10 dicas de quem entende para tirar sua startup do papel: indo além do básico

"Esqueça o mito de que as pessoas vão roubar sua ideia", diz Felipe Matos, fundador da Startup Farm e que empreende desde os 16 anos

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Por Paula Zogbi

27 de janeiro de 2016 às 13:23 - Atualizado há 4 anos

Felipe Matos praticamente nasceu empreendendo. Aos 16 anos, já tinha uma empresa própria. Teve ideias que quebrara, que faliram, que deram certo e foram vendidas, fundou programas de aceleração e hoje é mais conhecido pelo seu trabalho com a Startup Farm, aceleradora que criou e que auxilia centenas de empreendedores atualmente no país.

Em uma palestra na Campus Party Brasil, evento de tecnologia, inovação e empreendedorismo que acontece entre os dias 26 e 31 no Anhembi, em São Paulo, ele passou por 10 dicas para quem quer se tornar um empreendedor de sucesso, indo muito além do “feijão com arroz”. Confira:

1. Na fase inicial, conecte-se

“Esqueça o mito de que as pessoas vão roubar sua ideia”, dispara o empreendedor e investidor. Para ele, é muito mais importante conectar-se com outras pessoas e conversar sobre a ideia, para melhorar as possibilidades e abrir caminhos.

Participe de eventos, converse com outros empreendedores e faça networking.

2. Valide o projeto no mercado

Se uma ideia é boa para você e para seus amigos, não significa que o mercado também se beneficiará dela. “Não se apaixone pelo produto, e sim pelo problema”. É essencial descobrir se um número relevante de pessoas precisará da solução que você tem a oferecer.

3. Forme um time complementar

Um dos fundadores do Yahoo! discorda mas, para grande parte do mercado de startups, essa máxima ainda funciona: tenha pessoas de diversos perfis em sua equipe de sócios.

Para criar qualquer negócio, é necessário haver quem entenda de tecnologia (“quando falamos de startups, falamos de tecnologia”, explica Felipe); de operação (e cada serviço possui um tipo específico); de vendas e de gestão.

É muito raro que uma mesma pessoa entenda de todas essas fases do processo, então o ideal é que sua empresa possua algum especialista em cada um desses perfis. Para conhecer? Networking.

4. Tenha um acordo de sócios bem elaborado

Ao ter uma ideia e dividir com sócios, as pessoas são muito otimistas. Mas, segundo Felipe, uma das principais causas de falhas em empreendimentos é justamente o desentendimento entre sócios.

O contrato de sócio é diferente do contrato social, que todas as empresas precisam ter – mas é possível colocar estes termos também no contrato social. Trata-se de um documento que prevê o que vai ocorrer caso algum sócio desista, ou queira vender sua parte, ou não entregue o que se esperava dele.

Para redigir este contrato, é indicado buscar ajuda jurídica.

Felipe dá a dica do Vesting: um termo que bloqueia ações dos sócios da empresa e vai desbloqueando paulatinamente à medida em que o tempo passa e a empresa se estrutura – se alguém possui 33% de uma empresa, por exemplo, e decide sair dela em menos de um ano de operação, não tem direito a nenhuma participação societária. Já depois de 2 anos, pode pegar 15%; e depois de 4, os 33% completos. “Nem todos conhecem, mas é uma ótima solução para evitar grandes problemas em sociedades”, comenta.

5. Teste exaustivamente

Até encontrar um modelo que de fato funcione, uma empresa deve errar muito. É necessário testar todos os modelos possíveis até encontrar aquele que realmente é escalável e repetível. “É 99% transpiração e 1% inspiração”, afirma Felipe, que cita o exemplo da Easy Taxi: “Tales Gomes queria primeiro que os clientes fossem as coorporativas. Só depois perceberam que na verdade deveriam ser os taxistas.

6. Conheça suas métricas

É impossível gerenciar algo que você não saiba medir. Entenda seus usuários e seu impacto, e cuidado com as “métricas de vaidade”: de que adianta seu app ter um bilhão de downloads se as pessoas não estão usando?

Para entender quais são as medidas mais interessantes para cada tipo de negócio, empreendedor indica o livro “Lean Analytics”, de Alistair Roll e Benjamin Yoskivitz, disponível em livrarias brasileiras.

7. Seja ágil e busque apoio

Assim que encontrar o processo que funciona para a sua startup, execute rapidamente.

É preciso focar em realizar as ideias uma de cada vez, “mas mesmo os seus erros devem ser cometidos rapidamente. Ponha o pé no acelerador”. Assim que o processo estiver definido, este é o melhor momento para começar a buscar investidores.

8. Tenha um plano pró ativo

Buscando investimentos, tenha em mente que os investidores não ajudam apenas com dinheiro. “Saiba usar os contatos, conhecimentos e ajuda de quem quer investir na empresa, e saiba que investimentos vêm com riscos”.

Ele relembra: não é só de investimento de risco que vivem as startups. É possível buscar apoio do governo e editais.

9. Construa uma cultura e valorize sua equipe

Uma das lembranças mais importantes para uma startup é não perder a identidade quando começa a crescer. “As empresas que dão mais certo são as que investem em cultura e engajamento”.

10. Pense grande

No princípio, é importante focar. Uma vez que sua startup comece a funcionar, para que ficar apenas no seu nicho? Na sua cidade? No Brasil? Expanda, não veja limites.