Startup Fohat, de Curitiba, usa blockchain para melhorar eficiência energética

A empresa surgiu como um projeto para reciclar baterias de ônibus; hoje a startup desenvolve tecnologias de microrredes de energia que se comunicam por meio da blockchain

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Fundada em 2017 em Curitiba, a startup Fohat está sendo acelerada para resolver problemas energéticos do outro lado do mundo. A empresa surgiu como um projeto para reciclar baterias de ônibus na capital paranaense. Hoje, ela desenvolve tecnologias de microrredes de energia que se comunicam através da linguagem blockchain.

Desde sua fundação, a Fohat chamou a atenção do mercado energético. No ano passado, ela foi apontada como uma das dez mais inovadoras no setor pela 100 Open Startups. Em dezembro, a empresa foi selecionada para programa de aceleração da Energy Australia, da Startup Bootcamp. Desde o início deste ano, a startup paranaense está em Melbourne, onde pretende ajudar a resolver uma série de apagões elétricos que são frequentes no país.

Renan Schepanski, líder da área de marketing da Fohat, explicou ao jornal Gazeta do Povo que o sistema elétrico australiano é instável. Picos de energia, altos ou baixos, fazem com que as luzes “pisquem” e sistemas inteiros sejam derrubados. “A gente pode criar microgrids (microrredes) com energia distribuída para suprir a necessidade de um ponto qualquer, como um shopping ou indústria”, afirma Schepanski.

A tecnologia de microrredes já existe, e consiste em grupos de baterias que podem armazenar ou fornecer energia a sistemas delimitados. O diferencial da startup está em um software que controla essas redes de maneira integrada ao fornecimento geral de eletricidade. Por meio da tecnologia blockchain – uma forma de transmitir informação de forma criptografada e segura pela rede – o programa da Fohat integra todas as redes energéticas de maneira inteligente. Isto significa, na prática, que um sistema com esta tecnologia estará sempre alimentado energeticamente, podendo inclusive ele próprio energizar partes do sistema que estejam em falta.

Se o conceito é complexo, aplicá-lo na prática é ainda mais. “Trabalhar com blockchain no mercado de energia não é como no mercado financeiro, porque além do dinheiro você precisa fazer a gestão do elétron, o que não é simples”, explica Renan Schepanski. O software da Fohat tem a capacidade de identificar como é a forma mais barata e eficiente de energizar um sistema. Por exemplo, se uma concessionária de energia dá descontos para quem desliga a eletricidade em certo momento do dia, é nessa hora que a inteligência do programa vai usar a energia de uma fonte alternativa.

Além de participar do programa de aceleração na Austrália, a Fohat tem clientes de peso no Brasil. Segundo apuração da Gazeta do Povo, empresas como Bosch, Rumo e Volvo utilizam a inteligência energética da startup.

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