Startup NotCo usa IA para fazer maionese, leite e sorvete a base de plantas

Maionese sem ingredientes de origem animal, com receita criada por inteligência artificial, estreará nas prateleiras brasileiras na semana que vem

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O quanto a tecnologia está presente nos alimentos que você consome hoje? Porque a partir da semana que vem, você poderá comer uma “maionese” criada com o auxílio de inteligência artificial. A responsável é a startup chilena NotCo, que recria produtos de origem animal a partir de combinações de plantas realizadas por inteligência artificial.

A NotMayo foi criada a partir de óleo de canola, grão-de-bico, sementes de mostarda, vinagre de uva, suco de limão, açúcar mascavo, pimenta branco e alho em pó. A combinação foi feita por Giuseppe, que apesar do nome, não é uma pessoa – é a inteligência artificial. O produto que liderará a entrada da NotCo no país custará cerca de R$ 10 por 350 gramas e será vendido com exclusividade para o Pão de Açúcar.

A empresa chilena está focando no Brasil para crescer no mercado da América Latina e também planeja a entrada nos Estados Unidos. Para tal, ela pode contar com a ajuda de ninguém menos do que Jeff Bezos, o dono da Amazon e Whole Foods e um de seus investidores.

A rodada em que Bezos participou, no valor de US$ 30 milhões, foi liderada pela The Craftory e teve a participação da já investidora Kaszek Ventures. Já a rodada de série A também foi liderada pela Kaszek Ventures, em 2017, no valor de US$ 3 milhões.

A “não-maionese” ainda está ganhando o mercado latino americano, mas a empresa já sabe quais serão seus próximos lançamentos: sorvete e leite sem ingredientes de origem animal. Eles devem chegar no Brasil ainda este ano. Além desses, a NotCo também está planejando um creme de avelã e a carne de origem vegetal. A carne vegana feita de plantas concorrerá com as criadas por startups como Impossible Foods e Beyond Meat.

Conversamos com Matias Muchnick, um dos fundadores da The Not Company (nome completo da empresa), para conhecer os planos futuros da startup. Ele será um dos palestrantes do Food Forum, evento que discutirá o futuro do mercado de alimentos que acontecerá nessa quarta-feira (3).

StartSe: Como a Notco foi criada?

Matias Muchnick: A NotCo foi fundada em 2015 por mim, Karim Pichara e Pablo Zamora. Nós criamos o Giuseppe, algoritmo que cruza diferentes bases de dados para poder recriar, em nível estrutural/molecular, alimentos de origem animal que a gente ama (maionese, sorvete, leite, queijo, iogurte, etc). Essa é uma tecnologia nova para o mercado de alimentos.

StartSe: Como foi o processo de criação do Giuseppe?

M.M: Ele foi criado com base em centenas de estudos científicos e informações sobre plantas alimentícias já existentes, além dos testes desenvolvidos dentro da própria NotCo. Com base na análise da estrutura molecular dos alimentos de origem animal, ele consegue buscar fontes de origem vegetal que, combinadas, tenham um resultado idêntico. É algo que vamos aprimorando sempre com os resultados das criações.

StartSe: É a NotCo quem manufatura os alimentos?

M.M: Sim! Depois que o algoritmo elabora as receitas, nós testamos e devolvemos o feedback: aroma, cor, retro gosto, textura, e ele vai aperfeiçoando as sugestões. Depois, nossos Chefs criam as receitas e aperfeiçoam até alcançar o resultado desejado.

StartSe: Os produtos da NotCo podem ser considerados mais saudáveis dos que os convencionais?

M.M: Consequentemente, sim! Os produtos são produzidos com a premissa de serem mais sustentáveis e, ainda assim, tão saborosos (ou até mais) que os originais. O propósito da empresa é dar um reset na indústria alimentícia. A nossa missão é mostrar que tem como fazer diferente e não é só no produto final, mas no processo de criação dos alimentos.

StartSe: Como você acredita que a tecnologia pode mudar os alimentos? Existem limites?

M.M: Acredito que a indústria alimentícia deveria aplicar a análise científica a nível molecular em sua linha de produção de forma similar ao que ocorre com o setor farmacêutico. As pessoas normalmente vão ao supermercado e não têm a menor ideia do que estão consumindo – muitas vezes são alimentos repletos de ingredientes nocivos à saúde e ao planeta. Acreditamos que não há limites para trazer a mudança. Nosso objetivo é tirar os animais da equação e pensar em alimentos mais sustentáveis e tornar os nutrientes mais acessíveis.

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