"A maior oportunidade do jurídico está em Big Data", afirma co-fundador da AB2L

Conversamos com Matheus Bombig, co-fundador e Diretor Financeiro da AB2L e co-fundador da Invenis, sobre o mundo das lawtechs

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Esse ano foi criada a Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L). Conversamos com o co-fundador Bruno Feigelson e o Diretor de Marketing Fred Ferraz sobre a importância de uma associação que represente o setor. Eles falaram sobre objetivos, mercado, tecnologia e projeções para o futuro. Agora é a vez de Matheus Bombig, co-fundador e Diretor Financeiro da AB2L e co-fundador da Invenis, falar sobre o cenário atual das lawtechs.

Antes dessa empreitada, Matheus já chamava atenção pelo trabalho feito com a Invenis. Trata-se de um sistema que identifica novas ações ajuizadas nos tribunais brasileiros. “Durante o período em que estávamos desenvolvendo a ferramenta, notamos que ter conhecimento, o quanto antes, do ajuizamento de uma ação pode ser algo bastante valioso. Evitar revelia, ganhar tempo na elaboração da defesa, negociar acordos antes da contestação, contingenciar/tomar providências contra um pedido liminar talvez sejam os benefícios mais óbvios”, comenta.

Para advogados de escritório, por exemplo, a ferramenta possibilita mostrar proatividade a um cliente em potencial, informando-o sobre o ajuizamento da ação antes mesmo dele ser citado. Em muitos casos, disponibilizar essa informação acaba sendo algo decisivo para a contratação do advogado que irá cuidar do processo. Quais os benefícios? Ganhar tempo na elaboração da defesa, antecipar-se a pedidos liminares, fazer acordos antes da defesa, evitar revelia, monitorar clientes/potenciais clientes e economia de recursos.

Hoje, à frente da Associação, Matheus quer sobretudo aproximar os players do ecossistema. “Como o mercado jurídico é um mercado um pouco mais tradicionalista, juntar todo mundo em prol da inovação pareceu ser uma baita oportunidade. Tudo para ter mais força para falar com os escritórios, com as empresas, fazer eventos, divulgar, ter um hub de soluções. Como Associação, as pessoas levam mais a sério”.

O discurso de que estamos falando sobre um mercado tradicionalista apareceu na fala de Fred Ferraz e foi repetido pelo Diretor Financeiro. Pedimos que desenvolvesse melhor essa linha de raciocínio: “Estamos um pouco atrasados com o jurídico. É um mercado que você tem que mostrar valor. No Brasil, o pessoal ainda está muito focado no asset humano, os advogados que saem das universidades. Estamos no momento de convencimento de escritórios e departamento jurídicos de que a tecnologia está aqui para auxiliá-los. As lawtechs não vieram para substitui-los. Estamos aqui para caminhar de mãos dadas e construir uma eficiência maior no setor”.

Em termos de investimento, Bombig deixa claro que a carência é maior quando falamos sobre as condições do investimento de risco do que do mercado em si. “Nos EUA, o apetite por risco é maior e a segurança jurídica dá garantias. Aqui no Brasil, imagina a cabeça de um investidor: ele tem dinheiro e pode colocar no tesouro direto, sem risco nenhum, ou enfrentar esse nosso mercado de insegurança jurídica, com essas leis trabalhistas que não o protegem. O Brasil tem um potencial muito grande no setor: é um dos países que mais forma advogados, tem 110 milhões de processos ativos. Tem muito mercado, as oportunidades são grandes, mas é de mais risco pela nossa legislação”.

Corporate Venture também virou pauta. No mundo financeiro, não é nenhuma surpresa ver notícias sobre grandes players do mercado se rendendo às fintechs. Isso já não acontece tanto no setor jurídico. Segundo Matheus, há uma movimentação individual de advogados interessados em tecnologia, não dos escritórios em si.

“É nítido que tem alguns escritórios grandes em que os sócios mais antigos não estão nem aí para as lawtechs. É aquela coisa: tenho 50 anos de carreira bem-sucedida, está tudo dando certo, por que eu vou mudar? O movimento que estamos observando é de algumas cabeças dentro dos escritórios, talvez uma geração mais nova, bem antenada nessa questão. Com a AB2L agora, tem muita gente querendo conversar conosco. As pessoas não sabem muito bem como querem fazer parte do ecossistema, mas querem de fato. Eles querem estar próximos, surfar na onda. Vejo mais o indivíduo se inteirando do que o coletivo”.

A aposta do StartSe para mudar esse paradigma e unir todos os agentes desse ecossistema, desde os mais novos aos mais experientes, é o LawTech Conference, evento totalmente focado na empregabilidade de tecnologia no setor jurídico do Brasil.

“Acho excelente a iniciativa. Primeiro que está trazendo o que o setor quer escutar. Estamos em um momento de aceitação da tecnologia diante dos players tradicionais. A partir do momento que todo mundo está falando sobre Big Data, jurimetria, Inteligência Artificial, as coisas podem mudar. Traz transparência sobre o que está acontecendo, justamente para o pessoal do mercado jurídico ter mais ferramentas para contratar um serviço, se posicionar melhor e criar melhores estratégias para o futuro”.

Por fim, questionamos sobre quais são suas apostas para as tecnologias que vão invadir esse mercado. “Acredito que qualquer coisa que esteja relacionada a dados. Se formos pensar hoje, Google, Facebook, Amazon, são empresas que trabalham com dados. No jurídico tem um potencial monstruoso. O Brasil é um dos países que mais possuem leis e artigos pendurados naquela lei. O advogado fica até perdido com tantas coisas que ele tem que olhar. A maior oportunidade do jurídico está em Big Data. Tanto a parte de extração, de mineração, até a parte de trabalhar esses dados, que é o que chamamos hoje de jurimetria. E Inteligência Artificial, mas que ainda orbita ainda essa questão de dados”, finaliza.

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