Governo precisa se desburocratizar para acelerar conexão com startups

Para Raphael Braga, superintendente de empreendedorismo e investimentos da Finep, agência de inovação do Governo Federal, esse é o caminho para ter mais govtechs no Brasil

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“É preciso acelerar a mudança cultural no setor público, para que os agentes do governo estejam mais abertos à inovação e tenham maior propensão ao risco”, disse Raphael Braga, superintendente de empreendedorismo e investimentos da Finep, agência de inovação do Governo Federal. Braga participou da GovTech Conference, evento realizado pela StartSe nesta quarta-feira.

Para Braga, esta é o caminho para ter no Brasil mais govtechs, como são chamadas as startups que trabalham com a administração pública para tornar a oferta de serviços públicos à população mais eficiente. Braga é o responsável pelo programa Finep Startup, por meio do qual a Finep apoia com investimento de até R$ 1 milhão startups que já possuam no mínimo um protótipo com viabilidade comercial comprovada.

O programa foi idealizado em 2015 e lançou o seu primeiro edital em 2017. “Isso por si só mostra quão moroso é o Governo quando se fala em inovação, provavelmente muitas startups morreram nestes dois anos. É essa cultura burocrática que estamos trabalhando para mudar. E estamos mudando”, diz.

O programa fintech Startup procura startups das seguintes áreas Agritech, Cidades Inteligentes, Construtech, Defesa, Economia Criativa, Educação, Energia, Fintech, Healthtech, Mineração, Óleo e Gás, Química, Materiais bio-baseados.

O aporte de recursos se dá por meio de um contrato de opção de compra de participação no capital, através do qual o investidor adquire o direito de se tornar sócio da empresa no futuro. Esse contrato transforma a Finep em uma potencial acionista da empresa — e com isso compartilha integralmente com o empreendedor o risco da atividade inovadora.

Desafios a serem superados

Segundo Braga, a experiência da Finep aponta que, geograficamente, há uma expressiva concentração de busca por financiamento nas regiões e Sudeste e Sul– com respectivamente 55% e 26% das propostas recebidas, desde o lançamento do programa Finep Startup, em junho de 2017. Tal concentração é superior à do PIB, que gira em torno dos 70% nestas regiões (Sudeste e Sul ). “Isto revela a necessidade de políticas de fomento ao empreendedorismo nas regiões norte, nordeste e centro-oeste, especialmente nos estágios mais iniciais de desenvolvimento (das startups)”, diz Braga.

Outro gargalo do programa Finep Startup – que Braga afirma que está sendo endereçado – é a morosidade na liberação dos recursos. “Perdemos alguns investimentos em ótimas startups, pois elas escolheram ir captar dinheiro no mercado”, afirma. Desde 2017, 37 startups receberam investimentos via o programa Finep Startups. “Ainda assim, perdemos 10 empresas que preferiram deixar o projeto para buscar capital junto ao setor privado”, diz Braga.

Apesar destes desafios, Braga acredita que o programa tem sido bem sucedido no apoio às startups e acredita que a aproximação do Governo dos novos empreendimentos é um caminho sem volta. “Há uma enorme pressão social para que o Governo se engaje nessas iniciativas e apoie a inovação”, diz.

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