Como a maior corretora de Bitcoin do Brasil quer popularizar a moeda

Guto Schiavon, sócio fundador e COO da FOXBIT, conta como a fintech nasceu, as mudanças que ela trouxe

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Considerada a maior corretora de bitcoins no Brasil, a FOXBIT cresce a passos largos: em apenas três anos, a fintech já transacionou R$ 600 milhões na sua plataforma e atualmente está passando um mês de imersão no Vale Do Silício como parte do programa realizado pela Track, aceleradora da VISA, em parceria a GSVLabs.

Com o objetivo de atingir a meta de R$ 3 milhões de faturamento em 2017, a fintech se vê mais do que nunca em um momento oportuno, uma vez que o tema de criptomoedas e bitcoins está cada vez mais em alta. Para saber como essa startup nasceu e quais são os planos para o futuro, o StartSe conversou com Guto Schiavon, sócio fundador e COO da FOXBIT.

StartSe: Como surgiu a FOXBIT? 

Guto Schiavon: A FOXBIT surgiu em um grupo de Facebook por duas pessoas que não se conheciam pessoalmente, mas que viram uma grande oportunidade de negócios no mercado brasileiro de bitcoins. 

Em 2013, eu e o meu sócio, João Canhada, fazíamos parte de um grupo de bitcoin no Facebook. O Canhada fazia negociações diretas entre usuários, comprava nas corretoras e vendia com um ágio, mas garantindo agilidade e confiança na transação. Já eu, Guto Schiavon, fazia um trabalho educacional, sem fins lucrativos, escrevendo artigos, tutoriais e tirando dúvidas sobre bitcoin. 

Após mais de 1 ano de conversas online, nós decidimos montar uma exchange, pois o mercado era carente de agilidade, transparência e taxas baixas. Com isso, encontramos um grande parceiro nos EUA, Rodrigo Souza, que nos forneceu a plataforma e nós entramos com todo o trabalho operacional, educacional e administrativo. 

S.: Quais foram as maiores revoluções que a FOXBIT causou no mercado financeiro até agora? 

G. S.: A FOXBIT trouxe ao mercado alguns pilares: agilidade, transparência, segurança e liquidez. Com operações acontecendo em poucas horas, carteiras públicas, confiança na equipe e uma grande quantidade de traders dando liquidez, a exchange elevou o mercado nacional a outro patamar. 

Anteriormente, era difícil você comprar 5 bitcoins sem pagar uma diferença muito grande entre eles, já após a entrada da FOXBIT, traders, investidores qualificados e market makers, entraram para o mercado brasileiro, pois tínhamos taxas baixas e uma plataforma muito ágil para transações. 

S.: Quais são as vantagens do bitcoin?

G. S.: Uma das inúmeras vantagens do bitcoin é permitir que você faça transferências sem precisar de uma entidade central, como o seu banco, para confirmar que aquela transação é válida.   

Além disso, comparado com transferências internacionais, o bitcoin tem um custo baixíssimo e é totalmente sem fronteiras. Como não está fisicamente armazenado num local, mas sim por toda internet, você pode ter acesso a ele em qualquer lugar do mundo. E diferente das moedas emitidas por governos, o bitcoin não permite bloqueios e é mais seguro contra hackings. Se você é a única pessoa que possui a chave privada dos seus bitcoins, é impossível alguém retirá-los de você a contragosto.

Quando se trata de transações comerciais, o bitcoin é totalmente imune a chargeback, que é o ato de você estornar um pagamento. Isso é muito seguro para os comerciantes que sofrem com o alto índice de fraude com cartões de crédito. 

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S.: Vocês podem explicar melhor o conceito de blockchain?

G. S.: De forma bem simples, o blockchain é uma espécie de planilha do Excel, pública, que armazena todas as transações que ocorreram, desde a primeira, e linkando uma transação na outra. Vale lembrar que essa espécie de planilha é imutável, ou seja, depois de uma transação ser incluída não tem como retirar ou modificar. 

Esse registro público é auditado por várias máquinas pelo mundo, fazendo com que seja impossível adicionar uma transação fraudulenta no meio.

S.: Como está o mercado para bitcoins? Ele tem aumentado esse ano?

G. S.: O mercado de bitcoins aumentou muito esse ano, tanto no Brasil, como no exterior. Falando em termos de Brasil, a média de volume de transações da FOXBIT no ano passado era de 1 milhão por dia, já hoje, esse valor é de 4 milhões, com picos de 10. A procura por bitcoin aumentou muito, tracionada também pela mídia, que abriu um grande espaço para as empresas falarem sobre a tecnologia. 

S.: Ultimamente esse assunto tem aparecido muito mais em notícias devido a casos como o dos hackers que queriam pagamento via bitcoin para não serem rastreados. Como se dá a questão de controle e sigilo com o bitcoin? 

G. S.: O bitcoin é pseudoanônimo, ou seja, você não precisa se identificar com um CPF ou nome completo para fazer uma transação. Você é identificado por um endereço bitcoin, com cerca de 33 caracteres, semelhante a esse: 1DEk47wLdREWZeFunvLFXdP6TZtgUQ5DBS.

Ele pode ser usado por criminosos, como eram os meios eletrônicos de pagamento ou o papel moeda, mas também é usado para transações comerciais, doações, registros de documentos, etc. Acreditamos que a grande maioria das transações com bitcoin, são para fins lícitos e as empresas pelo mundo, possuem ferramentas e controles para aceitar apenas bitcoin-dinheiro legal e com origem comprovada. 

S.: Quais foram os principais desafios enfrentados pela FOXBIT até agora? 

G. S.: O principal desafio para uma startup de tecnologia tão disruptiva é a educação do público. Bitcoin ainda é algo difícil de explicar e usar, isso faz com que o mercado seja de nicho e não cresça de forma exponencial. 

Acredito que esse tenha sido o principal desafio da FOXBIT, pois você precisa educar tanto o cliente final, que vai fazer você faturar no final do mês, como também os bancos que você usa para trabalhar e os reguladores, que precisam entender o seu negócio e ver que você não faz nada ilegal, pelo contrário, segue as boas práticas para coibir lavagem de dinheiro e outros crimes.

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S.: Atualmente, a empresa é uma das principais corretoras de bitcoin no país. O que é necessário para ir tão longe? 

G. S.: O necessário para crescer como a FOXBIT cresceu é focar 101% no cliente. Ele deve estar em primeiro plano, seja no suporte, no contato direto com os fundadores da empresa, como também na parte de transparência. Problemas acontecem aos montes e o cliente deve ser o primeiro a saber do que houve e o que você está fazendo para encontrar a solução. 

O trabalho de comunidade que a FOXBIT fez e faz é um grande diferencial, pois você educa seu cliente e também se aproxima dele a ponto de haver uma grande confiança no seu negócio. Afinal, estamos falando, muitas vezes, do dinheiro que a pessoa conseguiu durante uma vida inteira. 

S.: Quais são os próximos passos? 

G. S.: Os próximos passos são continuar com a educação, por isso criamos o FOXBIT Educação, uma plataforma voltada para cursos online e presencial. Aumentar o leque de produtos, com cartões pré-pago, lending, aplicativo para comerciantes e trabalhar com outros ativos digitais, pois o mercado paralelo de outros tokens e criptomoedas está aumentando muito. 

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