e o prazer de focar na proteína”, afirmou. Ele passou a estudar alimentos que já consumia, como os hambúrgueres da Impossible Foods e a Beyond Meat.

Essas marcas são duas das maiores do setor de carne plant-based. A Beyond Meat alcançou uma valorização de 140% nas ações em sua abertura de capital, enquanto a Impossible Foods recebeu investimentos milionários recentemente e é uma das apostas de Bill Gates, fundador da Microsoft, para o futuro.

“Fiz um MVP análogo à carne, ficou interessante, mas esbarrava em uma das 151 patentes da Impossible Foods. Estudei a anatomia veterinária para entender a composição da carne e cheguei e uma fórmula nova, livre de qualquer patente”, contou o empreendedor. A fórmula criada foi a PT3, Plant Texture Triple Tissue, em que a carne plant-based imita cada um dos tecidos da carne – muscular (fibras), adiposo (gordura) e conjuntivo (nervos).

“Se você entender a estrutura da carne, a proporção dessas três texturas é diferente em cada corte. Um filé mignon é diferente de um acém, e aí moldamos a textura e vamos criando análogos também de corte. Criamos fórmulas diferentes com variações para cada tipo de objetivo”, afirma o empreendedor.

A “carne” da Behind The Foods é criada com um blend de batatas, jaca, goma xantana e proteína isolada de soja. A soja é utilizada na gramatura de proteína do produto, de cerca de 12 gramas. A parte líquida, que imita o sangue, é composta por extratos naturais de beterraba e urucum. Já a gordura é de óleo de coco e de palma. A estimativa é que uma porção de 100 g do hambúrguer vegano tenha 87 calorias, 4,8 gramas de carboidratos, 12 gramas de proteínas e 5,8 gramas de gorduras totais, 1,4 gramas de fibras alimentares e 218 miligramas de sódio. O alimento também possui 1,8g de gordura saturada e não possui gordura trans. Os valores fazem parte de uma Tabela Nutricional Teórica e podem sofrer variações.

Leghemoglobina: o “sangue” criado a partir de plantas

Foi a partir da dificuldade de criar um sangue “réplica” da carne que a Behind The Foods passou a fazer estudos. “A hemoglobina é o que dá cor, cheiro e sabor para o sangue da carne”, explicou Mendes.

De acordo com o empreendedor, a Impossible Foods utiliza a hemoglobina extraída de plantas em suas carnes, mas em uma forma geneticamente modificada para dar vazão a escala de produção. A Behind The Foods a utilizará de maneira diferente. “Ainda estamos em pesquisa, mas em 10, 12 meses, devemos ter nossa leghemoglobina sem nada geneticamente modificado”, prevê o presidente-executivo da empresa.

Atualmente, a Behind The Foods possui a capacidade de produzir 5 toneladas de carne, mas planeja aumentar a produção já no segundo semestre deste ano. Criada em 2016, foram investidos R$ 400 mil na empresa, que agora capta mais recursos através de uma rodada série A.

A parte de estudos e laboratório é atualmente conduzida por Maria Luiza Mendes, sócia da empresa. A Behind The Foods também conta com uma parceria estratégica com o Grupo Adeste.

O lançamento do hambúrguer plant-based será no dia 11, em uma hamburgueria específica, mas a expectativa é que o produto chegue ao menos em mais 10 pontos de São Paulo e Rio a partir do dia 17.

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