Softbank planeja investir até US$ 20 bilhões no WeWork

O aporte representaria cerca de um quarto dos recursos do Vision Fund, o fundo de capital de risco do Softbank que possui US$ 92 bilhões para investir em startups

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Há alguns anos, o cofundador do WeWork, Miguel McKelvey, rejeitou a ideia de uma Oferta Pública Inicial (IPO) e afirmou, inclusive, que isso só aconteceria em um futuro distante. Porém, com o rumor de um ambicioso investimento do SoftBank no WeWork, essa ideia cairia por terra de vez. De acordo com o The Wall Street Journal, a multinacional japonesa de telecomunicações e Internet está em negociações para assumir uma participação majoritária no WeWork com um investimento de US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões.

O investimento representaria cerca de um quarto dos recursos do Vision Fund, o fundo de investimento do Softbank que destina US$ 92 bilhões para startups, e praticamente dobraria a maior aposta já feita em uma empresa privada, apoiada por capital de risco. Além disso, se o SoftBank garantisse uma participação majoritária no WeWork, a empresa se manteria como privada nos próximos anos. O WeWork também ganharia uma fonte de financiamento estável, dando à empresa ainda menos motivos para entrar no mercado público. Os porta-vozes do WeWork e do SoftBank se recusaram a comentar sobre o assunto.

O possível acordo também coloca em pauta uma discussão diplomática entre o Ocidente e a Arábia Saudita, cujo fundo soberano de investimento apoia o Vision Fund do SoftBank. Atualmente, após o desaparecimento de um jornalista saudita, inúmeras empresas e investidores têm se distanciado do país árabe, mas se o acordo entre WeWork e SoftBank acontecer por meio do Vision Fund, isso significaria que a Arábia Saudita indiretamente seria o maior investidor da WeWork.

O Vision Fund

Desde sua criação, no ano passado, o Vision Fund abalou a indústria de capital de risco investindo centenas de milhões de dólares em startups. O Vision Fund geralmente chega na fase inicial de uma startup - quando a mesma estaria se preparando para abrir capital - e compra ações de investidores iniciais que normalmente vendiam em um IPO. Inúmeros investidores do Vale do Silício afirmam que “o SoftBank é o novo IPO”, outros inclusive já apelidaram os investimentos do SoftBank de “Masa-PO”, em homenagem ao fundador e CEO da SoftBank, Masayoshi Son.

Ao contrário do que está acontecendo com o WeWork, o fundo costuma apostar em participações de 20% a 30% em empresas privadas, o que lhe dá influência, mas não controle das startups. Segundo o PitchBook, apenas 22 empresas norte-americanas privadas levantaram mais de US$ 1 bilhão do SoftBank ou de outros investidores. As startups que recebem o dinheiro do SoftBank "vão a público quando sentirem que estão prontas - não quando precisarem", disse Rett Wallace, executivo-chefe da Triton Research. O fundo é conhecido por incentivar as empresas a "pensarem mais" e aceitarem centenas de milhões de dólares a mais do que inicialmente pedem para estimular o crescimento. "Nós vemos mudanças estruturais reais" para permitir que as empresas permaneçam privadas por um longo tempo, como as do Softbank, disse Paul Hsiao, sócio da empresa de capital de risco Canvas Ventures.

Porém, a estratégia de prolongar a vida privada das startups traz riscos. A SoftBank normalmente pede que suas startups gastem uma quantia considerável em marketing e vendas em uma tentativa de ganhar participação de mercado, de acordo com executivos de empresas que foram investidas pelo fundo. Isso também significa maiores prejuízos para empresas que já não são lucrativas ou para startups que ainda não provaram que seus modelos de negócios funcionarão como o esperado.

Mas parece que os riscos não causam arrependimento no fundador e CEO da SoftBank, que deseja, inclusive, criar novos fundos. Masayoshi Son disse que deseja criar os Vision Fund 2, 3 e 4 e que está consciente de que ainda precisa consolidar seu legado. “Eu poderia ter feito mais. Eu me arrependo tanto”, disse ele durante uma conferência trimestral de ganhos na véspera de seu 60º aniversário no ano passado.

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